Dias depois…
Eu ainda não sabia exatamente em que momento parei de resistir.
Talvez naquela madrugada.
Talvez no momento em que eles disseram meu nome como se já fosse deles.
Ou talvez…
Quando eu aceitei entrar no carro.
A mansão surgiu diante de mim como um aviso.
Grande. Imponente. Escura.
Perfeita demais.
— Bem-vinda — Noah disse ao meu lado, a mão firme na minha cintura.
Engoli seco.
— Isso é… exagerado.
— É o mínimo — Caio respondeu.
— Pra você — Hugo completou.
A porta se abriu.
E no segundo em que entrei…
Meu mundo parou.
Quadros.
Por todos os lados.
Meu coração falhou uma batida.
— O que… é isso?
Caminhei devagar pelo hall.
Fotos minhas.
Rindo.
Distraída.
Sentada no sofá da minha antiga casa.
Na cozinha.
No celular.
Na varanda.
Momentos…
Que eu nunca soube que estavam sendo vistos.
— Vocês são doentes… — sussurrei, sem fôlego.
Mas não parei de olhar.
Outro quadro.
Eu dançando.
Outro.
Eu dormindo.
Outro.
Eu lendo… completamente perdida.
Meu peito subia e descia rápido.
— Isso é obsessão.
Silêncio.
Atrás de mim, senti a presença deles se aproximando.
— Sim — Caio respondeu, sem negar.
Virei lentamente.
— Vocês acham isso normal?
Hugo inclinou a cabeça.
— A gente acha necessário.
Meu coração acelerou.
— Cada detalhe seu… — Noah disse, passando os dedos de leve pelo meu braço — importa.
— Cada hábito.
— Cada expressão.
— Cada momento que você nem sabia que era importante…
Eles estavam mais perto agora.
Muito perto.
— …pra gente, sempre foi.
Respirei fundo.
— Isso não é saudável.
Mas minha voz…
Não tinha força.
— Não — Caio concordou.
Silêncio.
— Mas é real.
Meu olhar voltou para os quadros.
Tantos.
Demais.
Era como se…
Eu nunca tivesse estado sozinha.
— Vocês estavam lá… o tempo todo…
— Sempre — Hugo respondeu.
Fechei os olhos por um segundo.
Um arrepio percorreu minha pele.
Não só de medo.
Mas de algo mais perigoso.
— Tem mais — Noah disse.
— Claro que tem… — murmurei.
Eles me conduziram pela casa.
Cada cômodo…
Pior que o outro.
Um closet.
Roupas.
Do meu estilo.
Exatamente do jeito que eu usaria.
— Vocês escolheram tudo isso?
— Baseado em você.
Outro quarto.
Desenhos meus.
Projetos.
Coisas que eu nunca mostrei pra ninguém.
Meu coração disparou.
— Como vocês conseguiram isso?
Silêncio.
— A gente dá um jeito — Caio respondeu.
Engoli seco.
— Isso… isso não é normal…
— Você já disse isso — Hugo murmurou, divertido.
— E mesmo assim… você tá aqui.
Parei.
Porque ele estava certo.
De novo.
Olhei ao redor.
A casa.
Os quadros.
Os detalhes.
Tudo gritava a mesma coisa:
Eles me conheciam.
Mais do que qualquer outra pessoa.
Mais do que eu mesma.
— Isso é assustador… — sussurrei.
Noah se aproximou por trás.
— E você gosta.
Fechei os olhos.
Droga.
— Eu não devia…
— Mas gosta — Caio completou.
Virei rapidamente.
— Vocês são muito convencidos.
Eles sorriram.
Mesmo com as máscaras…
Eu conseguia sentir.
— Não é convencimento — Hugo disse.
— É certeza.
Silêncio.
Meu olhar percorreu cada um deles.
Depois voltou…
Para os quadros.
Para mim mesma…
Espalhada por toda aquela casa.
Respirei fundo.
E pela primeira vez…
Eu entendi o nível real daquilo.
Não era só desejo.
Não era só controle.
Era obsessão.
Pura.
Intensa.
Sem limites.
E o mais perigoso…
Era que uma parte de mim…
Não queria ir embora.