Capítulo 01
Estados Unidos, Los Angeles. 17hrs57min.
O trabalho estava a mil na empresa U&B Engenharia e Arquitetura, uma das empresas mais influentes no ramo de construção civil do país. Joshua Beauchamp e Noah Urrea são os donos e sempre trabalharam duro para chegar aonde chegaram.
— Alguma pergunta? — Noah cruzou os braços olhando os diretores que estavam ao redor da mesa. Tinha acabado de explicar o próximo projeto que entregariam. — Pelo jeito já está tudo muito bem explicado. Estão liberados e, por favor, senhores, lembrem-se: trabalho em dia e foco! Não me decepcionem. — lembrou.
Todos se levantaram da mesa e ele passou a mão nos cabelos, andando de um lado para outro.
— Cara você está precisando de sexo. — Joshua, seu sócio e melhor amigo disse o estudando e pendurando os pés na mesa de maneira relaxada. — Isso é o que dá sua mulherzinha viver entocada na Espanha, ninguém merece. — rolou os olhos bebericando um sorvo de uísque.
— Você sabe que a Any está trabalhando na Espanha. — Noah retrucou. — Coisa que nós dois deveríamos estar fazendo agora.
— Ah nem vem, hoje nós já trabalhamos demais, você quer virar o que? — disse com humor. — Um zumbi que só vive pra trabalhar? Vamos sair!
— Cara eu estou nervoso, esse prédio ficou pronto hoje, estamos atrasados sabe quantos dias?
— Faltam dois minutos para as seis da tarde. — Joshua olhou no relógio. — Então agora estão completando dois dias. — ele arregalou os olhos azuis. — Nossa, dois dias atrasados, vamos nos esconder. — ironizou, gargalhando em seguida. — Ah Noah, você está muito mal... Vamos sair, eu vou chamar o pessoal.
— Tudo bem... — disse vencido e viu o amigo se levantar. — E leva a b***a junto.
— Sempre... — Beauchamp deu um tapinha na própria b***a, rindo.
Antes que Josh pudesse sair, a sua secretária, Sabina, entrou na sala.
— Chefinho. — ela disse a Josh e em seguida encarou Noah, provocante. — Tem uma tal de Solange na linha, ela disse que é urgente.
— Ah não Sabina, diz que eu morri. — Josh rolou os olhos. — Essa mulher é uma mala.
— Só se me deixarem ir com vocês. — encarou Noah.
Josh percebeu e sorriu sozinho.
— Ir para onde? — Noah perguntou, fingindo desentendimento.
— Eu ouvi vocês combinando de sair antes de entrar... — batendo o pezinho e pôs a mão na cintura.
— Mas é claro... — Joshua disse prontamente e encarou Noah maliciosamente, o amigo arregalou os olhos vendo o que Josh tinha aprontado. — Nós vamos sair em meia hora.
— Estarei esperando. — Sabina piscou para Noah e saiu.
— Filho da p**a! — Noah murmurou. — Ela vai me atacar outra vez. — aperreado.
— Vai me dizer que você não gosta? — Josh zombou e Noah engoliu o seco. — Te espero lá embaixo. — saiu e deixou Noah sozinho.
¨¨¨¨
Mais tarde em um barzinho muito badalado, estavam Hina e Bailey, ambos arquitetos da empresa, também estavam Sabina, Joshua e Noah. A bagunça era demasiada na mesa em que os cinco estavam. Sabina estava dando em cima de Noah na cara de p*u, era louca por ele desde a primeira vez que se viram na vida.
— Nossa eu adoro essa música. — a morena dizia esfregando o pé na perna de Noah provocante. — O que acha de dançar comigo Noah?
— Pois é, eu não sei dançar. — piscou tomando um gole de vinho.
— Mentira, como não sabe dançar? — ela enrolou os cabelos no dedo. — Não seja modesto gatinho.
— Sabina, ele não quer dançar com você. — Hina rolou os olhos, obvia. — Você é v***a e não n**a hein?
— Está me chamando de que Hina? — ela gemeu estridente.
— v***a! — enfatizou a encarou com um risinho. — V-A-D-I-A! — Hina soletrou pacientemente.
— v***a é a sua mãe ouviu? — cruzou os braços, irritada.
— Chega! — Joshua rolou os olhos. — Viemos para cá para nos divertirmos, não para brigar.
— Aff Josh, é que tem gente que não se toca. — Hina tomou outro gole de martine. — Vamos logo mudar de assunto, antes que eu mate alguém...
— Concordo. — Bailey disse. — E então Noah, e a Any? Como ela está?
— Pois é cara, ultimamente ela anda muito atarefada lá na Espanha. — suspirou e Sabina fechou a cara, não queria saber nada dessa tal de Any Gabrielly. — Nem tenho visto ela direito.
— Só conversamos com ela no dia do casamento, me parece ser uma pessoa bem legal. — Hina enfatizou para Sabina.
— É um casamento muito estranho. — Beauchamp o encarou, afrouxando a gravata.
— Pois é. — Noah disse pra si mesmo, enquanto tomava um gole de uísque, ele infelizmente tinha que concordar.
Realmente era estranho, afinal eles praticamente moravam em países diferentes. Estavam juntos há um ano e meio, mas se conheciam desde crianças e sempre diziam que quando crescessem iriam se casar e serem felizes para sempre. Cresceram e a amizade só foi ficando cada dia mais forte.
Any além de sua esposa, era sua melhor amiga e podia contar com ela pra tudo, exatamente tudo o que quisesse e vice versa. Ela sabia seus segredos mais loucos e ele sabia os dela, ambos eram muito ligados. Sempre que podia, Noah ia até a Espanha passar um tempo com ela, já que seu ritmo de trabalho era menor.
— Cara eu vou dar uma chegadinha ali no bar. — Josh disse se levantando, iria dar um trato naquela loira que estava flertando com ele há quase cinco minutos. — Até mais. — piscou se afastando.
— O Beauchamp não muda cara... — Hina riu.
— Esse ai, eu acho que só muda quando morrer. — Noah disse levantando. — Vou ao banheiro.
— Eu vou com você! — Sabina levantou.
— O que? — Noah arregalou os olhos. — Você vai comigo no banheiro?
Sabina ficou sem graça e sentou. Hina espocou em uma gargalhada e Noah saiu.
— Para de rir. — Sabina cruzou os braços.
— Para de ser oferecida. — Hina a imitou.
Depois de alguns minutos, Noah retorna à mesa e se senta.
— Nada do Beauchamp voltar? — perguntou ele rindo.
— Que nada, pelo jeito não vai ser agora não. Olha ali... — Bailey apontou o amigo, que estava aos beijos com uma mulher no bar.
Noah riu e viu uma outra loira piscando discretamente pra ele. Ignorou e começou a beber, a viu se aproximar e suspirou.
— Olá... — ouviu a voz dela.
— O que? — Sabina respondeu grosseiramente para a loira.
— Estou falando com o gato aqui. — disse a loira no mesmo tom. — Oi, você está acompanhado? — perguntou a Noah, que sorriu de canto.
— Não. — ele respondeu.
— Então pode me acompanhar em um drinque?
— Mas é claro. — sorriu, não custaria nada em acompanha-la.
Levantou e Sabina ficou olhando perplexa enquanto ele saia. O tempo foi passando e nada de Noah voltar com a fulana, Sabina já estava vermelha de irritação.
— Que merda... — Joshua sentou-se.
— O que foi Josh? — Hina riu.
— A gostosa teve que ir embora. — suspirou frustrado. — Ela tem um filho e o pestinha escolheu o "melhor"... — fez aspas com os dedos. — Momento pra ligar. — todos riram. — Vão rindo. — despejando vodca em seu copo que estava vazio. — Onde está o Noah? — bebericou a bebida.
— Olha ali ele... — apontou e todos viram Noah se atracando com a loira. — Eita. — Bailey arregalou os olhos.
— Eu não sabia que ele chifrava a Any. — Hina cruzou os braços.
— Todo homem trai. — Joshua piscou. — Mas confesso que estou surpreso, parece que o Noah tem medo de mulher e se ele não fosse casado juraria de pés juntos que ele é boiola. — gargalhou.
— Não sei qual é a graça. — Sabina negou com a cabeça.
— Está tocada por que ele preferiu outra a você? — Hina debochou.
— Vai se f***r Hina.
— Olha gata, não fica assim... — Joshua sorriu. — Você é até gostosa, mas não é o tipo dele.
— Você acha chefinho? — ela mordeu o lábio, provocante.
— É claro que sim. — ele assentiu.
— Então porque ninguém gosta de mim? — fez um biquinho.
Hina e Bailey prenderam o riso.
— Eu gosto de você. — Joshua sorriu descendo os olhos para os s***s da morena.
— Sério? — com os olhos brilhando, ele assentiu. — Então você vai me consolar essa noite?
Joshua ia responder quando ouviu o celular de Noah tocando. Sabina bufou.
— Por que o Noah não leva esse celular com ele? — perguntou com leve irritação. — É a mãe dele. — vendo no visor escrito: "mãe".
— Deixa tocar, quando ele voltar atende. — Hina disse.
Joshua concordou.
— Não! — Sabina se levantou em um pulo. — Eu vou levar lá, vai que seja importante. — foi na direção de Noah.
— Essa aí não se toca. — Hina negou com a cabeça.
Sabina se aproximou dos dois e deu um cutucão. Noah deu um salto e o encarou.
— Bonito hein senhor Urrea? — ela cruzou os braços.
— Sabina, o que aconteceu? — ele passou a mão nos lábios e a loira ao seu lado rolou os olhos frustrada.
— Seu celular está tocando.
— Obrigado. — ele pegou o celular e viu que era a mãe. — Nossa o que será que a minha mãe quer? — confuso. — Olha, foi m*l, eu vou ter que atender. — a loira assentiu e saiu frustrada.
Sabina a olhou, satisfeita e Noah atendeu o celular.
— Alô?
— Meu filho? — Wendy disse, aflita do outro lado da linha. — Querido, aonde você está?
— Mamãe, eu estou em um barzinho com o pessoal, o que houve, o papai está bem? — ele perguntou preocupado.
— Filho, seu pai passou muito m*l. — a mulher caiu no choro. — Estamos no hospital, oh meu Deus, eu não sei o que vai acontecer.
Noah pôs a mão no rosto e suspirou. Marco Urrea, seu pai, era um homem extremamente rígido e conservador. Estava com um câncer no intestino em estado avançado, coisa que deixava a sua saúde bastante debilitada. Era cirurgião plástico, mas estava afastado devido a sua doença.
— Mamãe, se acalma, eu já estou chegando. — pediu. — Fica tranquila.
— Certo filho, não demora, estamos no hospital de sempre, aquele do nome estranho.
— Está bem mãe, eu sei onde é... Até logo! — desligou e caminhou apressado até a mesa, com Sabina em seu encalço. — Gente, eu estou indo embora. — disse pegando o paletó que estava pendurado na cadeira e vestindo.
— Ei, espera aí... — Josh indagou. — Para onde você vai irmão?
— Meu pai passou m*l outra vez. Está no hospital.
— Que merda hein? — Beauchamp fez uma careta. — Nós vamos com você parceiro. — se levantando. — Relaxa.
— Então vamos logo. — disse engolindo o seco, observando os outros levantarem.
Não demorou e logo estava atravessando a larga porta do hospital, pediram informação na recepção e logo subiram à ala indicada, onde dona Wendy chorava dolorosamente, abraçada a Priscila e a sua tia, dona Marion.
— Mãe... — ele disse se aproximando. — Como ele está?
— Oh meu filho. — disse o abraçando.
Noah ficou mais assustado ainda ao vê-la chorar daquela forma. Wendy Urrea era uma mulher extremamente sensível e carinhosa, não só com ele, mas com todo mundo que lhe dirigisse a palavra. Era totalmente o oposto do marido, bem que falam que os opostos se atraem.
Enquanto Marco era rabugento e extremamente conservador e rígido. Wendy era carinhosa, brincalhona e despojada. Seu passatempo favorito era escrever livros, nada profissional, apenas um hobby que ela tinha.
— Ele está na UTI. — soluçou. — Os médicos disseram que o estado dele está cada dia mais frágil.
— Mamãe, se acalme. — Noah pediu, a ajudando a se sentar. — Vai ficar tudo bem com ele, não se preocupe. O negócio é pensar positivo.
Wendy sentou-se e ficou olhando a parede, pensativa.
— Oi tia Marion. — ele abraçou a tia de lado. A mulher sorriu e lhe deu um beijo no rosto. — Oi tia Priscila.
— Como vai querido? — a sogra o cumprimentou com um sorriso.
— Levando tia, e morrendo de saudades da Any. — sorriu saudoso.
— Falando nela você já a avisou? — Noah negou. — E por que não? Ela tem a obrigação de estar aqui apoiando você.
— Eu vou deixar para avisar quando eu estiver menos nervoso. — Priscila concordou. — Afinal de contas ela deve estar muito atarefada. — disse pensativo.
E realmente estava.
¨¨¨¨
Espanha, Ibiza. 18hrs30min.
A situação na joalheria Coeur de L'Océan estava uma verdadeira bagunça, Any Gabrielly era design de jóias e tinha fundado a empresa ao lado de Joalin, sua sócia e melhor amiga.
— Ai meu Deus, que zona... — Any colocou a mão na cabeça, enquanto arrumava os papéis, em cima da mesa.
— Pelo menos a gente terminou o mais importante. — Joalin disse caminhando de um lado para outro enquanto foleava o catalogo.
Any fechou os olhos e respirou fundo. Realmente o pior já tinha passado, tinham acabado de mandar entregar uma coleção exclusiva para a linha de lingeries Victória Secrets, para desfiles que aconteceriam em Milão e Paris.
O trabalho foi árduo, já que o pedido fora feito muito em cima da hora, mas graças ao trabalho esforçado conseguiram entregar a encomenda na data certa.
— Achei! — Joalin disse voltando a sentar na mesa e Any pegou o marca texto. — p**a merda, esse anel é muito complicado, vamos demorar a eternidade pra fazer.
— Ela pode esperar. — Any disse acendendo um cigarro, dando de ombros.
— Hello Any, ela é a Paris Hilton. — indagou a loira.
— E eu sou a Any Gabrielly, dona dessa droga toda, se eu quiser ela usa o anel, se eu não quiser, ela não usa. — disse gesticulando.
Joalin gargalhou.
— E se você não quiser não deixamos nossa conta bancaria melhor do que já está. — Joalin completou, enquanto observava a amiga dar uma longa tragada no cigarro.
— Um milhão a mais, um milhão a menos não faz a mínima diferença. — circulando o modelo do anel no marca texto. — Mas como nós somos fodas, vamos entregar essa droga de coleção pra essa loira magrela se exibir, quando mais ela se exibe, mais dinheiro caindo na nossa mão. — gargalhou.
— Você não vale nada petit.
— Você também não. — Any passou a mão na nuca. — Cara eu preciso t*****r, não é possível.
— Volta para Los Angeles, vai dar para o seu maridão gostoso. — Joalin piscou.
Any riu.
— Até parece que eu vou pegar um avião só para t*****r com o Noah. — Any rolou os olhos.
— Eu pegaria, se ele não fosse... — Any a olhou. — Casado. — deu um sorrisinho amarelo e Any suspirou.
A porta se abriu e por ela entrou Krystian.
— Chegou quem faltava! — Any riu.
O outro gargalhou pedindo o cigarro dela.
— Sentiram saudade gatinhas? — sentou em uma cadeira vazia dando uma tragada no cigarro.
Krystian Wang era uma espécie de "assessor de imprensa" da marca, era um grande amigo delas.
— Claro. — a cacheada piscou.
— Sabia que não pode fumar aqui? — Krystian disse mostrando o cigarro entre os dedos e em seguida apontando a plaquinha na parede que dizia que era proibido fumar ali.
— Se eu quiser coloco até fogo nessa merda. — ela piscou.
— Nossa, sintam o perigo de Any Gabrielly. — Joalin gargalhou alto.
— E então, o que acham de sairmos para comemorar? — Krystian sugeriu.
— Comemorar o que? — Any indagou.
— Como o que? — rolou os olhos. — O nosso sucesso. — Any e Joalin riram. — Podemos ir naquela boate que ficamos de ir naquele dia, em que vocês me deram um bolo. — com cara de coitado.
— Sabe que não foi por m*l. — Joalin mandou um beijinho. — Mas tudo bem, por mim pode ser.
— Idem. — Any deu de ombros dando outra tragada no cigarro.
¨¨¨¨
Mais tarde, em alguma casa noturna de Ibiza.
— Nossa senhora... — Any riu assim que adentraram a boate. Tinha vários homens e mulheres fazendo stripper e dançando no pole dance. — Olha aquele loiro, que delicia. — umedecendo o lábio.
— Parece um gayzão com essa sunguinha. — Krystian gargalhou e as meninas negaram com a cabeça, homens jamais admitiam que outro fosse bonito. — Vou buscar bebida, o que vocês vão querer?
— Eu quero um orgasmo. — pediu a cacheada, gargalhando.
— Trás um pra mim também, mas peça pra colocarem mel no meu. — a loira piscou.
Krystian saiu rindo do pedido das amigas e foi em direção ao pub.
— Hoje é a minha noite! — Any disse dançando.
— Any, vê se você não vai aprontar nada viu? — Joalin disse. — Fique próxima.
Any deu de ombros, enquanto dançava com os olhos fechados. Logo Krystian voltou com as bebidas e Any foi para o outro lado, paquerar os strippers.
Os três beberam, dançaram e curtiram a valer. Não demorou e já estavam acompanhados, Any estava com um cara de cabelos castanhos e até os ombros, preso em um r**o de cavalo e Joalin estava com um loiro dos cabelos curtos. Krystian tinha se perdido no meio da multidão, com certeza estava com alguma mulher.