Capo cruzou os braços, com um olhar duro. Ele encarava Guto, o desafio estampado em seu rosto. — Eu não confio em você, Guto. — Sua voz cortante como uma lâmina. — Mas talvez você devesse contar à sua irmã como ela perdeu a visão. Guto vacilou, desviando o olhar e se sentando pesadamente no sofá. As palavras de Capo o atingiram, e ele parecia buscar coragem para enfrentar aquele momento que evitara durante anos. Ele pegou um copo d’água e bebeu um gole, tentando aliviar o nó em sua garganta. Reina o olhava, a expressão entre a confusão e o medo, como se pressentisse que ouviria algo que mudaria tudo. — Nossa mãe... — Guto começou, a voz baixa e embargada. — Ela bebia muito. Estava sempre com uma garrafa por perto, era difícil ver ela sóbria. Ele fez uma pausa, como se cada palavra pesa

