Mônica narrando...
Confusa, eu estou extremamente confusa, às coisas com a Mariah são incríveis, mas o medo de um relacionamento ainda me assombra, principalmente depois que eu me relacionei com a Flávia e ela me traiu, eu passei a desconfiar das pessoas e a evitar ter relacionamentos... Mas às coisas com a Mariah são diferentes, eu não consigo explicar... O nosso jantar foi incrível, mesmo com a mensagem chata de Ananda, eu consegui aproveitar o jantar ao máximo que pude...
Bom, eu ainda sinto que a Mariah me esconde algo e eu só queria saber o que é, e acredito que essa noite ela irá se abrir comigo e fazer o pedido, já que ela falou que ia me levar para jantar em um lugar chique e eu estou muito nervosa com isso! Eu deveria seguir os conselhos que dou para a Estella, que ela deve seguir a vida e se permitir...
O dia foi de pura correria, Ananda jogou algumas indiretas e eu ignorei todas, mas tô pensando seriamente em pedir a transferência dela, ela vem me deixando sem jeito já, com tanta persistência, eu já falei e não aguento mais repetir que eu não quero, e mesmo ela sabendo que estou saindo com a Mariah ela insiste em me dar algumas cantadas, assim como o Micael.
Esse era o último chamado, e eu já estava agradecendo mentalmente por isso, pois se eu ficasse mais um segundo com a Ananda, acho que eu surtaria, passamos no hospital, mas estávamos um pouco atrás da Viatura, quando ela imbicou para o Morro eu fiquei surpresa, mas imbiquei logo atrás.
Ananda: Perderam o juízo? Estão querendo morrer, só pode! — ela fala e eu olho para ela arqueando a sobrancelha
Mônica: Estão tentando ajudar as pessoas! — digo seria e logo estaciono a ambulância.
Foi uma correria, mas deu tudo certo e a moça foi para o hospital daqui com o manda chuva, bom, pelo menos eu acho que ele é o manda chuva, já que chamaram ele de patrão, enfim, estávamos saindo do Morro quando eu tive a impressão que enxerguei a Mariah se aproximando, mas quando olhei de novo, a pessoa estava de costas e não dava para ver o rosto, fiquei um pouco encucada com isso, mas não falei nada.
Ananda: Que cara babaca, eu só espero que a moça fique bem.
Mônica: E no fundo eles tem razão, alguns hospitais fazem diferença.
Ananda: Também né. — ela diz cheia de preconceito e o meu sangue ferveu. — Será que tem um hospital com recursos nessa favela?
Mônica: Para uma sapatona, você é bem preconceituosa, não acha?
Ananda: Eu não sou sapatona. — ela diz e eu dou risada.
Mônica: Ah, certo, você é Bi, né, desculpe. — falo revirando os olhos e assim que chegamos no quartel, já fui trocando de roupa.
Saí encontrando com a Estella que deu um leve sorriso para mim e eu abracei a mesma, fomos para a casa e no caminho eu observei a mesma um pouco tensa, conversamos sobre coisas aleatórias até chegarmos em casa... Assim que adentramos ela já se adiantou indo para o banho e eu fiquei desacreditada com a mesma.
Mônica: Quanta humildade, viu! — brinco com ela que gargalha. — Vou lembrar disso, você sabe que eu vou sair e nem para deixar eu tomar banho.
Estella: Deixa de ser cínica! Você só vai sair a noite, pode tomar o seu banho e ficar relaxando até bater o horário de sair, se quiser até tirar um cochilo pode.
Mônica: É, tem razão, vou te desculpar, pois está certa.
Fiquei ali esperando ela sair do banho e o meu celular apitou, eu já revirei os olhos torcendo para que não fosse a Ananda, o meu sorriso se alargou quando eu vi que era a Mariah perguntando se estava tudo certo para o jantar, eu respondi que sim, e acabei me assustando com a Estella, já que nem vi a mesma sair do banheiro.
Estella: Quando está falando com ela, fica com um sorriso b***a na cara, chega a ser fofo de ver.
Mônica: i****a! Deixa eu ir para o meu banho. — digo pegando a toalha e um vestido soltinho, por enquanto vou ficar confortável, depois me arrumo perto do horário de sair.
Quando sai do banho a Estella estava na cozinha preparando algo para comer, mas era notório que os pensamentos da mesma estavam longe, eu achei que era a falta do Guilherme, mas analisando ela melhora, é como se algo a incomodasse ou a intrigasse. Me aproximei dela e tive a sua atenção, ela deu um leve sorriso e eu arqueei a sobrancelha.
Estella: O que foi? — ela pergunta me encarando.
Mônica: O que foi? Eu que pergunto isso! Você está com um olhar distante, tem algo incomodando você?
Estella: Está tão na cara assim? — ela pergunta e eu confirmo. — O cara da Favela... — ela diz e eu olho com mais atenção para ela. — Eu não sei, ele ficou me encarando, sustentando o meu olhar, algo nele, eu não sei explicar, só fiquei bastante intrigada com ele.
Mônica: Deus, ela vai se envolver logo com um Dono de Favela. — digo brincando e rindo.
Estella: Para de palhaçada! — ela fala fazendo careta.
Mônica: Quem ficou intrigada e não para de pensar no cara é você. — mostro a língua para ela que revira os olhos. — Vou me arrumar, a Mariah já deve estar chegando.
Vou em direção ao meu quarto e opto pelo vestido preto de um ombro só, ele tem uma a******a na perna e um detalhe prateado perto do lado, ele marca bem às curvas do meu corpo e sempre que eu uso ele, eu me sinto um mulherão... Optei por um salto e uma bolsa de mão, peguei todas às minhas coisas e fui em direção à sala de novo, o olhar de Estella veio até mim e ela abriu um sorriso.
Estella: Deus, se eu fosse lésbica eu te pegava muito! — ela fala me fazendo rir. — Você está maravilhosa amiga, Mariah vai infartar.
Mônica: Deixa de ser b***a! — digo para ela e tomo um gole de água, retoco o gloss e logo escuto o meu celular apitar, pego vendo ser mensagem da Mariah, a mesma está avisando que chegou, me dá um leve nervoso e eu sorrio. — Ela chegou.
Estella: Bom jantar para vocês duas, aproveita e vive o momento. — ela diz e eu serro os olhos para ela. — nem vem! — ela já se adianta e eu apenas dou uma risada saindo de dentro de casa, vejo a mesma com o carro estacionado do outro lado da rua e vou até ela dando um selinho na mesma.
Mariah: Nossa, você está linda demais! — ela diz com um sorriso no rosto e eu observo ela que está com uma calça pantalona e um cropped, o que deixa ela linda demais.
Mônica: Você também está linda. — digo e ela sorri, entramos no carro e ela respira fundo.
Mariah: Eu tinha reservado um restaurante chique para nós irmos hoje, mas houve mudança nos planos, vou te levar para jantar em outro lugar e depois para ver uma vista incrível.
Mônica: Tudo bem, eu confio em você. — digo sorrindo e ela sai com o carro dali...
O caminho não era tão estranho para mim, mas eu não questionei e deixei ela guiar, estávamos escutando música baixinho e conversando sobre os nossos dias, eu reconheci o lugar, era a favela que viemos mais cedo, quando eu ia falar com ela sobre o incêndio na favela, ela entrou na mesma e eu olhei para ela sem entender.
Ela continuou subindo e eu confesso que estava um pouco nervosa, ela estacionou o carro e descemos em um restaurante muito bonito e aconchegante, assim que entramos, todos os olhares se voltaram para ela e eu confesso que fiquei um pouco nervosa, principalmente pela roupa que eu estou vestindo, eu engoli seco e sentei com ela na mesa que uma menina nos guiou.