Capítulo 3

2599 Words
Amber Lopez ASSIM QUE DEMÉTRIO desviou seus olhos dos meus, pude respirar regularmente. A expressão de Elle era assustada, como se tivesse sido pega na mentira, o que de fato estava acontecendo. Não há necessidade de mentir, todos sabemos que a verdade sempre aparece. Se elas queriam me esconder dele, porque não me contaram? Seria fácil, ficaria trancada em meu quarto sem problema algum. — Não é isso, sr Peterson — gaguejou Elle, queria ver de que forma reverteria essa situação, não me meteria nisso, não sou boa em atuar. — Diga-me o que é então, estou curioso! — ele m*l cabia na pequena cadeira que pegou para se sentar e ouvir a explicação de Elle, suas pernas longas foram cruzadas. Meu pai tinha o costume de fazer isso, e achava estranho, parecia afeminado demais aquilo para um homem. Mas, sinceramente vendo o sr Peterson nessa posição mostrava-se misterioso e ameaçador. — Passei a desconsiderar Amber como filha, após Pedro adoecer — era a primeira vez que ouvia diretamente dela, o motivo de me desprezar. — Isso é infantil, Elle — disse o sr Peterson. — Esse é o motivo, brigamos muito e somente agora estamos tentando voltar a ser o que éramos antes — será que ela não conseguia se ouvir? É tão ridículo sua desculpa. — Também não considera sua irmã por esse motivo, Anália? — perguntou para ela que olhou para Elle em busca de palavras. — Papai sempre teve preferência por Amber, isso me deixava com ciúmes, nunca nos demos bem — respondeu ela. Abaixei minha cabeça, um suspiro alto escapou da minha garganta. O tanto que papai queria que Anália mostrasse pelo menos um pouco de afeto por ele. — Não teve um dia sequer, que papai não perguntou por vocês — encaro cada uma com mágoa, essas minhas e do meu pai que esperava incansavelmente. — Não me importo que não tenham consideração por mim como filha e irmã. Mas deveriam ter com Pedro, ele precisou de todos nós. Fui a favorita por sempre ter ficado com ele, Anália. Sorri em meio às lágrimas que desceram pelo meu rosto, mas logo as limpei. — Isso não importa mas, papai agora está descansando — olhei para todos, com um sorriso contínuo nos lábios, eles não precisavam de mais dramas, são nossas primeiras visitas. — A vida é feita de recomeços — disse Elle me olhando por poucos segundos, ela sentiu o impacto de minhas palavras. — E é isso que faremos. Demétrio ficou em silêncio me olhando, não quis corresponder, não sabia o que ele, Liz e Beto pensavam naquele momento. — De volta aos negócios? — perguntou Anália, a única que parecia não ter ouvido absolutamente nada. — Antes preciso conversar uma coisa com Anália, essa conversa sobre Pedro.. .. precisamos nos recompor — disse Elle. Quando as duas saíram, sentia a necessidade de me desculpar. Por mais que fosse grande a vontade de chorar, tinha que me conformar com a ausência dele. — Lamento pelo seu pai — disse Liz, andou até mim e tocou em meu ombro. Beto somente acenou para mim como se desse suas condolências. — Pedro López foi um grande homem — Demétrio se levantou ao dizer. Elle e Anália retornaram. Espontânea a futura sra Peterson foi até Demétrio e agarrou seu braço. — A chuva ainda não passou, acho que terão que passar a noite aqui — Elle falou animada, vendo que seus planos darão certo. — Posso fazer uma sopa, verei o que há na despensa — me ofereci, o melhor lugar para mim é a cozinha, ter que ficar tendo conversas chatas com mamãe, prefiro me ocupar. — Fiquem e a ajudem — em tom de comando Demétrio fez meu corpo dilacerar. Pude respirar com tranquilidade quando os três saíram da cozinha, ultimei meus olhos segurando toda dor na minha alma, pela perda, elas realmente não se importavam com papai. — A presença dele deixa qualquer um desvairado — disse Beto, inclinei minha cabeça para seu lado, e subitamente rir, ele estreitou os olhos, confuso com meu riso. — Ele é muito gay — disse Lize, acabando com a confusão dele. — Eu não sou gay — ele disse indignado. — Amber, eu não sou … — Não se preocupe, eu entendi, Beto — o tranquilizei. — O sr Peterson..a presença dele consegue sufocar … Fixei meus olhos no chão, tencionando meus pensamentos alguns minutos atrás. Consinto que meu interior abalou ao conhecê-lo, e vê-lo tão perto. Já vi vários homens, que iam visitar meu pai, e alguns tentaram flertar comigo, esses bonitos e perfeitos para agradar Elle, mas nenhum me deu nervosismo, não me causou sensação alguma. ××× ××× Uma deliciosa sopa de legumes agradou a todos presentes, Demétrio surpreendentemente elogiou mais de uma vez. Observei o quanto seus comentários foram condenados por Elle, sua expressão refletia seu desagrado. — Porque não se senta e janta, Amber? Demétrio perguntou. Fiquei em pé no canto da sala de jantar, costume de apreciar meu pai se deliciando na comida. — Vou fazer isso com Lize e Beto na cozinha. Fazia tempos que não me sentava à mesa com Elle e Amber, o que não sentia falta. Pedi licença e caminhei para longe deles, sentindo o peso dos olhos negros de Demétrio em meu corpo. Mesmo sentindo dor em minha alma aquela noite na cozinha na companhia de possíveis novos amigos, me diverti como em anos não acontecia. O humor aperfeiçoado de Beto era incrível, e a falta de Liz tornava tudo ainda mais engraçado, a implicância dos dois, fazia-me indagar que nutriam sentimentos pelo outro. — Onde vocês vão dormir? Perguntei. Elle é de longe uma boa anfitriã. — Provavelmente no gramado. Respondeu Beto, Lizie o esmurrou no ombro, o repreendendo pelo comentário. Sem conseguir controlar comecei a rir, a louça já estava lavada, estávamos conversando sobre nada específico. — Chefe! Os dois se colocaram de pés ao verem Demétrio entrar na cozinha. Permaneci de costas para ele, focando meus olhos nos dois à minha frente, que expressavam severidade, diferente das pessoas descontraídas segundos atrás. — Avise a CIP que não comparecerei na reunião amanhã. Passou Demétrio sua ordem. Me assustei ao senti-lo ao meu lado, inclinei minha cabeça para cima encarando-o, o mesmo já fazia isso. Mostrei um singelo sorriso nervoso. — Houve mudanças de planos — disse ele. — Muito sensato, senhor! — disse Liz. Direcionei meus olhos para onde os de Demétrio agora estavam centrados, ele e Liz pareciam ter uma conexão forte, pois compreendiam a frases camufladas. — Senhor, onde descansaremos? Perguntou Beto, ele ficou incomodado com o código de Demétrio com Liz, restava-me saber se era ciúmes do chefe ou da mulher que sempre o ganha. — No chão, Beto — respondeu Demétrio, arregalei os olhos. — Ou no gramado, ele parece macio para sua cabeça. — Tem um quarto sobrando — disse, Demétrio olhou-me indecifrável. — Se importam de dormirem juntos? Liz contrariu a boca a entornando, obviamente desconfortável com a ideia. Beto, diferente dela, mostrou-se alegre. — Você pode dormir comigo, Liz. Tenho certeza que ela concordaria se Demétrio não intervisse. — Os dois vão dormir juntos — decretou. Sem questionar os dois se mantiveram em silêncio. — Não seria incômodo para mim — disse. — Para mim sim, Amber — disse Demétrio. Abri a boca mais qualquer palavra saiu. — Boa noite! Lançou um último olhar para seus seguranças, e depois para mim, e saiu. Ele parecia o chefe da casa, completamente prepotente e um pouco rude. ××× ××× Cansada pelo dia exaustivo, principalmente por ter tomado banho de chuva, meu nariz coçava, atiçando os espirros a saírem em disparada sem qualquer sintonia. Esperei que todos recolhessem-se para arrumar a sala de jantar. Tinha um sério problema com organização. Satisfeita, fui para meu quarto. — Tem que bater, Amber! Meu rosto certamente foi marcado pela vermelhidão, por ver Demétrio usando apenas uma calça, seu tronco estava nu. — Desculpe! Virei de costas rapidamente. — Tudo bem, Amber — ele murmurou. — Vire-se para mim! Meu corpo quis obedecer a sua ordem, seu tom de voz foi forte em comando, com certeza um ato costumeiro. — Você não está adequado — disse. — Nunca viu um homem assim? — perguntou. — Não… — respondi baixinho. Mordi meus lábios nervosos, em que momento entramos numa conversa tão intimamente constrangedora? — Quero dizer, já vi… — fechei os olhos, sentindo-me uma boba por responder a uma pergunta como essa, e ainda mentir. — Isso não é pergunta que se faça sr Peterson. Recuperei meu tom de voz natural. — Depende, Amber — contradisse ele. Confusa, virei para debater o assunto inesperado entre nós dois que a poucas horas nos conhecemos. — Depende do que? Desarmei novamente por pegá-lo tão perto de mim, olhando-me firmemente. Ele se aproximou mais de mim, inclinando sua face bonita da minha, seus olhos negros fixaram em minha boca, instintivamente olhei para sua também. O clima mudará drasticamente, tornando-se quente, muito quente. — Esse é meu quarto. Abaixei minha cabeça desfazendo sabe se lá o que, que acontecia nesse momento entre nós dois. — Elle disse que poderia ficar nesse. Demétrio não se afastou, parecia que o mesmo ainda estava no clima quente de segundos atrás. — Ah… ela deve ter esquecido de me contar. Sorri desculpando-me. — Você pode dormir aqui — disse ele sendo gentil. — A cama é grande, cabe nós dois. Dispensei sua gentileza, colocando no lugar a palavra "s****o" — Não estou interessada, sr Peterson — disse autoritária, extremamente ofendida com suas palavras. — Seja lá o que possa ter pensado a meu respeito, o senhor se enganou. Demétrio permaneceu neutro, fitando-me como se fosse uma criatura estranha. — Quanto nervosismo — disse ele em tom normal, soltou um suspiro. — Ainda não pensei nada referente a você, pelos menos nada que não vá gostar de saber. Envergonhada e subitamente curiosa para saber o que pensou a meu respeito, quiz me enforcar pelo interesse sentido. — Não estou nervosa, sr Peterson — disse, ele sorriu claramente sem acreditar. — Me chame de Demétrio — ordenou. Finalmente se afastando de mim, não me atrevi a dar nenhum só passo para dentro, fiquei na porta. Suas costas largas eram deslumbrantes e marcantes. — Boa noite, Demétrio — disse. — Desculpe pelo m*l entendido. Ele arqueou as sobrancelhas com expressão surpresa por eu estar me despedindo? Mas logo encarnou a expressão neutra, permaneci parada no mesmo lugar, trocando olhares com ele. — Precisa de algo, Amber? — ele perguntou. Sim, eu precisava de uma coberta, trocar minha roupa, mas não falaria. — Não, Demétrio — disse, virando-me para sair de uma vez da sua presença. Suspirei exasperada, todos os quartos estavam ocupados, pensei que Demétrio dividiria o quarto com Anália. Os planos não estavam dando certo? Não havia outra escolha senão dormir no sofá da sala, não poderia ser tão r**m quanto uma cadeira dura de hospital. Me ocorreu a ideia de tomar um banho no antigo quarto das empregadas, talvez lá encontrasse uma roupa para trocar essa. Demorei mais que o necessário no banheiro danificado, o que serviu para meu uso. Chorei feito criança novamente, sentindo todo peso da mágoa e dor, pedindo para que tudo fosse embora pelo ralo, que tudo acabasse de uma vez. Encontrei umas toalhas finas dentro de um dos armários, infelizmente as camas não davam para ser usadas, não havia mais colchão ali, somente as armações. Depois de me enxugar, enrolei meu cabelo e meu corpo deixando parte de minhas coxas amostra. Minha pele estava arrepiada pelo frio iminente, seria uma noite longa. Em certo horário, sem aguentar, fui à cozinha fazer um chá para esquentar. Enquanto fazia, estudei o som de passos esses vindo em direção a cozinha, desliguei o fogo, me abaixei rapidamente encostando-me no balcão próximo a mesa. Era Demétrio, caminhou até a geladeira e se serviu de água, não apareceria para ele, não bastou o momento estranho no quarto. — Amor, não está conseguindo dormir? Anália se aproximou dele, estava descalça, e usava somente uma calcinha. Ah que horror. Ela começou a beijar o tronco nu dele, o mesmo permaneceu concentrado em sua água. Me assustei quando ele inclinou sua cabeça para o lado, em minha direção, passei para o outro lado do balcão, orando para que ele não tivesse me visto. — Suba Anália, já estou indo — ouvir ele. Ela obedeceu. Fiquei olhando esperando que ele fizesse o mesmo, ouvir seus passos, encostei minha cabeça na madeira, nervosa. — É costume ficar bisbilhotando, Amber? Fechei meus olhos, ele tinha que vim falar comigo. — Não, sr Peterson! Levantei, agradeci pela luz está apagada, assim não me veria usando apenas uma toalha. — Eu estava fazendo um chá… — Se escondeu quando viu que era eu? — Sim, quer dizer não, não queria ser vista por ninguém. Apoiei minhas mãos no balcão, segurando firme, quando virei para ele que estava um pouco distante. Seus olhos avaliaram-me, sua boca puxou-se em um pequeno sorriso de lado discreto. — Está só de toalha… Aquela não fora uma pergunta, o mesmo deu passos, chegando mais perto. — Não se aproxime, estou só de toalha… Disse, balançando a cabeça. Mesmo assim, Demétrio ficou próximo o suficiente para sentir sua respiração quente, ele tirou minhas mãos do balcão, virando-me completamente para ele. — O q-ue va-i fa-z-er ? Bato-me mentalmente por gaguejar. Ele levantou meu queixo, passeou com seus dedos por minha face, observando cada centímetro. Segurava a toalha em meu corpo ao ponto de meus dedos doer. — Você quer que eu faça alguma coisa? Perguntou ele. — O que você poderia fazer? Indaguei nervosa, sem conseguir ter qualquer pensamento limpo. — Muitas coisas, Amber — sussurrou atento a minhas feições. — Poderia fazer agora. Sua face estava ainda mais perto, sua mão segurava firme meu rosto para que eu não escapasse. Suas palavras tiveram efeito direto em minha v****a, dentro de mim as coisas começaram a se contorcer, clamando para que ele fizesse. Fizesse o que? Me beijasse. Entretanto a lucidez bradou alto em minha mente, freando as vontades da minha carne, fazendo-me acordar do transe. Não conhecia Demétrio, suas intenções eram muito claras e avançadas, dando invertidas sem se importar com o fato de ser irmã de sua futura esposa. Tomada pelo bom senso, tirei sua mão do meu rosto, dei dois passos para trás. — Não sei o que pretende fazer com tudo isso, você está com minha irmã. m*l lhe conheço, sr Peterson — disse encarando o chão. — Se pensa que sou alvo fácil, está muito enganado. Tenho princípios. — Percebo que tens, Amber. É uma linda mulher, doce, delicada, fiel a família, perfeita para ser esposa — disse ele pensativo. — Não compreendo, sr Peterson — ele escorou no balcão relaxado. — Não precisa compreender nada, Amber, pelo menos não agora — olhei intrigada para ele. — Vá dormir, não farei nada com você, não essa noite. Minha pele arrepiou e não foi pelo frio, e sim pelas suas palavras. Não fará nada comigo essa noite? Sem querer me prolongar em mais um assunto estranho com Demétrio, acenei com a cabeça, rodei meus calcanhares para longe dele. Entrando no quarto dos empregados fechei a porta rapidamente, meu coração martelava forte dentro do peito, aturdida por Demétrio. Com medo de ficar no sofá da sala, forrei uma das armação da cama, e dormi lá pensando nesse homem misterioso, que abalou meu psicológico num só dia.
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