A manhã ainda estava silenciosa.
A luz entrando suave pelas cortinas.
Tudo calmo.
Tranquilo.
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Eu despertei devagar.
Ainda meio sonolenta.
Virei o rosto no travesseiro…
E então meus olhos desceram.
Pro chão.
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E eu vi.
Duas máscaras.
Caídas.
Lado a lado.
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Meu coração disparou na hora.
Forte.
Alto.
Descompassado.
Os olhos se arregalaram.
Por um segundo…
Só um…
Eu fiquei ali.
Imóvel.
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Era a de Caio.
E a de Hugo.
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Meu corpo travou.
Minha respiração ficou presa.
Porque eu sabia.
Se eu levantasse um pouco o olhar…
Só um pouco…
Eu veria.
Finalmente.
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Fechei os olhos na mesma hora.
Rápido.
Quase em desespero.
E virei o rosto.
Puxando a coberta.
Escondendo metade do meu rosto.
Como se aquilo fosse me proteger…
Ou talvez…
Proteger eles.
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Silêncio.
Mas agora…
Pesado.
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— Não olha.
A voz de Noah veio rápida.
Acordando no susto.
— Agora não.
Caio também se mexeu.
Percebeu na hora.
Hugo puxou o ar.
Tenso.
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Eu não me mexi.
Só falei baixo.
— Eu não tô olhando…
Minha voz saiu… estranha.
Baixinha.
Controlada demais.
— Pode ficar tranquilo.
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O colchão se moveu.
Rápido.
Eles levantando.
Pegando as máscaras.
O som do tecido.
Do movimento apressado.
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Eu continuei de olhos fechados.
Mas agora…
Totalmente acordada.
Sentindo tudo.
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— Eu vou pro banheiro…
Falei.
Ainda sem abrir os olhos.
Sem olhar.
Sem arriscar.
Levantei devagar.
Com cuidado.
Como se qualquer movimento errado…
Quebrasse alguma coisa.
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Passei por eles.
Sentindo a presença.
A tensão.
Mas sem olhar.
Nem por um segundo.
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Entrei no banheiro.
Fechei a porta.
E aí…
Respirei fundo.
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Apoiei as mãos na pia.
Olhei meu reflexo.
E soltei o ar devagar.
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Eu tive a chance.
Finalmente.
Depois de tanto tempo.
Depois de tanta curiosidade.
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E eu não olhei.
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Fechei os olhos por um segundo.
Mas dessa vez…
Não foi por impulso.
Foi escolha.
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— Eu prometi…
Murmurei pra mim mesma.
Mas no fundo…
Meu peito apertava.
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Porque não era só curiosidade.
Era mais.
Era querer ver.
Conhecer.
Sentir que não tinha mais barreira.
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E naquele momento…
A barreira ainda estava lá.
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Do outro lado da porta…
O silêncio continuava.
Pesado.
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Quando voltei…
Eles já estavam de máscara.
Como sempre.
Impecáveis.
Intocáveis.
Mas…
Diferentes.
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O clima estava estranho.
Caio foi o primeiro a falar.
— Você podia ter olhado.
Olhei pra ele.
Direto.
— Mas eu não quis.
Silêncio.
Noah inclinou levemente a cabeça.
— Por quê?
Respirei fundo.
— Porque eu disse que ia esperar.
Minha voz firme.
Mas baixa.
— E eu não quero que seja assim.
Hugo deu um passo à frente.
— Assim como?
Engoli seco.
— Sem vocês estarem prontos.
Silêncio.
Mas dessa vez…
Mais profundo.
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— Mas eu queria…
A frase escapou.
Baixinha.
Sincera.
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Os três ficaram imóveis.
Sentindo aquilo.
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— Eu queria muito.
Agora não dava mais pra esconder.
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Caio se aproximou.
Devagar.
— A gente sabe.
Noah completou:
— A gente viu.
Hugo finalizou:
— E foi por isso que você não olhou.
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Desviei o olhar por um segundo.
Porque no fundo…
Doía.
Um pouco.
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— Só que…
Minha voz falhou levemente.
— Às vezes parece que vocês confiam em mim…
— Mas não confiam o suficiente.
Silêncio.
Pesado.
Real.
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Eles trocaram um olhar.
Diferente dessa vez.
Menos controle.
Mais… impacto.
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Caio segurou meu queixo com cuidado.
Levantando meu rosto.
— A gente confia.
Noah:
— Mais do que em qualquer pessoa.
Hugo:
— Justamente por isso.
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Mas dessa vez…
Eu não respondi na hora.
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Porque mesmo entendendo…
Mesmo aceitando…
Ainda assim…
Doía um pouco.
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E eles perceberam.
Na mesma hora.
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O silêncio voltou.
Mas agora…
Carregado de algo novo.
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Não era distância.
Mas também…
Não era paz.
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Era aquele meio termo perigoso.
Onde sentimento cresce…
E começa a pesar.