Capo apertou o copo de uísque em sua mão, o olhar fixo em um ponto qualquer, mas a mente vagando por pensamentos mais sombrios. A notícia de que Paola estava colaborando com a polícia soava como uma traição derradeira, mas ele sabia que não devia se surpreender. A Paola que ele conhecia era implacável quando se tratava de proteger a si mesma, e aliar-se com quem antes perseguia suas operações era só mais uma prova do quão longe ela estava disposta a ir para escapar das consequências dos próprios atos. Lembranças nebulosas o atormentaram: ele, um garoto de catorze anos nas ruas do México, franzino e sozinho, sobrevivendo dia após dia. Paola apareceu naquela época como uma espécie de salvação; alguém que lhe ofereceu comida e uma saída. Mas o que parecia ser um gesto de caridade logo revelo

