7- Quem tem medo do escuro

1323 Words
Grace conta animada sobre a entrevista, corando ao falar sobre os elogios do reitor sobre suas notas no ensino médio, mesmo ainda faltando as provas finais ela já tem média para passar até sem fazer as últimas provas. - Britanny está pendurada em todas as matérias, menos nas matérias da megera que acho que lhe dá pontos por babar seu hábito! Fala Nina rindo da loira i*****l, que acha que o mundo gira ao redor de seu umbigo. - Fala baixo, se alguém escuta irmã Frederica é capaz de nos arrancar a pele com a régua! Grace fala assustada, das duas ela sempre foi a mais medrosa . Como que adivinhando os temores de Grace o som de passos no corredor as faz ficarem em silêncio no escuro, ambas sabem que as regras a respeito do horário para dormir são rígidas. Os passos parecem seguir na direção do porão e ambas se olham pensando a mesma coisa, não pode ser a temida irma Frederica, o acesso à aquela ala só é permitido ao Padre Carras e a madre superiora, além da doce irmã imaculada. Quando o barulho cessa as duas moças ainda passam mais alguns minutos em silêncio, sabendo que seja lá quem for pode retornar e nenhuma das duas quer ganhar um sermão ou uma punição. - Você fará as aulas daqui do convento também? Nina pergunta aso sussurros para a amiga. - Sim... mesmo titia dizendo que eu devo experimentar a vida lá fora ... quero mesmo ser uma das postulantes! - Que bom que ira fazer, meu pai exige que eu estudei tudo que seja referente a teologia, achei que ficaria sozinha com as outras nas aulas! Ela fala se referindo a algumas meninas que tem a intenção de tomar o hábito, seja lá por que motivo alguém iria querer algo assim! Nina não consegue compreender, tudo que ela queria era poder estar indo a festas e conhecendo rapazes, até sua melhor amiga quase uma irmã, só pensa em viver pra sempre entre aqueles muros de pedra sombrios. Um novo barulho e um assovio de uma música estranha fazem as duas se calarem novamente, mas nenhum passo avança. Grace faz sinal a Nina para que durmam, além de ser muito tarde, ela não quer se meter em problemas, ainda mais agora que sua tia resolveu lhe impor a ""experiência"" da vida lá fora. Quando Grace pega no sono Nina ainda permanece acordada, o barulho a intrigando. Reunindo coragem e se preparando para não fazer nenhum barulho, ela se levanta vestida com sua camisola de malha, indo até a porta de forma silenciosa ela abre uma pequena fresta, somente o necessário para espiar quem está andando aquela hora da noite pela parte proibida do imenso convento. Por alguns segundos ela não vê e não escuta nada, a escuridão do corredor impedindo que sua vista distingua algo, mas ao se acostumar com o escuro ela escuta novamente o assovio, Nina não sabe se assustou com o barulho que lhe lembra alguma música ou com a silhueta de um homem no fim do corredor. Definitivamente não era o padre Carras! Mesmo no escuro parecia alguém mais jovem e com cabelos um pouco crescidos do normal de um corte masculino, a estatura muito alta também lhe confirmando não ser o pequeno e um pouco barrigudo padre de idade um pouco avançada. Curiosa ela tenta focar melhor a visão, pensando em chamar Grace ela olha para a cama que a amiga está dormindo, quando volta seus olhos novamente a silhueta já não está mais lá. Um pouco receosa mas julgando a si mesma, ela volta pra cama pensando que pode ser o tal novo padre que está para chegar para as aulas de filosofia e teologia. Talvez o novo frei que irá ensinar matemática avançada para as postulantes que vivem em outra ala do convento. Ela logo afasta essa possibilidade pois soube que o frei é tão velho quanto Matusalém. Sem ao menos perceber ela faz um sinal de proteção Mayombe, logo depois se sentindo uma b***a por estar com medo de algo ali no convento. ********************************** - O que você esta fazendo aqui Miguel? Se queria companhia era só ter me chamado usando isto! Padre Carras fala levantando o celular é apontando o ícone do aplicativo de mensagens. Poucos meses atrás ele presenteou Miguel com um igual, tanto para ele lhe chamar com facilidade em alguma necessidade, quanto para o rapaz ter alguma distração. Eu ... sonhei com minha mãe, mesmo tendo a foto dela que o senhor me deu.... no sonho eu não conseguia ver seu rosto! O rapaz fala com o semblante angustiado. Padre Carras fica alguns minutos em silêncio pensando em Maria e no quanto a sua chegada mudou sua vida e sua fé, além de sua forma de encarar o mundo... o mal.... e o amor. Suspirando Carras sabe que precisa mais uma vez repetir uma das muitas histórias sobre a moça, seu filho parece não se cansar de ouvi-las e sempre lhe faz perguntas que despertam sua percepção para detalhes que lhe escapavam do cenário das lembranças. - Sua mãe era a mulher mais amável e doce que já conheci! Foi como uma filha para mim! - Por que ninguém acreditava nela? - Miguel ... quem acreditaria em uma mulher dizendo que se apaixonou por Lúcifer e que estava gerando um filho dele? Você nunca viveu lá fora, as pessoas acham que tudo que a igreja diz são somente fábulas! Ele fala pela centésima vez com paciência. - Então ela amou o meu pai ? Porque não ficaram juntos e ele a protegeria, já que dizem que ele é tão poderoso? Ele faz a mesma pergunta que faz à anos, já sabendo a resposta mas disposto a conseguir pegar alguma nuance nova que lhe dê margem para perguntar mais coisas ao Padre, ressuscitando assim sua memória. Carras sorri divertido, o velho jogo entre eles nunca mudando e surpreendentemente sempre dá certo para o rapaz de olhos mais velhos que sua idade. Carras pensa com ironia que essa astúcia ele deve ter herdado do pai, afinal seu pai foi um dos mais poderosos, belo e inteligente como nenhum outro. E o rapaz a sua frente com seus mais de um metro e oitenta certamente herdou a beleza do pai, embora Maria fosse muito bela, em nada se assemelhava ao rapaz! Somente sua predisposição para amar e sua curiosidade... Carras tendo criado Miguel, sabe melhor do que ninguém o quanto ele tem um coração puro, embora seja esperto e ardiloso quando quer algo, mas nada que remeta a maldade! - Ela queria meu filho ... acredite! Ela verdadeiramente o amou, só não sei se ele à amou do mesmo jeito? - Como ela pode amar ... um demônio? Ele pergunta enquanto Carras o observa tentando avaliar se é mais um jogo para ter mais pontinhas de informação, mas sua expressão demonstra uma insegurança que não lhe é comum. - Eu nunca o vi .... Carras fala reprimindo a vontade de fazer o sinal da cruz antes de continuar. - Mas sua mãe parecia ter visto algo bom nele... pelo menos seu principal argumento era que nós seres humanos somos perdoados pelos atos mais falhos, erramos mesmo sem sermos maus... ela achava que ele tinha algo de bom e merecia o perdão, e teve maior convicção ainda quando os irmãos dele .... Miguel aguarda que Carras complete o que estava dizendo, mas ele encerra o assunto abruptamente sempre que fala do ferimento que tirou a vida de sua mãe. Dando a desculpa do horário ele o manda voltar para seu quarto e seu espaço privado. - Não há perigo! Essa hora as preciosas crianças que não sabem da existência do m*l encarnado estão dormindo! Ele fala de forma sarcástica se arrependendo logo em seguida, o padre só quer protegê-lo, na verdade padre Carras parece querer proteger a todos que lhe chegam ....
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