Capítulo 1
Aurora Benfica
"Olá, senhorita Aurora Benfica, você está entre as 20 jovens selecionadas para participar da minha busca a nova princesa de Luxúria. Um carro buscará você no domingo e irá traze-la até o Palácio, aqui saberás de mais informações.
Príncipe Andrews."
Li e reli o papel umas vinte vezes e em seguida olhei para frente onde minha família estava sentada, todos ansiosos.
— Eu não... — eles abaixaram a cabeça e eu despejei a bomba. — Serei umas das não escolhidas. Eu vou para o Palácio. — Gritei a última frase vendo todos se levantarem e comemorarem.
— Parabéns, Au. — Uma tia minha que nunca foi com a minha cara veio me cumprimentar.
— Obrigada, tia Licy. — A abracei e fui cumprimentar o resto da família.
Não durou muito as comemorações pois todos precisavam voltar ao trabalho, meus tios e primos faziam a guarda do reino e minhas tias trabalhavam na limpeza e na cozinha. Minha mãe costurava e meu pai era sapateiro, meus irmãos mais velhos, Joseph, 23 anos, e Mathias, de 24 estão aguardando o resultado do concurso para guardas do palácio.
Só para constar, todos habitantes da casta C são obrigados a trabalhar no imenso palácio.
Vi que o jornal do Palácio já iria começar e me sentei no sofá, 10 minutos depois o jornal começou mostrando fotos e de qual casta era as escolhidas.
Talita Barks, casta A.
Leonor Esperesol, casta A.
Mariana Novaes, casta A.
Juana Rodriguez, casta A.
Juliana Bento, casta A.
Barbara Beutifoul, casta A.
Lianda Beutifoul, casta A.
Thalia Nolasco, casta A.
Victoria Buthis, casta A.
Jessica Ramirez, casta A.
Essas meninas são todas lindas, brancas e ricas, todas tem sobrenome importante no reino e a única coisa boa que eu tenho é saúde.
Joaquina Milena, casta B.
Francisca Chica, casta B.
Luana Tavares, casta B.
Camila Canins, casta B.
Gabriela Miranda, casta B.
Daiane Susuqui, casta B.
Nathalia Marlei, casta B.
Bruna Marlei, casta B.
Ágata Julians, casta B.
Aurora Benfica, casta C.
Então serei a única lá, não tão branca como elas e a mais pobre de todas. Ser a única é bom, mas com essas características é f**a, não que eu ache r**m ser isso, tão r**m não é, mas eu me sentirei excluída lá, certeza.
Eu não queria ser da realeza, mas vai ser preciso, por participarmos da seleção eles darão uma certa quantia de dinheiro para a família e com esse dinheiro conseguiremos suprir nossas necessidades. Como por exemplo não ter que escolher entre o almoço ou jantar, entre a luz ou a água, entre os instrumentos que meu pai precisa, ou os instrumentos que minha mãe precisa para trabalhar, poderemos almoçar e jantar todos os dias, ter tudo o que necessitamos, sem nos preocupar com amanhã.
As castas funcionam da seguinte maneira: existe a casta A, B e C, na casta A quem mora são os empresários milionários, amigos ou familiares da família real. Na casta B quem mora são os comerciantes eles não são tão ricos e nem pobres como nós, porém possuem bastante dinheiro e não passam fome. Já a casta C é onde mora os pobres, trabalhadores do palácio ou das lojas do reino.
Tenho 6 irmãos e moramos em uma humilde residência em que tem apenas 5 cômodos, uma sala, cozinha, dois quartos, e um mini-banheiro.
Respirei fundo. Tinha que fazer aquilo, pela minha família, eles precisavam de mim. Não posso abandona-los.
— Aurora. — Laís me tirou dos devaneios e eu a olhei. — Mamãe mandou você arrumar suas coisas. — Ela falou cabisbaixa.
— O que houve, Laís?
— Você vai me deixar? — Ela levantou sua cabeça e seus olhinhos estavam marejados.
— Claro que não, Lala. — A puxei para um abraço e enchi seu rostinho de beijos. — Eu só vou passar uns dias no palácio, mas vai ser para o nosso bem.
— E se você for a escolhida?
— Você acha mesmo que eu vou
ser escolhida? — Ela assentiu e eu ri.
— Você é linda, Au. — Ela me deu um beijo no rosto e eu sorri, levantando-me do sofá com ela nos braços.
— Não quanto essas meninas. — Comecei a subir a pacata escada de madeira que leva até o segundo andar da casa e ao adentrar meu quarto coloquei Lala na cama.
Abri meu guarda-roupa e percebi que só tinha roupas velhas e algumas rasgadas. Como vou aparentar uma boa imagem no palácio com essas roupas?
— Os vestidos da minha boneca podiam servir em você. — Laís falou e eu assenti rindo.
— Aurora! Aurora! — Ouvi minha mãe gritar e segundos depois ela apareceu na porta do meu quarto.
— Olha só os vestidos que consegui para você. — Ela estendeu alguns vestidos na cama e eu sorri. — Descobri também que lá vocês terão damas de companhia e elas te ajudarão em tudo que for preciso, e o melhor vão costurar vários vestidos para vocês. — Meu sorriso aumentou mais ainda.
Além de receber uma quantia em dinheiro, vou ter tudo isso? Até que não é má ideia .
Só espero que isso realmente valha a pena.
Príncipe Andrews
Termino de escrever a última das vinte cartas que mandarei para as meninas do reino e suspiro jogando a caneta na mesa.
Não era dessa forma que eu pretendia arranjar uma esposa, mas infelizmente é preciso, vivo uma vida em que não tenho escolhas.
Tenho certeza que não vou achar alguém que me ame de verdade, apenas garotas jovens que estão loucas para aparecer na televisão e posteriormente ficarem ricas, Elizabeth disse que com o tempo e convivência ela e Dominic começarem a se amar, e eu só espero que aconteça a mesma coisa comigo e com a tal escolhida.
Mal sabe essas meninas que estão prestes a cometer uma grande loucura, a partir do momento que entrarem no palácio a vida delas irá acabar, não terão mais liberdade, passarão a viver cercada de regras e limites. Tenho tanta dó dessas meninas, e mais ainda da escolhida.
Eu não quero e nem sei se consigo ser rei, eu tenho que comandar as coisas, tenho que ser severo e digamos que não consigo, eu literalmente, sou uma mosca morta. Como vou comandar, colocar moral nisso, se meu coração é mole?
Eu não sei quase nada desse reino, passei a metade da minha vida trancado em um colégio que ensina coisas do tipo, mas eu não tive vontade e consequentemente não aprendi nada.
Eu só queria saber dos meus pais, só queria ir embora para a minha casa e conviver com meus pais, ser amado por eles, mas não, eles nunca se importaram comigo, e agora do nada, cismaram que eu tenho que vir comandar isso.
Levanto-me da cadeira e vou para a varanda, sentir o ar fresco da noite irá me fazer bem. Ali naquela varanda do hotel em que estou hospedado, vendo lá ao longe uma torre do palácio, comecei a me perguntar o que estou fazendo de minha vida, mesmo sendo criado para ser rei, eu nunca tive responsabilidades antes e não é agora que terei.
Depois de um longo tempo ali, resolvo voltar ao quarto, antes mesmo de sentar-me na cama, ouço batidas na porta e depois de bufar e xingar mil e uma coisas, vou até lá, abrindo a mesma, tento sorrir ao ver Elizabeth ali, mas tenho certeza que a única feição que consegui fazer foi de "Você aqui?" Ou "O que eu fiz pra merecer isso"
— Andrews, meu filho. Vim te chamar para o jantar. — Ela adentrou meu quarto, sem minha permissão. Pelo menos ela não desvendou a minha cara, certeza que ela iria começar com seus dramas, "Ó Andrews. Por que você não me ama? O que eu te fiz?" Minha vontade seria de responder "Vai ver que é porque você, junto com seu maridinho, me abandonou aqui e deixou com que eu passasse minha infância e adolescência inteira dentro de uma escola real."
— Estou sem fome, Elizabeth.
— Mãe, Andrews, sou sua mãe.
Infelizmente.
— Você não almoçou e pelo o que sei, não pediu café à tarde.
— Como já disse, estou sem fome. — Murmuro indo até a sacada.
— Andrews. Seu pai deseja vê-lo, não o faça ficar irritado.
— Ó... É mesmo... Havia me esquecido que tenho que fazer tudo que o rei quer. — andei até a porta, e ao não sentir sua presença, viro-me para trás. — Vamos?
— Sim, meu filho amado.
"Amado" É rir pra não chorar.
Subimos as escadas rapidamente e ouço Dominic me chamar assim que a porta se abriu. Belo jeito de chamar atenção. — Que saudades de você. — Ele me deu um abraço apertado
Se queria tanto chamar atenção, era só ter me avisado que eu viria com uma melancia na cabeça.
— Nos vimos não tem nem 1 hora, Dominic. — Falei, me sentando em uma cadeira, um pouco afastada de tudo.
— Foram 18 anos longe filho. Você não imagina a falta que fez.
Sentiram tanto a minha falta que nem se deram ao trabalho de ir me visitar, e olha que eles vieram milhares de vezes aqui, a trabalho, claro.
— Sei. — Murmurei revirando os olhos.
— Não vejo a hora de apresentar esse meu filho lindo à todas as damas de Luxúria.
— Essa minha ideia de criar uma seleção foi otima, não é? — Elizabeth assentiu sorrindo. Puxa saco.
— Já tenho minha favorita, Thalia Barks, ela é linda, educada e filha de um grande amigo nosso. — Elizabeth falou sorrindo.
— São todas da casta A?
— Não, várias da casta B e uma da casta C, Aurora Benfica, uma neguinha filha de costureira e sapateiro.
— Ela não é n***a, Dominic.
Dominic como sempre sendo inconveniente e racista, nada muda.
— Passou de branco pra mim, é n***o.
O que uma garota da casta C estaria fazendo lá?
— As cartas já estão prontas. — Comentei mudando de assunto.
— Um guarda irá pegá-las.
Continuei a comer enquanto os mesmos discutiam sobre o reino.
Então já sei de algumas coisas sobre o que me espera em Luxúria, e com essas descobertas minha vontade de sumir, aumentou ainda mais.
— Você não acha, Andrews? — Elizabeth falou me fazendo sair dos devaneios.
— Perdão, eu estava em outra era. — Ri fraco.
— Um quase rei não deve falar dessa maneira, Andrews, e deve estar sempre atento com tudo. Tenho certeza que naquela escola te ensinaram isso. — Dominic falou bravo
Se ensinaram, eu esqueci, ou como sempre, não prestei atenção na aula.
— Voltando ao antigo assunto... Você não acha que devemos fazer uma festa? O futuro rei de Luxúria tem que ser recebido com festa.
— Não, Elizabeth. Não quero festas.
— Mas Andrews....
— Espero que respeite esse meu desejo. — Tentei soar sério.
— Está vendo? Andrews não gosta de festas. — Dominic disse orgulhoso.
Mal sabe ele que eu fugia da escola todas as noites para ir em festas com os amigos.
O resto da noite foi tranquilo, meu pai começou a falar sobre negócios e eu apenas fingia que estava o ouvindo. Consegui saí de lá quando um guarda foi me pedir as chaves do quarto para pegar as tais cartas, e com a desculpa que estava muito cansado, consegui fazer com que eles me liberassem.