Cap. 1
— Não pretendo me casar, e as senhoras sabem disso. - Disse Tristan enquanto girava a cadeira de maneira relaxada.
Elois estava rindo disfarçadamente em um canto da sala. Amava vê-lo sendo importunado.
Tristan jogou uma bolinha de papel no primo e arrancou uma risada da mãe e da tia que não o deixavam em paz. Jenna e Estela queriam casá-lo de toda forma e não aceitavam não como resposta.
— Sabe que provavelmente seu filho fala sério, não é Estela? .- Perguntou Jenna, tia de Tristan. Elois riu do comentário da mãe e levou mais uma bolinha de papel na cabeça.
— Não posso fazer nada se elas estão certas meu primo. Deveria se casar.
Tristan revirou os olhos.
— Matriarcas e um primo traidor. Quem deve se casar é Elois, e somente ele. Não tenho um título a ser passado, portanto, nenhuma obrigação de ter herdeiros, mas, querida mãe, caso queira desesperadamente um neto, posso facilmente e prazerosamente providenciar com alguma bela soprano. - Ele arqueou a sobrancelha desafiador.
Estela abriu o leque para se abanar em um claro gesto de drama.
— E se algo me acontecer, o título vai para você. Se esqueceu dessa parte?
Elois era o homem mais velho que sobrara da família, portanto, herdara o título de visconde, mas Tristan era o próximo na fila de sucessão.
— Não diga bobagens. - Interveio Jenna.
Elois levantou a mão em sinal de pouco caso.
— E de toda forma, existe alguém no qual estou interessado. Ela é a mulher mais bela que já vi.
Jenna e Estela estreitaram os olhos para Elois e voltaram a atenção para ele. Tristan abriu um sorriso satisfeito, enfim a atenção saíra de cima dele.
— Ótimo, conte-as sobre a bela dama Elois. Tenho assuntos a tratar, não me esperem para o jantar. - Tristan se levantou e saiu rápido demais, antes que algum deles pudesse contentar.
Elois porém o fitou com seus pequenos olhos azuis, se pudesse, matava o primo.
— Maldito. - Sussurrou e para sua sorte, não foi ouvido por nenhuma das viúvas que o encaravam ansiosas.
~
Tristan virou mais um copo de brandy e depositou mais uma carta na mesa. Estava aonde sua mãe mais detestava que ele estivesse, em uma taberna que fedia a homens bêbados.
— Ganhei mais uma vez. - Disse com uma voz irônica para o grande homem a sua frente, para seu grande azar, o homem não havia gostado nem um pouco dele.
O homem em questão de levantou e jogou a mesa no chão, ele apontou o dedo para Tristan e semicerrou os olhos.
— Está roubando. - Disse em tom acusador.
Tristan assustou-se com a acusação do homem, dessa vez, realmente não havia roubado.
— Não preciso roubar, até uma criança ganharia do senhor. - Tristan o encarou com seus belos par de olhos verdes que geralmente encantavam qualquer mulher. Com seu cabelo preto um pouco maior que o convencional, pele alva e músculos muito bem definidos, qualquer mulher de Londres o queria como marido e ele sabia disso ...
O homem deu um passo em direção a Tristan e Tristan deu dois em direção ao homem mesmo sabendo que seria uma luta bem injusta.
— Não no meu bar. - Um senhor interveio. — E nem em lugar algum. Vá para casa Sebastian, já bebeu demais por hoje.
Sebastian deu uma última olhada para Tristan e a contragosto foi levado até a saída. O dono do bar de voltou para Tristan.
— Creio que o senhor também já bebeu demais.
Ele revirou os olhos, tirou do bolso algumas libras e colocou em cima do balcão.
— Tenha uma boa noite. - Falou antes de sair m*l humorado do bar.
Tristan estava caminhando lentamente pelas ruas de Londres, ele sempre tinha o hábito de fazê-lo para tomar um pouco de ar fresco.
— Solte-me maldito. - Ouviu uma mulher dizer.
Podia ser um homem briguento, um grande libertino e até irresponsável as vezes, o que até era aceitável para um homem de vinte e dois anos, mas nunca seria capaz de deixar uma mulher em apuros. Tristan seguiu até onde vinha o barulho e se maravilhou com a cena que vira.
Uma bela jovem de cabelo tão loiro quanto o raiar do sol segurava uma pequena lâmina e apontava ferozmente para dois homens gigantes.
— Ousem tentar me tocar que os matarei. - Disse entredentes.
Tristan reprimiu a risada e pigarreou.
— Não deviam enfrentar alguém do seu tamanho? .- Perguntou com um sorriso nos lábios.
Os dois homens se viraram para Tristan e seguiram em sua direção. Tristan nunca fora muito bom de braço e sabia que não poderia lutar contra dois homens, então, ele esperou que eles chegassem perto o suficiente e os acertou bem no meio da perna - o que ele sabia que doía muito. -
A moça o encarou com seus olhos azul piscina.
— O que fazemos agora? .- Perguntou assustada enquanto olhava os homens se contorcendo no chão.
— Sugiro que corramos.
E assim fizeram, Tristan e a bela mulher - que ele decidiu que seria sua esposa - correram freneticamente pelas ruas de Londres. Quando pararam, pararam em uma praça movimentada e ambos caíram na risada.
— A senhorita desejava mesmo amedronta-los com sua ... sua ...
— Meu estilete e eu os amedrontei. - Ela abriu um sorriso que fez o coração dele parar. Por Deus, só podia ser um anjo.
— Estou certo de que a senhorita teria mesmo dado conta.
As bochechas dela ganharam um tom avermelhado, o que a deixou ainda mais encantadora.
— Eu não teria dado conta sem a ajuda do senhor, sejamos sinceros.
Ela virou o pescoço.
— Oh ... Serei de fato eternamente grata, e ali está a carruagem. Mais uma vez, obrigada.
— Diga-me ao menos seu nome. - Gritou.
A bela garota saiu correndo para pegar o transporte público e deixou Tristan maravilhado para trás. Ela voltou sua atenção para ele enquanto subia a escada.
— Srta. Cavendish. - Gritou antes de entrar totalmente e ficar fora de sua vista.