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1705 Words
Zahara Bianchi Obviamente, cheguei antes deles. O que não foi problema algum. É um restaurante que eu venho muito com o senhor Jean, e ia também com a filha dele, ela, infelizmente, não está mais entre nós. O estabelecimento é de um amigo dele de infância, que é tão impressionante e bem acolhedor como ele. Não é nenhum cinco estrelas, mas você sai dele como se ele fosse. Sem pessoas esnobes conhecidas, sem pessoas querendo se intrometer na vida alheia, apenas boa comida e boa conversa. É estranho como comer aqui, ou qualquer lugar com eles é melhor do que jantar na minha própria casa com o meu pai. Enfim, chegaram todos, inclusive o metido do herdeiro da máfia metido. Ele é um quebra-cabeças na minha cabeça. Sabem que ele é herdeiro da máfia, ser parte de uma já é sinônimo de tudo negativo, mas ninguém faz nada. É como se ignorassem esse rumor. Na internet, obviamente, falam que a fortuna da sua família é geracional e obtida por vários meios lícitos. Óbvio que não. Mas não tenho como provar nada, e suponho que nem os serviços de inteligência. Eu não gosto quando alguém que claramente tem mais poder do que devia, me ameaça, ou se sente na minha frente numa mesa dessas. Era só o que me faltava... Ele está se divertindo com isso, e parece que as minhas custas. Irritante. — Esperamos que não tenha problemas por nossa causa, senhorita. Nós vimos os repórteres — o senhor Jonas diz para mim, assim que começam a deixar a nossa comida aqui e eu o ofereço um sorriso. — Não é nada com que eu já não esteja acostumada, não se preocupe — falo e ele assente, quando sinto o olhar do senhor Jean em mim. — A sua ajuda foi essencial para esse caso, obrigado! — ele finalmente se dirige à mim. E eu estou confusa com o facto dele estar zangadinho comigo, porque sou eu quem estou. — Não foi nada — respondo. — Obrigada! — agradeço pela minha comida. — Para onde tinha ido mais cedo? — Miguel pergunta. — Trabalho — respondo, e ele assente. — Estávamos vendo as novas amostras do próximo lançamento — Romeo explica, enquanto eu me limito em comer. — Oh! A minha filha e a minha mulher adoram os seus produtos — o senhor Jonas comenta, e a mulher assente, me deixando genuinamente feliz. — É mesmo? — pergunto, e ela sorri. — Tanto que o meu marido poupou para me dar como presente do no aniversário do nosso casamento — a esposa conta. — Eu fico muito feliz! — falo. — Eu mando outros kits para você experimentar. — Oh! Muito obrigada! — diz, animada e eu sorrio, voltando a comer. — Senhor Lorenzo Ferri, podia passar a fazer os seus perfumes connosco — esse homem me dá v****************a coçada nele às vezes... Ele está venerando esse homem desde que o viu e ousa oferecer os serviços da minha empresa, sem o meu consentimento para esse ser. — O meu perfumista já está encarregado disso — ele fala bem demais a nossa língua, até ser sarcástico sabe. O meu perfumista já está encarregado disso... Quem ele acha que é? Sinto o meu celular começar a vibrar, e eu tiro ele da bolsa achando que era algo relacionado ao trabalho, mas não... Assistente do meu pai. É óbvio que não atendi, já sei do que se trata. Eles foram rápidos dessa vez. O Kaleb e o Jordan já me mandaram mensagens, humn... Que bons filhos eles são. Desligo o vibrador, já que, infelizmente, não posso desligar o celular. Viro a tela para baixo na mesa, e sinto o olhar dele em mim. Como eu posso manter a calma desse jeito? Ele não se dirige a mim, portanto, eu continuo comendo e interagindo com o restante deles. Eu preciso descansar. Eu estava planejando sair, mas os convidados decidiram ir primeiro. — Nós nos mudamos para o interior e o caminho até lá é longo... — justificam. — Cheguem bem! — nos despedimos. — Muito obrigado! Adeus! — eles se foram com o amigo taxista do senhor Jean dessa área. — Zahara, posso trazer mais vinho? — o dono do está estabelecimento me pergunta, e valha... — Não, muito obrigada! — falo e ele assente voltando para a cozinha. — Bem, eu tenho coisas por fazer. Tchau! — falo, pegando na minha bolsa. — Nós temos que conversar — o senhor Jean fala, e eu suspiro. — Eu... — me corta. — Sente-se — quem ele acha que é? Bem, eu me sentei de volta. — O que aconteceu? — ele me pergunta e os olhos dos quatro — senhor Jean, o Miguel e o Romeo e do... Lorenzo Ferri —, fixam em mim. — O que está tentando fazer? — indago, frustrada. Ele está me perguntando isso na frente desse ser. — Eu quero apenas que me conte o que aconteceu? Como se feriu? — pergunta, olhando para os meus pulsos e eu suspiro fundo. — Não aconteceu nada... — Ela sofreu um ataque de uma gangue muito perigosa no estacionamento da empresa antes de ontem, senhor — mas que coisa, Romeo. Meu olhar indignado vai até os dele, que mesmo com medo, me delatou sem pensar duas vezes. — Me perdoe, senhorita... — ele diz, e eu suspiro fundo. — O que quer dizer com ataque e de que gangue estamos falando? — questiona, e eu quero apertar o pescoço desse i****a, que só agora ficou com medo de falar. — Zahara — ele diz num misto de preocupação e insistência. — Isso não tem nada a ver com nenhum de vocês. Não quero que se intrometam nas minhas coisas... — fala sério. — Eu só estou contando por que o senhor é o único capaz de evitar que que a senhorita Zahara de se expor ainda mais ao perigo — esse Romeo. — Ela quer procurar sozinha essa gangue, nós descobrimos quem eram por conta da tatuagem de um deles — ele conta e eu estou chocada com o delator que anda perto de mim. — Está bem? — o Miguel pergunta, e eu nem consigo responder. — Como esse ataque aconteceu? — valha-me. Me levanto, pegando as minhas coisas. Quanta exposição desnecessária. — Vai sair por aquela porta e estará ainda mais vulnerável — a voz dele finalmente soa. — E quem é você para assumir qualquer coisa? — indago, o encarando, e a sua face é impassível, mas com a feição de quem sabe de tudo. — Você anda sem seguranças, desconfia que o ataque foi interno por isso não mencionou o ocorrido para ninguém, nem para a polícia — ele continua falando como se nada fosse, e pior, é que parece que ele me analisa sem dificuldade alguma e eu não gosto disso. Não gosto de todo... — Ia contar para o senhor Jean, mas o seu orgulho não permitiu — me chamou de orgulhosa?! — Porém, não conseguiu e não conseguirá resolver essa questão sozinha, senão já o teria feito — pontua e a minha garganta está entalada. Seu olhar, sua feição, sua postura, mostra que ele não fez esforço alguma para analisar isso e muito provavelmente não se importa. Como? E por que ele é tão certeiro? E por que eu acho que ele pode mesmo ajudar com isso? — Me conte o que aconteceu — a voz fraternal do senhor Jean soa, e o meu coração falha. — Zahara... — insiste, e eu suspiro. — Não me preocupe mais, por favor, sente-se — eu reluto, mas me sento. Suspiro, passando o meu cabelo para o lado. Eu estou com um turbilhão de emoções agora e desgosto de qualquer uma delas. Conto. — Podia ter morrido... — o Miguel comenta chocado, e é um exagerado como o i****a do Romeo. — Eles tiveram tempo o suficiente para a m***r. Não é o objetivo deles — exacto. Por que ele pensa do mesmo jeito que eu? — Eles não queriam dinheiro dela também, podiam ter levado a bolsa dela ali, eles não são assaltantes — Romeo fala como se ainda tivesse autorização para falar. Oh, ele vai se ver comigo. — O senhor deve entender bem disso, já que é um consigli... como se diz? O senhor analisa rápido tudo... O que acha que eles queriam? — Miguel questiona. Eles andam mesmo fascinados por esse herdeiro de mafioso, consiglieri italiano, que seja... — Provavelmente um susto ou coerção — afirma, com os olhos em mim e eu mantenho os meus nele. Ele pesquisou muito sobre mim ou tem um dom assustador de ler situações de forma tão... — Deve contratar seguranças imediatamente — diz o senhor Jean e eu suspiro. — Eu não estou com medo — respondo, e ele me olha insistentemente. — Trata-se da sua p******o e não do quão assustada você está. Pare de ser teimosa — rebate e eu suspiro. — Por que está me chamando de teimosa? — pergunto, indignada. — Por que a senhorita... é — ai, que raiva desse garoto. — Eu tenho um motivo para não andar com seguranças. Eu não vou começar agora por que algum desocupado quis me assustar — falo. Isso seria expor e dar todas as minhas cartas para alimentar o ego de quem quer me derrubar. E eu não concederei isso. — E qual é o seu plano? Se deixar ser morta? A vida é tão irrelevante assim para você, Zahara? — a preocupação zangada dele me deixa estranhamente feliz. Era assim que o meu pai devia se comportar também ou o senhor Jean é uma exceção? — Eu não vim para cá para debater a minha vida e tampouco as minhas escolhas com nenhum de vocês — falo cheia disso. — Eu vou resolver isso do meu jeito — falo, me levantando. Isso já foi demais para quem me tratou daquele jeito. Pego nas minhas coisas e me levanto. — Continuação de um bom dia e você está demitido — falo, saindo. — Mas, mas... Senhorita Zahara! — i****a. Saio minimamente mais calma e entro no meu carro, acelerando para o meu apartamento.
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