o controle 2

442 Words
O avião pousou suave. Mas nada dentro de mim estava. Paris. A cidade que eu sempre sonhei. Luzes, luxo, moda… E ainda assim… Meu corpo estava em alerta. Assim que descemos, eu senti. Olhares. Mesmo dentro do aeroporto. Eles estavam de máscara. Como sempre. E isso… Chamava atenção. Mas não do jeito comum. As pessoas olhavam… e desviavam rápido. Porque havia algo neles que dizia claramente: não se aproxime. — Fica perto — Caio murmurou, baixo. Como se eu já não estivesse. Minha mão estava entrelaçada na dele. Firme. Do outro lado, Noah. Atrás, Hugo. Exatamente como sempre. Proteção em todos os ângulos. --- O carro já estava esperando. Preto. Luxuoso. Discreto. Mas o tipo de discreto… caro. Entramos. Eu olhei pela janela. Paris passava diante dos meus olhos. Linda. Impecável. Mas eu não conseguia relaxar totalmente. Porque eles não estavam relaxados. — Hotel já foi checado — Noah disse. — Segurança reforçada — Hugo completou. — Andar inteiro reservado — Caio finalizou. Virei pra eles. — Vocês exageram… Os três me olharam. E eu soube. Não era exagero. --- O hotel era… Surreal. Luxo puro. Luzes suaves. Arquitetura impecável. Funcionários impecáveis. Mas o silêncio quando entramos… Denunciou. Eles perceberam. Todos perceberam. As máscaras. A presença. O poder. Subimos direto. Sem paradas. Sem olhares demorados. Sem espaço pra erro. Quando a porta da suíte abriu… Eu parei. Era enorme. Elegante. Vista direta da cidade. Paris inteira aos meus pés. — Meu Deus… — sussurrei. Mas antes que eu pudesse dar mais um passo— Caio segurou minha mão. — Espera. Meu corpo travou. Noah entrou primeiro. Olhando tudo. Checando. Cada canto. Cada detalhe. Hugo atrás. Silencioso. Perigoso. Depois de alguns segundos— — Limpo — Noah disse. Só então… Eu entrei. Respirei fundo. Mas ainda assim… Algo não estava certo. — Vocês estão tensos demais… — falei, virando pra eles. Silêncio. Caio se aproximou. Devagar. — Porque aqui não é casa. Meu coração bateu mais forte. — Aqui… a gente não controla tudo. Noah encostou na mesa. — E isso muda as regras. Hugo se aproximou por trás de mim. A voz baixa. — E aumenta o risco. Engoli seco. Olhei pela janela de novo. A cidade continuava linda. Intocável. Mas agora… Diferente. — Eu só vim trabalhar… — murmurei. Caio levantou minha mão. Beijou de leve. — E vai. Noah completou: — Mas não esquece… Hugo terminou, perto do meu ouvido: — Aqui… qualquer erro custa mais caro. Um arrepio percorreu minha pele. Mas junto com ele… Veio outra coisa. Adrenalina. Porque no fundo… Eu sabia. Aquilo não era só uma viagem. Era um novo jogo. E Paris… Não era segura.
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