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1608 Words
Zahara Bianchi Cheguei ao meu apartamento com um misto de emoções. Mesmo induzida à isso, contar o que aconteceu para o senhor Jean, me acalmou, sei lá como explicar, mesmo não sendo nada, eu me senti protegida depois de contar. Doido, não é? E não me senti tão ameaçada pela presença daquele homem. O que não deveria acontecer. Se o que eu sei sobre ele é realmente verdade. Não é uma pessoa com a qual eu devo me dar ao luxo de baixar a minha guarda, mesmo que o senhor Jean confie nele ao ponto de o tratar como se fosse filho dele. Tudo isso está ainda muito estranho para mim. Enfim, entro e vou para o meu quarto. Meu corpo está doendo horrores por não ter dormido na minha cama. Vou até ao closet e deixo lá a minha bolsa, tiro o meu pijama e vou ao meu banheiro tomar um banho e tirar o cheiro daquele homem de mim. O perfumista dele deve ser muito bom, para que o mínimo contato que tivemos, o cheiro dele impregnasse em mim desse jeito. Ao menos é um cheiro bom, mas eu não faço questão de ter ele nem na minha cabeça e nem me enfastiando com o seu cheiro. Coloco as peças na máquina de lavar directo, e prossigo com toda a minha higiene e cuidados com a pele. Visto o meu pijama e entro no meu quarto. Enchi a barriga, então estou relaxada e sem fome agora, mas um sorvetinho nunca cai m*l. Me sento na minha cama após tirar o meu potinho de sorvete no frigobar e coloco a série que estava assistindo ontem. Não preciso dizer que não durou muito tempo até eu adormecer. Despertei com o meu interfone tocando sem parar, para o meu total mau-humor. — Nem na minha própria casa eu posso descansar mais... — resmungo, levantando-me na força do ódio. — Senhorita Zahara! — o senhor diz. — Sim? — respondo. — Bem... tem duas pessoas insistindo em... — duas? — Você não colocou nem o nome do seu irmão na portaria? Que absurdo é esse de me fazer aguardar... — Kaleb. Ele disse duas pessoas... — Nenhum deles informou-me de suas vindas, portanto chame a segurança e os retire — desde quando eles vêm para o meu prédio. Quanta importunação. — Senhorita, o seu pai ordenou-me para entrar em contato consigo, ele deseja vê-la, mas a senhorita não atendeu ao celular — oh, e a assistente dele. — Por favor, faça o que eu pedi — falo para o zelador. — Autorize a minha passagem imediatamente, quem acha que é para impedir-me de passar? — Kaleb, importunando a vida dos outros. Ele costumava ser zero vírgula um por cento menos insuportável que o Jordan. O que aconteceu para o fazer esperar na entrada do meu prédio com a assistente do meu pai? Os repórteres já fizeram o seu estrago? Foram rápidos. — Sabe quem eu sou? — ele está importunando às pessoas. — Eu lamento, mas se não se retirar daqui, além dos seguranças seremos obrigados a acionar a polícia. Essas são as regras desse edifício — e foi por isso que eu moro aqui. — Obrigada senhor, adeus! — falo e desligo o interfone. — Era só o que me faltava... — murmuro, indignada, pegando no pote sem mais sorvete aqui e vou para a cozinha deitar. Volto para o quarto agora curiosa com o que fez até o meu irmão vir para cá aprender que a autoridade dele não tem mais influência aqui. Abro o meu celular e tem chamadas de todos aqui, menos do meu pai. Os seus subordinados é que vieram a busca. — ... — sorrio, indignada, vendo isso. Todo esse alvoroço por que eu fiquei do lado certo de um caso. "Cunhada, mas que insanidade... Quem é o homem do seu lado?" Homem? Droga... Entro no site e eu não sei exatamente o por quê, mas fiquei em choque com o que vi. Mais do que falarem da minha presença ao lado da Bonheur e da minha suposta contribuição contra o caso da construtora, surgiram especulações completamente fora de sério. — Como ousam? — estou indignada. Romance secreto com herdeiro de fortuna bilionária, Lorenzo Ferri. Romance secreto, tsk... O facto das pessoas serem tão criativas as vezes, me irrita. As fotos e os ângulos com que tiraram fazem parecer o que não foi. Para um herdeiro da máfia, o nome dele está bem público por aí, mas como ele tem aparentemente, uma ficha limpa... não deve o causar dano algum. Ligo imediatamente para senhora Kim. — Senhora Kim! — exclamo, a saudando, atordoada. — Senhorita Zahara, eu estava aguardando a sua ligação. Gostaria de me inteirar no seu estado dessa vez? — ela me conhece, não é mesmo? — Eu estou bem, e visto que começou, suponho que a senhora também — digo. — Tem como informar a RP para retirar essas reportagens ridículas da internet? — peço. — Eu estava torcendo para que fosse verdade, esse homem parece ser mais do que um sonho de consumo — valha-me. — Não é, felizmente. Pode por favor fazer isso? — peço. — Eu já estava em contato com ela, o seu pai já tomou providências com a equipe pessoal dele — diz, e eu suspiro atônita. Eu não diria que raramente saio em polêmicas, mas desse tipo..., raramente. — Pode me contar quem é ele? — pergunta, e eu suspiro, deixando de ver essas coisas e ignorando as mensagens das mulheres dos meus irmãos, deles e da assistente e ainda daquele delator do Romeo. — Não há nada que falar, obrigada por tudo e beijo! — me despeço. — Tudo bem, até depois! — despede e eu desligo, e me deito suspirando. — Mais do que um sonho de consumo... a senhora Kim, anda que anda, hein — falo, sorrindo mesmo sem querer. Com que então o meu pai estava planejando me arrastar daqui para me escorraçar lá na casa dele. Ele devia ter aparecido desse jeito? Provavelmente, não... Mas, não é culpa minha. Portanto, não é de meu interesse. Mesmo sem querer o meu sono se foi, portanto, sem muita alternativa, fiquei trabalhando aqui na cama. Hora de jantar e como comi de forma saudável no almoço, eu decidi preparar qualquer snack que tinha na minha despensa, comi, voltei para o quarto e adormeci. Despertei com o meu alarme tocando, bem mais descansada e bem mais confortável dessa vez. — ... — suspiro, abrindo para ver os meus e-mails. Jantar de negócios com o meu pai. — Ain... que saco! — suspiro, me espreguiçando. Isso não vai ser nada bom. Me levanto e vou para o banheiro fazer a min man higiene o**l, quando a notificação que eu estava aguardando entra. Número de um detetive. Coloco o meu set de ginástica e vou até ao meu ginásio me exercitar um pouquinho. — Bom dia! — a voz do detetive soa e eu sorrio, me sentando na esteira. Vamos ao que realmente me interessa. — Então, quer que eu descubra o contacto deles? — pergunta. — O contacto, o lugar em que ficam e eu quero fotos dos rostos de todos eles — pontuo. — Isso será perigoso — menciona, enquanto eu me estico. — Dinheiro não é problema, eu o contactei por que disseram que consegue. Ou não consegue? — indago. — Terá o que deseja em três dias — muito tempo. — Dois, se conseguir em menos tempo eu pago o dobro — falo. — A sua disposição, senhorita! — diz e eu sorrio, desligando o celular. Depois descobriremos quem foi o mandante e eu lidarei com ele. Estava na esteira, observando o movimento lá fora pelo vidro, quando ouço a campainha. — Tão cedo? — me questiono, parando a esteira e saindo do ginásio para ver as imagens do monitor. — Pois não? — falo vendo o zelador aqui. — Bom dia, senhorita! Trouxe uma encomenda para si — diz, e eu não me lembro de ter encomendado nada. — Estou vindo — falo, e vou até a porta, buscando me recordar do que se trata. Abro à porta. — Bom dia! — eu falo vendo umas sacolas que eu conheço muito bem. — Bom dia! Aqui está — diz e eu pego. — O remetente foi o seu assistente Romeo — eu já desconfiava. — Muito obrigada! — agradeço. — A sua disposição! — diz e se retira, enquanto eu entro. Pouso as coisas na bancada, e é precisamente o que eu gosto de comer, pastéis de nata, croissants, chocolate quente... E veio com uma carta, por que isso não é cartão. — Vamos ver... — balbucio abrindo. — Minha amada e querida chefe... — que bajulador r**m. — Me perdoe pela minha quebra de confiança e de confidencialidade ontem. Mas, eu tive medo que se fizesse isso sozinha, se machucasse — valha... — Eu não faria isso com mais ninguém que não fosse de sua total confiança, como o senhor Jean. Me perdoe e por favor, repense a minha demissão. Por favor, se alimente bem! — foi o melhor que ele conseguiu fazer? — Ao menos me trouxe café da manhã... — falo, deixando a carta de lado e indo ao banheiro tomar um banho, para curtir as delícias que estão na minha cozinha. Tomo o meu banho, arrumo o meu quarto, engomo e organizo as minhas roupas já secas, o meu robô de limpeza já estava funcionando e eu só tive que organizar o resto, antes de me sentar na bancada com o meu laptop e o meu pequeno-almoço.
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