A noite ainda estava quente.
O quarto mergulhado em silêncio.
Só o som da respiração.
Lenta.
Pesada.
Calma.
Eu estava ali…
Entre eles.
O corpo relaxado, ainda sentindo o calor dos toques, dos braços, da presença.
Caio de um lado, a mão ainda desenhando caminhos distraídos na minha pele.
Noah atrás de mim, o corpo colado ao meu.
E Hugo à frente, me observando em silêncio.
Era nesses momentos…
Que eu pensava.
E talvez…
Não fosse a melhor hora pra pensar.
Respirei fundo.
— Eu preciso falar uma coisa…
O clima mudou na mesma hora.
Sutil.
Mas mudou.
Caio parou o movimento da mão.
— Fala.
Hesitei por um segundo.
— Surgiu uma viagem…
Silêncio.
— Da empresa.
Os três ficaram atentos.
— Pra onde? — Noah perguntou.
Olhei pra frente.
— Paris.
Silêncio.
Pesado.
Eu já esperava.
— Quanto tempo? — Hugo perguntou, direto.
— Algumas semanas…
Pausa.
— Talvez um mês.
O ar ficou denso.
Eu senti.
Antes mesmo de qualquer resposta.
— Não — Caio disse.
Simples.
Direto.
Sem pensar.
Fechei os olhos por um segundo.
— Eu sabia que você ia dizer isso…
— Então por que tá perguntando? — Noah murmurou.
Virei um pouco o rosto.
— Porque eu queria que vocês entendessem.
Silêncio.
— É importante pra mim.
A voz saiu mais firme agora.
— É meu trabalho… minha carreira.
Hugo se aproximou um pouco mais.
— E você acha que a gente vai deixar você ir sozinha pra outro país?
— Não é “deixar” — respondi, olhando pra ele.
— É confiar.
Silêncio.
Pesado.
Caio segurou meu queixo com cuidado.
Me fazendo olhar pra ele.
— Não é sobre confiança.
A voz dele estava baixa.
Mas carregada.
— É sobre segurança.
Meu coração apertou.
— Eu não posso parar minha vida…
— Não tá pedindo pra parar — Noah disse.
— Tá pedindo pra se colocar em risco.
Respirei fundo.
— Eu sei me cuidar.
Eles trocaram um olhar.
E aquilo…
Já dizia tudo.
— Não o suficiente — Hugo respondeu.
O silêncio voltou.
Mas agora…
Mais tenso.
Mais pessoal.
— Eu fugi de casa sozinha — falei, mais baixo.
— Construí minha vida sozinha.
— Trabalhei sozinha.
Olhei pra eles.
— Eu não sou fraca.
Caio se aproximou mais.
A testa encostando na minha.
— A gente sabe.
— Então por que—
— Porque agora você não tá mais sozinha.
Silêncio.
A frase caiu.
Forte.
Direta.
Perigosa.
Meu coração acelerou.
— E isso muda tudo — Noah completou.
Fechei os olhos por um segundo.
Sentindo o peso daquilo.
— Eu quero ir…
Minha voz saiu mais baixa agora.
Mais sincera.
— Eu preciso ir.
Silêncio.
Longo.
Pesado.
Hugo passou a mão pelo meu cabelo.
Devagar.
Pensativo.
— A gente vai pensar.
Abri os olhos.
Surpresa.
— Sério?
Caio respondeu:
— Não é um “sim”.
— Mas também não é um “não” definitivo.
Noah completou:
— A gente precisa garantir que você vai estar segura.
Meu coração bateu mais forte.
— Então… existe chance?
Eles trocaram um olhar.
E pela primeira vez…
Não foi imediato.
Não foi fechado.
— Existe — Caio disse por fim.
Um pequeno alívio passou por mim.
Mas eu sabia…
Aquilo estava longe de ser resolvido.
Porque com eles…
Nada era simples.
E Paris…
Podia ser mais do que só uma viagem.