O ateliê era… impecável.
Tecidos finos por todos os lados.
Modelos andando de um lado pro outro.
Estilistas concentrados.
E no momento em que eu entrei…
Tudo parou.
Olhares.
De todos os lados.
Alguns curiosos.
Outros admirados.
E alguns…
Incomodados.
Mas não por mim.
Por eles.
Atrás de mim.
De máscara.
Imponentes.
Silenciosos.
Perigosos.
Eu respirei fundo.
E segui.
Como se estivesse completamente no controle.
E talvez…
Eu estivesse.
— Meu Deus… — uma voz animada surgiu — até que enfim a diva chegou!
Sorri.
David.
O dono do ateliê.
Me aproximei, elegante.
— Como vai, David?
— Vou bem, e você? Chegou bem?
— Cheguei sim.
Ele sorriu, claramente empolgado.
E então olhou… pra trás de mim.
Curioso.
Eu não hesitei.
— Esses são meus maridos.
O silêncio ao redor aumentou.
Eu senti.
Apresentei um por um.
— Caio.
Ele deu um passo à frente.
Apertou a mão de David.
— Bom dia.
A voz firme.
Fria.
— Noah.
Noah fez o mesmo.
— Bom dia.
Mais contido.
Mais observador.
— E Hugo.
Hugo inclinou levemente a cabeça.
— Bom dia.
David piscou algumas vezes.
Processando.
— Sejam bem-vindos…
Ele sorriu, meio sem jeito.
— Eu vou dar um minutinho e a gente já começa, tá?
— Tudo bem.
Ele se afastou.
E no segundo em que virou as costas—
— Não começa, hein.
A voz de Noah veio baixa.
Cortante.
Revirei os olhos.
— Vocês queriam que eu fizesse o quê? Não cumprimentasse ele?
— Ele ia te abraçar — Hugo murmurou.
— Eu vi.
— E? — virei pra eles. — Eu não podia simplesmente ignorar.
Caio deu um passo mais perto.
— Se ele encostar—
— Eu quebro o braço dele — Hugo completou.
Eu ri.
Sem acreditar.
— Meu Deus do céu…
Balancei a cabeça.
— Vocês estão em Paris, não numa guerra.
Silêncio.
— Ainda — Noah respondeu.
Revirei os olhos.
— Por favor…
Dei um passo mais perto deles.
Mais baixo.
— Não testa a minha paciência também, Fernanda — Caio disse.
A voz baixa.
Mas carregada.
— Você é nossa.
Segurei o riso de leve.
— Eu sei que sou de vocês…
Inclinei a cabeça.
— Inclusive… estou sentindo até agora a “prova” disso.
Os três ficaram em silêncio.
Mas eu senti.
O clima mudar.
Levemente.
Sorri de canto.
— Agora, por favor…
Apontei para um canto mais reservado.
— Fiquem ali.
— Quietinhos.
— Sem assustar ninguém.
Hugo arqueou a sobrancelha.
— Difícil.
— Eu sei — murmurei.
— Mas tentem.
Olhei pros três.
Mais séria agora.
— Eu preciso trabalhar.
Silêncio.
Caio assentiu de leve.
— A gente fica.
Noah completou:
— Mas sem sair dos nossos olhos.
Suspirei.
— Não vou.
Dei um último olhar.
— Prometo.
Virei.
E segui.
Sentindo.
Mesmo de longe…
O olhar deles em mim.
Pesado.
Constante.
Protetor.
E possessivo.
E enquanto eu caminhava pelo ateliê…
Entre tecidos, croquis e olhares curiosos…
Eu sabia.
Paris podia até ser o meu palco.
Mas eles…
Ainda eram o meu limite.