Mônica narrando...
Muitos não entendem o motivo de eu ter mudado completamente o rumo da minha vida, eu nasci e vivi a vida toda em São Paulo, mas sempre fui sozinha, a minha família virou às costas para mim, quando eu descobri a minha sexualidade, sim, eu sou lésbica! A Estella sabe e sempre soube, desde o início, nunca senti desejo pela mesma, sempre foi amizade, e não é porque ela não é bonita, porque sim, ela é linda, um mulherão da po.rra! Mas entre nós, sempre será amizade, ou melhor dizendo, irmandade! Ela é a irmã que a vida me deu e por ela eu vou até o inferno.
Eu não me arrependo nadinha de ter vindo para o Rio, assim como a Estella precisava de mim naquele momento, eu também precisava dela, quando ela perdeu o Guilherme, ela se fechou completamente, começou a focar só no serviço, principalmente por ter virado uma bombeira, o sonho dela sempre foi entrar para os bombeiros, ela atuava como paramédica ao meu lado, foi assim que a gente se conheceu e pegou uma amizade muito legal, quando o Guilherme morreu, eu vi ela enfrentar os piores dias da vida dela, mas sempre estive ao lado dela e sempre estarei.
Até hoje tento colocar na cabeça dela que ela precisa seguir e se permitir, que o Guilherme não iria querer ver ela parando a vida e focando só no trabalho, que ela precisa sair e conhecer pessoas novas, mas isso não entra na cabeça dela de jeito nenhum... Ela acha que a vida dela agora é só o serviço... Eu cansei de chamar ela para sair comigo, para curtir e ela sempre alega que está cansada e precisa ficar em casa porque precisa descansar e também não sente vontade de sair e conhecer ninguém.
Eu apenas respeito a opinião dela, mas já faz cinco meses que estamos aqui e ela continua nessa loucura, eu já não sei mais o que fazer! Eu só quero que ela volte a ser aquela minha amiga alegre de volta. Ela tenta se esforçar para demonstrar que está bem, mas eu sei que ela ainda sente muita saudade do Guilherme e é por isso que ela não se permiti sair e se divertir, acho que para ela é como se ela estivesse traindo ele, mas quem conhecia ele, saberia que a última coisa que ele iria querer, é que ela parasse a vida dela totalmente.
Depois que ela chegou, eus aí para o meu turno, hoje o dia seria longo, ainda mais que não pegamos o mesmo turno e eu confesso que quando é assim, eu fico até desanimada, eu só espero que o nosso chefe não demore para nos colocar no mesmo turno de novo. Cheguei e a Ananda já estava aqui, a mesma abriu um sorriso assim que me viu e veio até mim me dar um beijo no rosto.
Ananda: Está ainda mais linda do que a última vez que eu te vi. — ela fala e eu apenas sorrio simpática.
Ananda e eu somos uma dupla, trabalhamos juntas na ambulância e ela sabe que eu sou lésbica, assim como ela corta para os dois lados, ela vive de rolo com o Micael, e eles insistem em uma noite atrás, mas eu já falei que não rola, para isso chegar a acontecer, eu tenho que estar com muita vontade e eu não sinto vontade de sair com eles, até porque eu saí com uma moça esses dias, o nome dela é Mariah , ela é linda e muito divertida!
Ananda: Quando vai topar em sair comigo e com o Micael? — ela pergunta me fazendo revirar os olhos.
Mônica: Eu já falei que isso não vai rolar, Ananda, tira essa loucura da sua cabeça.
Ananda: Você e a Tenente Cruz, tem algo, né? — eu começo a rir.
Mônica: Não, a gente é melhores amigas, apenas isso, vocês só não fazem o meu estilo, agora vamos trabalhar. — foi eu fechar a boca que um chamado da ambulância ocorreu.
Entramos na mesma e corremos em direção ao local, era perto de uma favela, confesso que sempre tive muita curiosidade para subir em uma dessas favelas, mas o medo sempre falou mais alto, quem sabe um dia eu arrisque, mas enquanto esse dia não chega, eu só admiro a mesma de longe.
Atendemos o rapaz que levou 3 tiros, dois sendo de raspão e um na perna, ele não queria de jeito nenhum ir para o hospital... Depois de muito conversar com ele, ele finalmente cedeu e aceitou o atendimento, quando chegamos no hospital, ele estava quase desmaiado.
Mônica: Homem de 24 anos, encontrado com três tiros, sinais vitais estão bom, mas está perdendo muito sangue, dois tiros foram de raspão, o outro acertou a perna e acredito que tenha pegado uma artéria e causado hemorragia. — transferimos ele para o leito e saímos dali.
Ananda: Aposto que é envolvido, por isso não queria vir para o hospital. — ela fala fazendo careta.
Mônica: Daqui a pouco ele não seja envolvido, só seja morador de uma favela e ele sabe como os julgamentos são desse lado e não queria vir para cá por causa disso. — falo séria dando às costas para a mesma que fica sem jeito.
Se tem uma coisa que eu nunca fui nessa minha vida, foi preconceituosa, eu já recebi tanto olhar torto por minha escolha s****l que nunca faria algo desse tipo com outra pessoa. Não importa a cor, raça, sexualidade, se é rico ou pobre, todos nós somos feitos de carne e osso.
Voltamos para o batalhão e eu passei o resto do turno fugindo da Ananda, mas estava bem difícil, eu agradeci mentalmente por m*l pararmos hoje, era um chamado atrás do outro e finalmente já estava no horário de ir embora, assim que sai do quartel, a Ananda veio correndo atrás de mim, me fazendo revirar os olhos, mas eu quase caí para trás quando vi a Mariah parada na frente do quartel, ela veio até mim com um sorriso largo no rosto.
Mônica: O que está fazendo aqui? — pergunto para a mesma e vejo a Ananda travar o maxilar, quando ela se aproxima e me dá um selinho.
Mariah: Te mandei mensagem, mas você não viu, eu avisei que viria te buscar.
Mônica: m*l peguei no celular hoje. — digo pegando o mesmo e vendo a mensagem dela.
Mariah: E então, topa? — ela fala e eu confirmo, na mensagem ela dizia que iria passar aqui para irmos tomar um café em uma cafeteria que tem aqui perto.
Mônica: Tchau Ananda, até amanhã. — me despeço da mesma que só acena e dá para ver o quão ela detestou ver a Mariah aqui.
Mariah: Quem é ela? — a mesma me pergunta arqueando a sobrancelha.
Mônica: Minha colega, trabalhamos juntas. — falo e ela confirma. — não esquece que não estamos em um relacionamento. — digo e ela sorri entrando no carro e eu entro ao lado.
Mariah: Ainda não, amorzinho, ainda não! — ela fala e eu apenas sorrio e concordo.
Fomos em direção à cafeteria e assim que chegamos, nós fizemos o pedido e começamos a conversar, Mariah é uma mulher incrível, ela demonstra interesse e carinho o tempo todo, mas sinto como se a mesma estivesse sempre no mundo da lua, como se ela quisesse me falar algo, mas não tem coragem para isso. Afasto esses pensamentos e procuro curtir a companhia dela, estava distraída quando o meu celular apitou e eu peguei vendo ser uma mensagem da Ananda.
Mensagem on...
Ananda: É por isso que não se interessa em sair com nós?
Mônica: Não é só isso, mas como eu já havia falado, vocês não fazem o meu estilo, para de tocar nesse assunto, não quero ter que pedir outra paramédica para atuar comigo. — respondo grossa, pois já estou ficando cansada dessa insistência, a mesma só visualiza e sai da conversa.
Mensagem off...
Mariah: Está tudo bem? — ela pergunta e eu confirmo e os nossos pedidos chegam, sorrio para ela e voltamos a conversar enquanto comemos.