Os guardas reais terminam de colocar minhas malas no carro e eu me viro para a minha família.
— Então... — Tento mostrar que estou feliz, mas pela cara que minha mãe fez, não fui bem.
— Aurora. Ainda da tempo de desistir. — Meu pai falou e eu sorri, negando.
Eles não queriam que eu fosse, mas eu não posso desistir. Tudo por eles.
— Eu já vou indo. — Comentei, indo abraçar minha mãe.
Terminei de despedir da minha família e adentrei o carro, cumprimentei os guardas mas não tive resposta. Ó educação, em.
Alguns minutos depois o carro parou de se movimentar, olhei pela janela e vi que já estávamos no Palácio. Ele não era tão bonito, como as pessoas diziam ser, era gigante, obviamente, e de cor branca, o jardim é maravilhoso e gigante. Não pude observar muito, pois o guarda me puxou para entrar no palácio. Que gentil.
— Senhorita Aurora Benfica? — Uma mulher de meia idade apareceu no topo das escadas e veio andando até mim. — Sou Cleusa, uma das suas damas de companhia. Venha. Precisamos te arrumar, daqui a pouco o príncipe chega. — Ela me puxou pelas mãos e subimos as escadas. — Esse será o seu quarto. — Entramos no mesmo e eu sorri. No centro do quarto tem uma cama de casal, ao lado uma uma porta de correr e do lado dessa uma outra porta
— Somos Cleusa, Guadalupe e Benedita. — Ela falou apontando para as outras.
— Prazer em conhecê-las meninas. — Sorri.
— Vou te passar as orientações. — Se eu não me engano, a dona Guadalupe falou. — Hoje vocês conhecerá o príncipe Andrews, amanhã começarão com as aulas de etiquetas.
— Como o príncipe é? — Me sentei em uma cadeira giratória e elas se aproximaram de mim, uma tirou meus sapatos e outra começou a passar um algodão molhado no meu rosto, Cleusa começou a amarrar meu cabelo.
— Não sabemos te dizer isso, o príncipe nunca morou aqui. — Arqueei as sobrancelhas. — Desde os 3 anos de idade ele estuda em um Colégio real em outra cidade.
— Ele nunca veio aqui? O rei e a rainha nunca o viram? — Perguntei assustada.
— Uma vez ou outra o rei ia visita-lo. — Benedita falou.
— Quantos anos ele tem?
— 18. E a senhorita?
— 17. Daqui a alguns meses faço 18. — Falei olhando para ela pelo reflexo do espelho.
— Ó sim. Vá para o banho. — Ela se levantou e me puxou pelos braços.
— Vocês são apressadas, assim sempre? — Elas soltaram uma risada.
— Quase sempre.
— Você tem direito a um banho de dez minutos, assim que sair do banho vista isso. — Ela colocou algumas roupas sobre o balcão. — Assenti e elas saíram, fechando a porta.
Está tudo indo bem. Que continue assim.
Não vejo a hora de conhecer as outras meninas.
Há essa hora fotos minhas deve estar espalhadas por todo o reino e cidades próximas, havia tantas câmaras na entrada do Palácio, espero que tenham pegado meu melhor ângulo e junto com os repórteres tinha também várias pessoas com cartazes com nome de algumas meninas, o que eu mais vi ali foi o da "Bárbara Beutifoul", ela já ganhou, sem dúvidas, além de ser linda tem muito dinheiro e pasmem, eu não vi nenhum sequer com meu nome. Ó tristeza.
— ONDE ESTÁ ELA? — Ouvi um grito agudo e saí dos devaneios.
— Aurora? — Cleusa chamou
— Já estou saindo. — Levantei-me da banheira e peguei a toalha me enxugando. Elas haviam deixado uma lingerie preta — não sexy — e um roupão branco, vesti os mesmos e saí dali.
— Até que... — O homem parou de falar e me olhou de cima a baixo. — Você é diferente das outras...
— Não sou branca? — Eu ri.
— E isso é ótimo. — Arqueei a sobrancelha. — Já tenho uma favorita. — Ele bateu palmas. — Agora deixe-me ver esse cabelo. — Sentei-me na cadeira giratória. Guadalupe começou a cuidar das minhas unhas do pé e Benedita as da mão, tentei relaxar-me o máximo possível. — E essas pontas duplas? Você não cuida desse cabelo?
— Não tinha tempo.
E era verdade. Enquanto minha mãe não estava em casa, eu cuidava dos meus irmãos e ainda ia ajudar meu pai na sapataria.
***
— Está pronta? — Frank, o cabelereiro perguntou.
— Sim. — Ele me puxou pelos braços e me levou até o enorme espelho que tinha no closet.
Arregalo meus olhos e sorrio com o que eu vejo, eu estava totalmente linda. Meus cabelos estavam presos em um coque, minha maquiagem bem simples, com apenas um batom rosa claro marcando minha boca. O vestido era bege e era justo até a cintura e nos pés eu calçava um sapato também bege.
— Estou... Linda.
— Maravilhosa. — Frank adicionou.
Ouvimos batidas na porta e eu olho para trás, vendo Lupe ir até a porta.
— Aurora. Você precisa ir. — Respiro fundo e fecho meus olhos tentando me acalmar, do nada meu coração começou a acelerar e surgiu um frio na minha barriga.
— Estou nervosa. — Falei rindo.
— Não fique. Já te demos algumas dicas, agora desça e faz tudo que te ensinamos. — Cleusa falou e eu balancei a cabeça em uma tentativa frustrada de concordar e espantar os pensamentos negativos.
Virei-me para o espelho e após dar uma olhada no espelho, saio dali em passos lentos e começo a descer as escadas, levanto a minha cabeça e vi várias garotas me encarando, algumas sorriam e outras me olhavam com desprezo.
— Aurora Benfica? — Três meninas vieram se aproximando de mim.
— Sim. E vocês, quem são?
— Ágata. — A loira falou fazendo uma referência, ri fraco.
— Sou Jessica. — A ruiva falou.
— E eu Luana. Prazer.
— O prazer é todo meu. — Fiz uma referência assim como ela.
— Vamos nos sentar? — Jéssica falou e concordamos, andando até um sofá no canto da sala.
— O Príncipe acabou de chegar. — Uma mulher adentrou o salão correndo e começou uma correria, os funcionários foram para a suas posições e nós meninas nos levantamos.
A porta foi aberta e o casal real entrou, atrás dele vinha o Príncipe, eu e as meninas fizemos uma referência e ele passou o olhar em todas as meninas.
Ele era lindo, o homem mais bonito que já tinha visto, alto, com lindos olhos azuis e um ar de superioridade.
— Olá meninas. Espero que vocês tenham tido uma ótima recepção. — A rainha falou sorrindo. — Podem-se sentar. — Nos sentamos e logo a nossa frente a família real se sentou em um sofá, encarando cada uma de nós.
— Primeiro iremos jantar e em seguida vocês terão uma conversa em particular com o príncipe. — O rei falou e o príncipe sorriu falso.
Parece que não é só eu que não gostaria de estar aqui.
***
Graças a Deus o jantar foi algo simples apenas uma sopa de galinha.
Confesso que estava com medo daqueles milhares de talheres.
O Príncipe se retirou logo após o jantar e na medida que as meninas da casta A terminavam, elas iam conversar com ele, uma de cada vez, obvio.
Umas duas horas depois chegou a minha vez, me levantei e saí andando calmamente até o escritório. Bato na porta e ao ouvir o príncipe murmurar um "entra", abro a porta lentamente, entrando e fechando a mesma posteriormente.
— Alteza. — Fiz uma referência e ele apontou para a cadeira a sua frente, me sentei e o olhei. Era nítido o quanto entediado ele estava, o mais engraçado que ele não mantinha uma imagem de príncipe, seus pés estavam sobre a mesa e seu paletó jogado no chão, ele ainda mascava um chiclete.
— Seu nome?
— Aurora... Aurora Benfica.
— Se você fosse a escolhida e seu primeiro dever de princesa for criar algum projeto, ou acabar com um projeto. O que faria?
— Sem dúvidas, acabaria com essa divisão de castas e essa e********o no qual a casta C passa. — Fui direta e ele arqueeou as sobrancelhas.
Parece que ele não gostou muito do que ouviu, sinto muito.
— Você está dizendo que a Casta C é escravizada?
— Sim. — Falei nervosa.
Ok, eu não deveria ter falado isso e agora eu sinto que acabei com minhas chances de ficar aqui sem ao menos ter começado a "competição". Por que eu sempre estrago tudo. Que ódio.
— Eu não acredito nisso. — Ele riu. — Os habitantes da casta C deveriam agradecer pela ajuda que nos o damos.
— Que ajuda? — Gargalhei. — Vocês deveriam ter vergonha de dizer uma coisa dessas, ah... Você desde os 3 anos mora fora e não sabe pelo o que passamos.
— Você é da casta C?
— Sim.
— O que uma pobre... — Ele parou de falar e eu me levantei da cadeira.
— Uma o quê? Uma pobretona?
— Saía daqui. — Ele apontou para a porta e eu me virei, dando graças a Deus por estar longe dele.
Subo as escadas correndo e me encaminho para o quarto.
— Aconteceu algo, menina? — Lupe perguntou, assim que eu adentrei o quarto.
— Sim. Por que vocês não me avisaram que o príncipe é um lixo?
— Psiu. — Cleusa falou espantada. — Você está doida? Não se fala assim do príncipe.
— Saíam daqui, por favor. — Abri a porta virando-me para o outro lado tentando segurar minhas lágrimas. Elas se retiraram e eu me joguei na cama.
O que eu estou fazendo aqui?
O meu lugar não é aqui, como o príncipe mesmo disse, o que uma pobretona faz aqui?
Calma Aurora, calma Aurora. Eu sou forte e não posso jogar tudo para o alto assim, não posso estragar essa chance única, eu vim para um único propósito e não posso sair perdendo.