Capítulo 37

864 Words

Trancada em seu quarto, Débora encostou a testa no espelho frio do banheiro, observando o rubor em suas bochechas desaparecer lentamente. Ela tinha fugido. Tinha descido aquela escada e deixado Leo pulsando no vazio, não por virtude, mas por medo. Sua mente voltou para a noite do enterro. A noite no quarto. Aquela lembrança era um borrão quente e violento, manchado pelo gosto de uísque barato e luto insuportável. Naquela noite, ela tinha ido até o fim. Ela tinha se aberto, tinha implorado, tinha sangrado e gozado enquanto ele a destruía. Mas naquela noite, ela estava bêbada. Seus sentidos estavam nublados, amortecidos pela química do álcool e pelo choque da morte. Ela podia culpar o uísque. Podia dizer a si mesma, nas horas escuras da madrugada, que não era ela ali, era uma versã

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