Eles vieram me busca
Meu Deus.
Foi a única coisa que passou pela minha cabeça quando saí do quarto, no meio da madrugada, só querendo um copo d’água… e encontrei três homens mascarados sentados no meu sofá.
O silêncio da casa pesava.
O ar parecia mais denso.
E eles… não se mexiam.
Me encaravam.
Eu deveria estar com medo.
Qualquer pessoa normal estaria tremendo, desesperada, tentando correr.
Mas eu não.
Era como se algo dentro de mim… reconhecesse aquilo.
Como se todos os livros de dark romance que eu devorei ao longo da vida tivessem ganhado forma diante dos meus olhos.
Perigo.
Obsessão.
Controle.
E eu estava presa ali… observando cada detalhe.
O primeiro, à direita…
Careca. Corpo forte. Braços cobertos de tatuagens. Camiseta preta colada ao corpo, jeans escuro. Uma corrente prateada no pescoço refletia a pouca luz da sala.
O segundo, no meio…
Cabelos longos, lisos, caindo até os ombros. Camiseta branca contrastando com a pele marcada por tatuagens. Postura relaxada… mas perigosa.
O terceiro, à esquerda…
Cabelos pretos, mais baixo que os outros, mas não menos intimidador. Camiseta vermelha. Jeans escuro. O olhar… intenso, mesmo por trás da máscara.
Todos tatuados.
Todos imóveis.
Todos… me observando.
E então pensei, absurdamente:
Essa calça preta deve ser tipo um ritual.
Quase ri da minha própria loucura.
Respirei fundo.
— Quem são vocês?
Minha voz saiu firme. Mais do que eu esperava.
Eles trocaram um olhar silencioso… e então um deles respondeu, a voz baixa, rouca, dominante:
— Você nos pertence.
Meu coração bateu mais forte.
Mas eu não recuei.
— Eu? — soltei uma risada seca. — Eu não pertenço a ninguém.
Um deles inclinou a cabeça.
E então… eles riram.
Baixo. Perigoso. Como se soubessem algo que eu ainda não sabia.
— Você que pensa, amor.
Foi nesse momento…
Que tudo voltou.
Meu passado.
O erro do meu pai.
O acordo que nunca deveria ter existido.
Quando eu nasci…
Meu pai estava afundado em dívidas.
Desesperado.
E fez um pacto.
Com três homens.
Cada um deles tinha um filho.
Crianças de seis, sete anos.
E eu… um bebê.
Ele prometeu a mesma coisa para todos.
"Quando minha filha completar 18 anos… ela se casará com seu filho."
Três promessas.
Três noivos.
Uma única garota.
Eu.
Passei minha infância sem saber.
Minha adolescência protegida, controlada… escondida.
Até o dia em que ele me contou.
— Filha… você tem três noivos.
Eu ri.
Achei que era uma piada.
Não era.
— Você precisa escolher um.
Escolher?
Casar com um desconhecido já era absurdo.
Mas escolher entre três?
— Não, pai. Eu não vou fazer isso.
— Você não tem escolha.
Mas eu tinha.
E eu usei.
Fugi.
Aos 19 anos, com dinheiro que eu mesma juntei em segredo, comprei minha própria casa. Não era uma mansão como a dos meus pais… mas era minha.
Liberdade.
Meu pai cortou tudo.
Dinheiro. Apoio. Contato.
Mas eu sobrevivi.
Cursei moda. Trabalhei. Criei.
Construi minha vida do zero.
Hoje, aos 23 anos…
Eu estou bem.
Ou pelo menos…
Estava.
Porque agora…
Eles estavam ali.
Sentados no meu sofá.
Mascarados.
Perigosos.
Reivindicando algo que eu recusei a vida inteira.
Eu.
— A gente deu tempo suficiente — disse o homem do meio, levantando lentamente.
Meu corpo reagiu.
Não com medo.
Mas com algo muito pior.
Expectativa.
— Tempo pra quê? — perguntei, tentando manter o controle.
Ele deu um passo na minha direção.
— Pra você fugir.
Outro passo.
— Agora…
Outro.
— A gente veio te buscar.
Meu coração disparou.
E pela primeira vez naquela noite…
Eu percebi.
Eu não estava em perigo.
Eu era o alvo.
E talvez…
Nunca tivesse realmente escapado.