A lembrança da noite anterior não veio como um flash, mas como um lodo grosso que subiu por sua garganta. A punição. A aniquilação. O grito que ela mordeu no colchão. Ela se sentia como um navio afundado, oco e cheio de água escura. A culpa era uma âncora, mas a fome era uma necessidade. Ela não comia de verdade há dias. O álcool havia deixado seu estômago vazio e ácido. Ela se vestiu no silêncio da casa, esperando a qualquer momento ouvir o choro da sua mãe no quarto ao lado. Mas não havia nada. Apenas o silêncio dos sedativos. Quando desceu, a casa estava quieta, mas de um jeito diferente. Não era o silêncio da morte; era um silêncio... doméstico. O cheiro que a atraiu não era de café velho, mas um café bem fresco. E bacon. Ela parou na porta da cozinha. Leo estava de costa

