A manhã em Paris estava calma.
Diferente da noite.
Mais leve.
Mais… silenciosa.
Eu estava deitada entre eles.
O corpo ainda mole.
A mente mais tranquila.
E, pela primeira vez…
Sem pressa.
Sem tensão.
Só… sentindo.
Caio fazia um carinho lento no meu braço.
Noah estava deitado ao meu lado, observando.
Hugo mais perto, com a cabeça apoiada próxima à minha.
— Quanto tempo ainda? — Caio perguntou.
A voz baixa.
Natural.
Respirei fundo.
— Só mais dois dias…
Olhei pro teto.
— E a gente volta.
Silêncio.
Noah assentiu de leve.
— Já é o suficiente.
Hugo completou:
— Aqui não é casa.
Concordei.
— Também estou preocupada com a Flávia…
Minha voz saiu mais suave.
Mais sensível.
— Ela sozinha lá…
Caio passou a mão pelo meu cabelo.
— Não tá sozinha.
— Os seguranças estão lá.
Noah completou:
— Já avisaram que ela tá bem.
— Não saiu, não fez nada fora do combinado.
Hugo finalizou:
— Tá protegida.
Respirei fundo.
Sabendo disso.
Mas ainda assim…
— Mesmo assim… dá saudade.
Minha voz ficou mais baixa.
— Eu tô com saudade dela.
Silêncio.
Mas agora…
Mais acolhedor.
— A gente também — Caio disse.
Olhei pra eles.
E sorri de leve.
— Mas… — pausei — por outro lado…
— Foi bom isso aqui.
Os três me olharam.
— Só a gente…
Dei um sorriso pequeno.
— Meio que… uma lua de mel.
Eles sorriram.
De leve.
Mas sorriram.
Hugo foi o primeiro:
— Foi mesmo.
Noah assentiu.
— Do nosso jeito.
Caio apenas me puxou um pouco mais pra perto.
— E ainda não acabou.
Soltei um riso baixo.
— Vocês não cansam…
— De você? — Noah murmurou.
— Nunca.
O silêncio voltou.
Mas dessa vez…
Era confortável.
E foi nele…
Que a pergunta veio.
Devagar.
Mas carregada.
— Posso perguntar uma coisa?
Os três me olharam.
Atentos.
— Pode — Caio respondeu.
Respirei fundo.
Um pouco mais nervosa agora.
— Eu já queria perguntar isso há um tempo…
Olhei pra eles.
Um por um.
— Vocês já ficaram com alguém antes de mim?
Silêncio.
Pesado.
— Tipo… sério mesmo.
— Já tiveram alguma mulher… como vocês me têm?
Minha voz ficou mais baixa.
Mais íntima.
— Principalmente porque… eu fui prometida pra vocês…
Engoli seco.
— Vocês ficaram com raiva por eu não ser a primeira de vocês?
Pausa.
— E se tiveram…
Olhei mais fundo.
— Foi a mesma mulher?
— Ou cada um teve a sua vida separada?
O silêncio agora…
Era diferente.
Mais profundo.
Mais real.
Eles trocaram um olhar.
Demorado.
Como se decidissem juntos.
Como sempre.
Caio foi o primeiro a falar.
— A gente já teve outras mulheres.
Meu coração deu um pequeno aperto.
Mas eu não desviei.
Noah continuou:
— Mas nunca foi assim.
Hugo completou:
— Nunca juntas.
Silêncio.
— Nunca com conexão.
Caio voltou:
— Era físico.
— Passageiro.
— Sem importância.
Olhei pra eles.
Tentando entender.
— E vocês três… juntos?
Noah negou com a cabeça.
— Nunca.
— Isso… — Hugo disse, olhando direto pra mim — só aconteceu com você.
Meu coração acelerou.
— Porque você não é igual — Caio completou.
Silêncio.
Mais intenso agora.
— Você sempre foi nossa — Noah disse.
A voz baixa.
Mas firme.
— Desde antes da gente entender isso.
Hugo se aproximou um pouco mais.
— E quando a gente te encontrou de verdade…
Pausa.
— Não tinha mais como ser diferente.
Meu peito apertou.
Mas não de dor.
De algo… mais profundo.
Mais perigoso.
Mais verdadeiro.
— Então eu sou a primeira… assim?
Caio assentiu.
— É.
Noah completou:
— A única.
Hugo finalizou:
— E a última.
Eu fiquei em silêncio.
Sentindo aquilo.
De verdade.
E pela primeira vez…
Não parecia só intensidade.
Ou obsessão.
Parecia…
Escolha.
Me aproximei mais deles.
Sem pensar.
Sem medo.
— Tá… — murmurei baixo — isso foi mais sério do que eu esperava.
Hugo sorriu de leve.
— E você ainda pergunta por que a gente não divide você com ninguém?
Soltei um riso pequeno.
— Agora faz mais sentido…
Caio beijou de leve minha testa.
— Sempre fez.
Eu que tava fugindo.
E ali…
Naquela manhã calma…
Depois de tudo…
Eu percebi.
Eu não estava mais tentando escapar.
Eu estava…
Ficando.