Lorenzo Ferri
Lei è matta, una pazza!
A questão é: a loucura dela é uma fraqueza ou um escudo?
Ela está disposta a manter-se completamente vulnerável a esse ataque para não parecer frágil e amedrontada.
O que ela está, por mais que tente esconder.
Impressionante.
— E... ela acabou de me demitir... — o assistente dela fala petrificado.
— O que eu faço? — indaga desesperado.
— O que achou que aconteceria? Atraiçôo a confiança da sua chefe sem hesitar — o Miguel comenta, e o Romeo o encara incrédulo e avermelhado.
Parece mesmo preocupado.
— O que era suposto eu fazer? Deixar ela procurar por uma gangue de assassinos sozinha, sem ninguém ter conhecimento? — questiona. — Eu contei, por que ela sempre confidenciou as coisas dela com o senhor Jean e mais ninguém — diz. — Eu teria permanecido calado se fosse o contrário — justifica.
— Eu acho que devo a seguir e implorar por perdão... — diz, se levantando.
Ele está apavorado, é engraçado.
— Sente-se. Ela não vai falar com você agora — o senhor Jean interfere.
— Então o que eu faço? Ela é boazinha, mas é má também. Ela falou séria demais para não ser verdade. O que eu faço? — pergunta, desesperado.
— Depois eu ajudo você com isso — o senhor Jean diz, e ele suspira se sentando.
— Mas me pareceu que ela também estava chateada com o senhor — parece que ele não possui filtro.
— Ela já não está mais — responde.
— Mostre-me a tatuagem — ele diz e o mesmo retira o celular para mostrar.
— É a tatuagem... — assim que os meus olhos chegam nessa tatuagem, o meu desinteresse some.
Eu matei dois homens com essa tatuagem antes de cá vir.
— Mande isso para mim — ele diz.
Ele não mandaria darem um susto na própria filha.
Então aqueles idiotas usam uma gangue como suas marionetes.
Ótimo saber.
— Me informe imediatamente se algum acidente desse tipo acontecer novamente, imediatamente — diz e ele assente.
— Eu não sei mais se terei acesso à essas informações... — lamenta, enquanto o meu celular toca.
Atendo, e era a minha assistente avisando sobre uma reunião, que obviamente terá de ser on-line.
— Eu preciso ir — falo.
— Claro, você é ocupado e o mantive aqui por muito tempo — Jean diz se levantando.
— Foi um prazer, falamos mais tarde — o despeço.
— Tudo bem! — responde.
— Buena noche, senhore... — isso é engraçado e insultuoso, da parte do Miguel.
— Isso é espanhol, i****a — ouço o Romeo, murmurar.
— Boa noite! — os despeço e saio sem aguardar as suas respostas.
Tedioso isso não está a ser.
Entro no carro e acelero até ao meu apartamento com várias coisas por organizar.
A incógnita que tem uma poker face, mas tem traços de loucura em seu sangue.
A mente dela é complexa demais para quem eu achei que seria óbvia.
Mas passar o dia com ela esclareceu vários pontos.
Ler pessoas é um dos meus vários pontos fortes.
Ela não sabe fingir, no entanto é boa em ser cautelosa, principalmente com a exibição do que sente ou pensa.
Isso descarta a possibilidade de que ela jogasse para dois lados estando do lado do senhor Jean.
Ficou mais do que claro que a afeição é mútua entre os dois.
Mesmo agindo de forma birrenta e teimosa, ficou mais do que explícito o respeito que ela sente por ele e a admiração.
Não parece que não existe traço biológico entre os dois, eles agem como pai e filha.
O que é irônico, sabendo a posição do senhor Jean.
Receio do pai, existe. Mas não é o suficiente para a parar.
Ficou mais do que claro com o atrevimento e a participação que teve num caso contra a empresa daquele cazzo di m***a.
Intrigante.
Veremos se depois de hoje, ela recobra os sensos e finalmente aja como eu espero.
Estava mais do que claro que ela estava com outra coisa na cabeça até agora.