A noite em Paris parecia calma.
Mas não pra eles.
O carro parou do outro lado da rua.
Luzes baixas.
Motor ainda ligado.
Silêncio dentro do veículo.
Pesado.
— É ele — Noah disse, olhando fixo.
Do outro lado…
O homem saía do ateliê.
Rindo.
Distraído.
Como se nada tivesse acontecido.
Erro.
Grave.
— Sozinho — Hugo murmurou.
Caio não disse nada.
Só abriu a porta.
E saiu.
Os outros dois foram logo atrás.
Passos firmes.
Sincronizados.
Predadores.
---
O homem nem percebeu.
Não de imediato.
Só quando sentiu.
A presença.
Atrás.
— Ei—
Não deu tempo.
Hugo segurou ele pela gola.
Com força.
Jogando contra a parede.
O impacto ecoou na rua vazia.
— O que— que é isso?!
Desespero.
Rápido.
Patético.
Caio se aproximou devagar.
Sem pressa.
O mais calmo.
O mais perigoso.
— Você falou com ela hoje.
Não era uma pergunta.
O homem engoliu seco.
— Eu… eu só—
Noah deu um passo à frente.
— Só o quê?
Silêncio.
O cara tremia.
— Eu não sabia—
Hugo apertou mais.
— Não sabia?
A voz baixa.
Ameaçadora.
— Que ela não tava sozinha?
Caio inclinou levemente a cabeça.
Observando.
Estudando.
— Você chegou perto dela.
— Falou no ouvido dela.
Cada palavra…
Mais pesada.
— Sobre o corpo dela.
— Sobre a cama dela.
O homem começou a suar.
— Foi só uma brincadeira—
O som seco do impacto interrompeu.
Hugo bateu a cabeça dele contra a parede.
Uma vez.
Controlado.
Mas suficiente.
— A gente não brinca com ela.
Silêncio.
Pesado.
O homem respirava rápido.
Desesperado.
— Eu… eu peço desculpa—
Noah riu baixo.
— Pra quem?
Caio se aproximou mais.
Parando bem na frente dele.
— Não é pra gente que você pede desculpa.
A voz baixa.
Fria.
— É pra memória que você vai ter disso.
O homem arregalou os olhos.
— Eu nunca mais chego perto dela, eu juro—
— Não chega mesmo — Hugo disse.
— Porque agora você aprendeu.
Silêncio.
Caio segurou o queixo dele.
Forçando ele a olhar.
— Se você olhar pra ela de novo…
Pausa.
Lenta.
Pesada.
— A gente termina o que começou hoje.
Soltou.
O corpo do homem quase caiu.
Desmontado.
— Some.
Ele não pensou duas vezes.
Saiu praticamente correndo.
Desaparecendo na rua.
---
Silêncio.
Os três ficaram ali por alguns segundos.
Imóveis.
Respirando.
Controle voltando.
Noah passou a mão pelo cabelo.
— Resolvido.
Hugo deu um leve estalo nos dedos.
— Por enquanto.
Caio olhou na direção do hotel.
Distante.
— Ele não chega mais perto.
Os outros dois assentiram.
Sem dúvida.
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De volta ao carro…
O silêncio era outro.
Mais calmo.
Mais… satisfeito.
Mas ainda carregado.
— Ela vai perceber — Noah disse.
— Ela sempre percebe — Hugo respondeu.
Caio encostou a cabeça no banco.
— E tudo bem.
Olhou pela janela.
Paris brilhando lá fora.
— Porque ela precisa entender…
Silêncio.
Baixo.
Pesado.
— Que ninguém toca no que é nosso.
A porta da suíte se abriu.
Sem barulho.
Sem pressa.
Eles entraram.
E pararam.
Eu estava deitada.
Olhos fechados.
Respiração calma.
Mas não… dormindo.
— Demoraram…
Minha voz saiu baixa.
Suave.
Ainda de olhos fechados.
Silêncio.
Pesado.
Eles trocaram um olhar.
— Foram atrás dele, né?
Abri um leve sorriso.
Sem nem precisar olhar.
Eu sabia.
Sempre soube.
Alguns segundos de silêncio.
E então…
— Resolvemos.
A voz de Caio veio firme.
Controlada.
Exatamente como eu esperava.
Meu sorriso aumentou um pouco.
— Achei que sim…
O colchão afundou levemente.
Um de cada lado.
O calor deles voltando.
Como se aquele fosse o lugar certo.
Porque era.
Noah se aproximou primeiro.
O toque leve.
Um beijo calmo na minha perna.
Sem pressa.
Sem necessidade de dizer nada.
Hugo passou a mão devagar pelo meu braço.
Subindo até o ombro.
Desenhando presença.
Caio se deitou atrás de mim.
O corpo firme.
Quente.
A cabeça dele se encaixando perto da minha.
Como sempre.
Como se já soubesse exatamente onde ficar.
Suspirei.
Relaxando de verdade agora.
— Vocês são impossíveis…
Murmurei.
Mas não havia reclamação.
Só… constatação.
— E você gosta — Noah respondeu baixo.
Sorri.
De olhos ainda fechados.
— Gosto…
Silêncio.
Mas não vazio.
Cheio.
De tudo.
De presença.
De proteção.
De algo que eu nem tentava mais negar.
As mãos deles ainda ali.
Calmas.
Sem pressa.
Só… ficando.
— Dorme… — Hugo murmurou.
E dessa vez…
Eu dormi.
De verdade.
Porque ali…
Entre eles…
Mesmo em Paris…
Mesmo com tudo acontecendo…
Eu estava segura.