Zahara Bianchi
Cheguei ao meu apartamento com um misto de emoções.
Mesmo induzida à isso, contar o que aconteceu para o senhor Jean, me acalmou, sei lá como explicar, mesmo não sendo nada, eu me senti protegida depois de contar.
Doido, não é?
E não me senti tão ameaçada pela presença daquele homem.
O que não deveria acontecer. Se o que eu sei sobre ele é realmente verdade.
Não é uma pessoa com a qual eu devo me dar ao luxo de baixar a minha guarda, mesmo que o senhor Jean confie nele ao ponto de o tratar como se fosse filho dele.
Tudo isso está ainda muito estranho para mim.
Enfim, entro e vou para o meu quarto.
Meu corpo está doendo horrores por não ter dormido na minha cama.
Vou até ao closet e deixo lá a minha bolsa, tiro o meu pijama e vou ao meu banheiro tomar um banho e tirar o cheiro daquele homem de mim.
O perfumista dele deve ser muito bom, para que o mínimo contato que tivemos, o cheiro dele impregnasse em mim desse jeito.
Ao menos é um cheiro bom, mas eu não faço questão de ter ele nem na minha cabeça e nem me enfastiando com o seu cheiro.
Coloco as peças na máquina de lavar directo, e prossigo com toda a minha higiene e cuidados com a pele.
Visto o meu pijama e entro no meu quarto.
Enchi a barriga, então estou relaxada e sem fome agora, mas um sorvetinho nunca cai m*l.
Me sento na minha cama após tirar o meu potinho de sorvete no frigobar e coloco a série que estava assistindo ontem.
Não preciso dizer que não durou muito tempo até eu adormecer.
Despertei com o meu interfone tocando sem parar, para o meu total mau-humor.
— Nem na minha própria casa eu posso descansar mais... — resmungo, levantando-me na força do ódio.
— Senhorita Zahara! — o senhor diz.
— Sim? — respondo.
— Bem... tem duas pessoas insistindo em... — duas?
— Você não colocou nem o nome do seu irmão na portaria? Que absurdo é esse de me fazer aguardar... — Kaleb.
Ele disse duas pessoas...
— Nenhum deles informou-me de suas vindas, portanto chame a segurança e os retire — desde quando eles vêm para o meu prédio.
Quanta importunação.
— Senhorita, o seu pai ordenou-me para entrar em contato consigo, ele deseja vê-la, mas a senhorita não atendeu ao celular — oh, e a assistente dele.
— Por favor, faça o que eu pedi — falo para o zelador.
— Autorize a minha passagem imediatamente, quem acha que é para impedir-me de passar? — Kaleb, importunando a vida dos outros.
Ele costumava ser zero vírgula um por cento menos insuportável que o Jordan.
O que aconteceu para o fazer esperar na entrada do meu prédio com a assistente do meu pai?
Os repórteres já fizeram o seu estrago?
Foram rápidos.
— Sabe quem eu sou? — ele está importunando às pessoas.
— Eu lamento, mas se não se retirar daqui, além dos seguranças seremos obrigados a acionar a polícia. Essas são as regras desse edifício — e foi por isso que eu moro aqui.
— Obrigada senhor, adeus! — falo e desligo o interfone.
— Era só o que me faltava... — murmuro, indignada, pegando no pote sem mais sorvete aqui e vou para a cozinha deitar.
Volto para o quarto agora curiosa com o que fez até o meu irmão vir para cá aprender que a autoridade dele não tem mais influência aqui.
Abro o meu celular e tem chamadas de todos aqui, menos do meu pai.
Os seus subordinados é que vieram a busca.
— ... — sorrio, indignada, vendo isso.
Todo esse alvoroço por que eu fiquei do lado certo de um caso.
"Cunhada, mas que insanidade... Quem é o homem do seu lado?"
Homem?
Droga...
Entro no site e eu não sei exatamente o por quê, mas fiquei em choque com o que vi.
Mais do que falarem da minha presença ao lado da Bonheur e da minha suposta contribuição contra o caso da construtora, surgiram especulações completamente fora de sério.
— Como ousam? — estou indignada.
Romance secreto com herdeiro de fortuna bilionária, Lorenzo Ferri.
Romance secreto, tsk...
O facto das pessoas serem tão criativas as vezes, me irrita.
As fotos e os ângulos com que tiraram fazem parecer o que não foi.
Para um herdeiro da máfia, o nome dele está bem público por aí, mas como ele tem aparentemente, uma ficha limpa... não deve o causar dano algum.
Ligo imediatamente para senhora Kim.
— Senhora Kim! — exclamo, a saudando, atordoada.
— Senhorita Zahara, eu estava aguardando a sua ligação. Gostaria de me inteirar no seu estado dessa vez? — ela me conhece, não é mesmo?
— Eu estou bem, e visto que começou, suponho que a senhora também — digo. — Tem como informar a RP para retirar essas reportagens ridículas da internet? — peço.
— Eu estava torcendo para que fosse verdade, esse homem parece ser mais do que um sonho de consumo — valha-me.
— Não é, felizmente. Pode por favor fazer isso? — peço.
— Eu já estava em contato com ela, o seu pai já tomou providências com a equipe pessoal dele — diz, e eu suspiro atônita.
Eu não diria que raramente saio em polêmicas, mas desse tipo..., raramente.
— Pode me contar quem é ele? — pergunta, e eu suspiro, deixando de ver essas coisas e ignorando as mensagens das mulheres dos meus irmãos, deles e da assistente e ainda daquele delator do Romeo.
— Não há nada que falar, obrigada por tudo e beijo! — me despeço.
— Tudo bem, até depois! — despede e eu desligo, e me deito suspirando.
— Mais do que um sonho de consumo... a senhora Kim, anda que anda, hein — falo, sorrindo mesmo sem querer.
Com que então o meu pai estava planejando me arrastar daqui para me escorraçar lá na casa dele.
Ele devia ter aparecido desse jeito?
Provavelmente, não...
Mas, não é culpa minha. Portanto, não é de meu interesse.
Mesmo sem querer o meu sono se foi, portanto, sem muita alternativa, fiquei trabalhando aqui na cama.
Hora de jantar e como comi de forma saudável no almoço, eu decidi preparar qualquer snack que tinha na minha despensa, comi, voltei para o quarto e adormeci.
Despertei com o meu alarme tocando, bem mais descansada e bem mais confortável dessa vez.
— ... — suspiro, abrindo para ver os meus e-mails.
Jantar de negócios com o meu pai.
— Ain... que saco! — suspiro, me espreguiçando.
Isso não vai ser nada bom.
Me levanto e vou para o banheiro fazer a min man higiene o**l, quando a notificação que eu estava aguardando entra.
Número de um detetive.
Coloco o meu set de ginástica e vou até ao meu ginásio me exercitar um pouquinho.
— Bom dia! — a voz do detetive soa e eu sorrio, me sentando na esteira.
Vamos ao que realmente me interessa.
— Então, quer que eu descubra o contacto deles? — pergunta.
— O contacto, o lugar em que ficam e eu quero fotos dos rostos de todos eles — pontuo.
— Isso será perigoso — menciona, enquanto eu me estico.
— Dinheiro não é problema, eu o contactei por que disseram que consegue. Ou não consegue? — indago.
— Terá o que deseja em três dias — muito tempo.
— Dois, se conseguir em menos tempo eu pago o dobro — falo.
— A sua disposição, senhorita! — diz e eu sorrio, desligando o celular.
Depois descobriremos quem foi o mandante e eu lidarei com ele.
Estava na esteira, observando o movimento lá fora pelo vidro, quando ouço a campainha.
— Tão cedo? — me questiono, parando a esteira e saindo do ginásio para ver as imagens do monitor.
— Pois não? — falo vendo o zelador aqui.
— Bom dia, senhorita! Trouxe uma encomenda para si — diz, e eu não me lembro de ter encomendado nada.
— Estou vindo — falo, e vou até a porta, buscando me recordar do que se trata.
Abro à porta.
— Bom dia! — eu falo vendo umas sacolas que eu conheço muito bem.
— Bom dia! Aqui está — diz e eu pego. — O remetente foi o seu assistente Romeo — eu já desconfiava.
— Muito obrigada! — agradeço.
— A sua disposição! — diz e se retira, enquanto eu entro.
Pouso as coisas na bancada, e é precisamente o que eu gosto de comer, pastéis de nata, croissants, chocolate quente...
E veio com uma carta, por que isso não é cartão.
— Vamos ver... — balbucio abrindo.
— Minha amada e querida chefe... — que bajulador r**m.
— Me perdoe pela minha quebra de confiança e de confidencialidade ontem. Mas, eu tive medo que se fizesse isso sozinha, se machucasse — valha...
— Eu não faria isso com mais ninguém que não fosse de sua total confiança, como o senhor Jean. Me perdoe e por favor, repense a minha demissão. Por favor, se alimente bem! — foi o melhor que ele conseguiu fazer?
— Ao menos me trouxe café da manhã... — falo, deixando a carta de lado e indo ao banheiro tomar um banho, para curtir as delícias que estão na minha cozinha.
Tomo o meu banho, arrumo o meu quarto, engomo e organizo as minhas roupas já secas, o meu robô de limpeza já estava funcionando e eu só tive que organizar o resto, antes de me sentar na bancada com o meu laptop e o meu pequeno-almoço.