proteção

584 Words
Lá embaixo, a casa estava em silêncio. Mas não tranquila. Os três estavam na sala. Cada um com um copo de uísque na mão. O clima era diferente. Mais sério. Mais atento. — Ele não vai deixar isso assim — Noah disse, direto. Caio girou o líquido no copo. — Eu sei. Hugo apoiou o cotovelo no braço do sofá. — A questão não é se ele vem… Silêncio. — É quando. Os três ficaram em silêncio por alguns segundos. Pensando. Calculando. — A irmã dela fica — Caio disse por fim. — Fica — Noah confirmou. — E ninguém encosta — Hugo completou. Silêncio. Decisão tomada. --- Lá em cima… O clima era outro. Mais leve. Mais humano. Eu estava no closet, separando roupas pra Flávia. Ela era magrinha. Parecida comigo. Então tudo servia. Separei peças com calma. Pijamas. Shorts. Blusas confortáveis. Vestidos leves. Roupas íntimas novas. Tudo novo. Tudo dela agora. — Pode usar tudo isso, tá? — falei, entregando pra ela. Ela olhou, meio sem acreditar. — É tudo… pra mim? Sorri de leve. — É. Levei ela até o quarto de hóspedes. Arrumei a cama. Deixei tudo organizado. — Você pode tomar banho… descansar… — falei, olhando pra ela — e pode trancar a porta quando quiser. Ela hesitou. — Fernanda… — Fala. — Eles são mesmo confiáveis? Olhei nos olhos dela. Sem hesitar. — São. Silêncio. — Pode confiar. Dei um passo mais perto. — Eu sou deles… e eles também são meus. A expressão dela mudou. Menos medo. Mais… curiosidade. — E agora… — completei — eles vão proteger você também. Ela respirou fundo. Assentiu devagar. — Tá… — Amanhã… ou depois — continuei — a gente vai no shopping. — Comprar tudo novo pra você. — Roupas. Celular. Número novo. — Vida nova. Ela deu um sorriso pequeno. Ainda inseguro. — Meu casamento… já tava marcado… Silêncio. — Daqui quatro meses… Cheguei mais perto. Segurei o rosto dela com cuidado. — Esquece isso. Firme. — Não existe casamento. Os olhos dela brilharam. — Você tá livre. Silêncio. Ela soltou um riso leve. — Vai demorar pra me acostumar… Sorri. — Vai. — Mas você vai conseguir. Dei um beijo na testa dela. — Descansa. Saí do quarto devagar. Fechei a porta. E fui pro meu. Tirei o salto. O vestido. Entrei no banho. Deixei a água cair… Levando embora o peso do dia. Quando saí, vesti uma camisola leve. E deitei. O corpo cansado. A mente… cheia. Mas não demorou muito. A porta abriu. Eles entraram. Como sempre. Hugo foi o último. E trancou a porta. Segurança. Rotina. Presença. — Tá tudo bem com ela? — Noah perguntou. Assenti, já de olhos meio fechados. — Tá… — Separei algumas roupas pra ela… Minha voz estava mais lenta agora. Cansada. — Mas amanhã… queria ir no shopping. — Comprar mais coisas pra ela… — Celular novo… número novo… Suspirei. — Ela precisa recomeçar… Silêncio. — A gente vai com você — Caio respondeu. Abri os olhos só um pouco. — Sério? — Sempre. Um alívio passou por mim. — Então tá bom… Fechei os olhos de novo. Senti o colchão afundar levemente. Caio sentou ao meu lado. A mão dele foi até meu cabelo. Começou a fazer carinho. Devagar. Calmo. Protetor. — Descansa… — ele murmurou. E dessa vez… Eu não lutei contra o sono. Meu corpo relaxou completamente. A respiração desacelerou. E antes de dormir… A única coisa que pensei foi: Ela tá segura. E eu também.
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