Capítulo 01: Novo no Inferno
Há muito tempo a justiça humana falha em punir os ímpios que se levantam contra aqueles que apenas buscam viver sem afetar os que lhes cercam. Eu, no entanto, busquei subir na sociedade até chegar a esse momento...
"Lá estão eles", penso ao vislumbrar a viatura da oficial Graham estacionar no deserto à minha frente, a poeira amarela atrás do veículo cobre a visão de parte do horizonte. Os policiais e sua superior descem com um homem algemado, o mesmo está chorando de desespero, tão alto e escandaloso que m*l consigo conter meu sorriso de lado.
Sou Yvo Salles, dono da maior agência jurídica de aprisionamento de maus feitores, estou trajando um conjunto de sobretudo preto que balança suave com a brisa quente que acaba de soprar sob o local; atrás de mim existem dois soldados passudos vestidos com uniformes vermelhos, atrás dos mesmos há uma gigantesca construção talhada na rocha de uma montanha. A maior e mais segura prisão da Terra, meu amado local de trabalho e fonte de todo o meu amor, meu glorioso Inferno. O portão de ferro atrás de nós está aberto e possuí mais de sete metros de altura, as gravuras talhadas na superfície do mesmo lembram o inferno mitológico, a cor avermelhada do ferro parece atiçar o desespero da triste alma que está sendo arrastada até nós.
- NÃO.... - Grita o condenado ao choramingar feito um doente mental, meu coração acelera de excitação por imaginar tudo o que faremos com esse crápula. O mesmo está completamente despido e seu semblante exibe pânico puro, dois policiais homens seguram seu corpo ao arrastá-lo até nós, mantendo-o suspenso no ar. - Pelo amor de Deus, não me deixem aqui.... Por favor senhorita Graham... - Implora ao ranger os dentes, lágrimas escorrem por sua face magra e m*l tratada pelo tempo. A oficial Graham se esforça para não titubear em entregar o miserável a nós, em poucos instantes os entregadores se posicionam a menos de um metro de nós.
- Felicitações minha cara tenente! - Digo ao dar as boas vindas, a mulher engole em seco, duvidando da decisão do juri ao permitir a existência e o funcionamento da minha prisão. Meu peito se enche de orgulho ao me recordar do fato de que nenhum condenado jamais saiu do meu glorioso Inferno, nenhum homem ou mulher viu a luz do Sol após descer para o subterrâneo do meu domínio e tudo o que ocorre aqui é protegido por lei, afinal, quem defenderi um m*l elemento?
- Senhor Salles, esse homem foi preso por ter estuprado duas crianças no período de duas semanas, eram um garoto de seis anos e uma garota de dois anos. O juiz determinou que seus atos hediondos eram demais para uma prisão comum, então, ao invés de ser penalizado da maneira tradicional, o juri e todo o governo do Brasil decidiu que o mesmo fosse condenado ao Inferno, tens toda a liberdade jurídica para decidir qual será o destino desse monstro! - Discursa lindamente, seu pulso parece estar controlado, mesmo que seja óbvia a sua dúvida.
- Bem, já que tudo está nos conformes... - Digo com minha voz grave e sombria um segundo antes de direcionar meu olhar frio e c***l para o miserável ao lado da tenente, os policiais seguram seus braços com força ao mantê-lo imóvel, seu choro apavorado me excita tanto que sinto meus batimentos cardíacos acelerarem ainda mais. - Rapazes, levem-no para baixo! - Completo sem tirar meus orbes azuis e crueis do miserável cuja genitália balança conforme treme de horror, meus lacaios passam por mim e pegam o m*l elemento, direciono meu olhar para a tenente e me seguro para não gargalhar de prazer, os rapazes adentram o grandioso portal vermelho e somem na escuridão do local de péssima iluminação. - Até breve! - Afirmo ao lhes dar as costas, a tenente respura incomoda por alguns instantes, o som da sola de minhas botas de cano longo tocando o chão de areia quente se sobressai.
- Senhor Salles... - Começa ao chamar minha atenção, paro de andar e me viro para a tenente que parece estar soando frio. - Não sou de defender bandidos, mas um dia vou conseguir convencer a sociedade de que o que acontece aqui é pior do que qualquer pesadelo, mesmo que o mundo ainda não saiba nada sobre seu domínio! - Completa ao quase gaguejar.
- A humanidade devia me agradecer por ter construido esse lugar, o crime e os horrores do mundo estão diminuindo drasticamente desde que fundei este lugar, só é uma lástima que vocês só encontrem esses infelizes após cometerem seus atos deoentios! - Retruco ao falar com frieza em minha voz sombria.
- Não sei se isso é realmente bom, na verdade, nada nesse lugar é bom! E no fim, talvez senhor Salles, você não seja tão diferente deles! - Retruca ao tentar me amedrontar.
- A lei não parece pensar assim. Afinal, sua preciosa crença de humanidade é o que causa o nascimento desses monstros! - Afirmo ao proclamar minhas últimas palavras, me viro e caminho em direção ao grandioso portão vermelho.
- UM DIA, SENHOR SALLES, ESVAZIAREI O INFERNO E ACABAREI COM SEU REINADO DE LOUCURA! - Brada a mulher de pele n***a ao bradar com confiança; mesmo que suas palavras me tentem a retrucar, mantenho a calma e continuo andando, começo a cantarolar usando asssovios, a melodia macabra que saí dos meus lábios parece selar os lábios presunçosos da tenente. A brisa quente faz a poeira amarela criar uma cortina ao meu redor enquanto desapareço dentro da escuridão do portão. Meus lacaios acionam o mecanismo de tranca e as enormes portas vermelhas começam a se fechar lentamente, minha palpitação começa a se equilibrar, meu estômago é preenchido por ansiedade, algumas luzes artificiais de intensidade extremamente fraca e coloração vermelha se ascendem no exato instante em que o portão se fecha por completo, os gritos de agonia que tanto amo ecoam fracos pela atmosfera escura do local talhadao em rocha.
"É hora de punir um novo condenado!", penso ao sorrir malicioso, a escuridão ao meu redor se mescla as minhas vestes ao me ocultar da visão de qualquer um que me observe.