Estela respirou fundo e puxou Caryta para um abraço firme, sentia muito por tê-la assustado. Sentiu o corpo da nova amiga tremer. Aquilo não era sobre medo do presente, era o peso do passado se movendo por dentro dela, feito vidro estalando por dentro. Caryta havia sofrido — e Estela soube naquele instante que talvez, talvez ela tivesse sofrido ainda mais do que imaginava. Mais do que ela mesma. — Quer água? — Estela perguntou, tentando encontrar algum gesto de cuidado prático. — Não… — Caryta respondeu, a voz abafada no ombro da amiga. — Onde está o Judas? — Nos estábulos. Eu o vi passando por ali há pouco. Caryta assentiu devagar, desfez o abraço com gratidão silenciosa e saiu, os pés leves, mas o coração batendo alto. Estela a observou sumir entre as árvores, respeitando seu tempo

