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561 Words
Jean Woods O ser humano é estranho, e as relações entre si também. Quem diria que alguma vez, eu fosse alimentar esse sentimento fraternal, para com a filha caçula da pior pessoa possível? Ninguém. Porém, é estranhamente natural. Eu conheci a mãe da Zahara antes de a conhecer, era uma mulher irreverente, de coração nobre e personalidade alegre para ser esposa daquele homem imundo. Uma coisa que jamais pude entender, foi como os dois realmente se encontraram ao ponto de casar, a mãe da Zahara, era igualmente de boa família e uma mulher de sucesso no mesmo ramo que a filha decidiu seguir. Essa incógnita permanece até agora, especialmente pelo facto de depois dela me ter procurado — inesperadamente — para obter o divórcio, pouco tempo depois, a notícia de que ela veio a falecer apareceu. E não demorou muito para que aquele imundo aparecesse casado e subitamente, com dois filhos, ironicamente, mais velhos que a Zahara. Um monte de informações que geram suspeitas claras, como traição. Mas mais do que essa, mas eu nunca consegui uma resposta para isso e me tem atormentado desde aquela época. A Zahara era uma pré-adolescente, e eu só soube dela, nos seus anos finais da universidade quando se aproximou da minha filha. Ficaram tão próximas, que já não tinha como não ver uma e não ver a outra. E desde então, mesmo antes dela ter começado a estagiar na minha antiga firma de advocacia, a sua personalidade, a sua forma de ser não permitia que a minha memória a associasse directamente com o pai. Ela tem a personalidade da mãe, extremamente agradável para quem convive perto de si. Não tem como qualquer velho como eu não me preocupar instintivamente com alguém da idade da minha filha. Uma menina claramente sensível, porém lapidada e moldada para esconder tamanha sensibilidade. Principalmente depois da incógnita de sua mãe, a estranha sensação de dever de p******o dessa garota tomou conta, mesmo eu não podendo fazer nada, para além de ser talvez um porto seguro, e ajudá-la com o que precisar. Factor complicado, sendo que aquele i*****l obviamente a cerca, usando-a como bem entende para os seus caprichos. Como puderam ver, ela tem personalidade e psicológico forte, não é facilmente manipulável. Mas se machuca e esconde de tudo e de todos. Antes ela tinha a minha filha e a minha filha a ele e eu era só um colateral, porém, tanto ela como eu ficamos sem ela, e eu acho ótimo que ela continuou confiando em mim, para falar quando precisava. Por isso, o que acabou de acontecer me deixou atormentado. Eu sei que a chegada do Lorenzo não foi do agrado dela, ele é realmente irreverente e é alguém cuja ajuda eu não tenho como recusar. Mas eu tentarei os aproximar o suficiente com o tempo. — O senhor vai me ajudar mesmo, não é? — o Romeo, que foi demitido por ser um bom funcionário pergunta. — Claro, agora comam — falo, buscando um contacto no celular. A tatuagem que eu vi, é similar a que eu vi no hospital onde a minha filha esteve internada. Eu detesto revirar isso, mas o aparecimento dela, com certeza, acabou com o meu dia. Ela terá seguranças por uma semana, mesmo não querendo, enquanto eu volto a investigar isso. Não posso permitir que outra tragédia aconteça diante dos meus olhos.
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