Victória.
Cá estou eu no trabalho, muito corrido, tenho que me virar em dez aqui, exploração que fala né? Tenho que atender clientes, fazer faxina e até dar uma de caixa, porque a Samantha não faz p***a nenhuma já quê é a filhinha do chefe, um saco isso.
Tô com uma barriga grandinha já, 5 meses, pesando bastante. Todo dia aguentando a minha mãe passar na minha cara que estou lá de favor, muito chato isso, me deixa m*l pra c****e, mas é isso aí, enquanto eu não conseguir um emprego melhor eu aguento o que for necessário, pelo bebê, apenas por ela.
Já deu o horário de ir pra casa então apenas fechei a loja sozinha e fui embora, a filha do dono sempre sai mais cedo, pra onde? Não sei e nem me importa pra ser sincera. Todos os dias eu volto caminhando pra casa, de alguma forma acho bom já que tenho um pouco de tempo pra pensar, a parte r**m é que chego em cerca de poucos minutos.
Atravessei a rua e suspirei vendo que já estou de frente a "minha" casa. Peguei a minha chave e abri a porta de casa, entrei e já vi a minha mãe com cara feia, ô mulher amargurada, não sei pra que tanta magoa e frustração.
-Senta aí que eu quero falar com você- mandou apontando pro sofá.
Apenas me sentei calada, olhei bem pra sua cara, ela como sempre olhando pra mim com nojo, depois que eu engravidei ela pegou raiva da minha cara, me mandou até abortar, mas eu não vou fazer isso com a minha filha. Já sinto que não vem coisa boa.
-Pode falar- disse em um suspiro.
-Vai arrumando suas coisas, não quero mais você na minha casa e ainda mais essa criança que logo logo irá nascer, mais uma pra dar trabalho- falou praticamente cuspindo as palavras em mim.
-Mas pra onde eu vou?- perguntei já querendo chorar.
-Se vira, dê seus pulo, vai rodar bolsinha, vai bater ponto no sinal, ou vai pro Rio morar com a sua prima, se você tiver dinheiro né- falou em um tom de nojo e deboche.
-Eu vou pra bem longe de você, porquê qualquer canto desse mundo é melhor do que ficar perto de ti, aguentando todas as humilhações que eu passo todo santo dia- falei já com os olhos cheios de lágrimas.
Ela deu risada e eu saí de lá pisando fundo, corri pro meu quarto, arrumei minha mala com todas as minhas coisas, arrumei tudo que a minha cria já tem oque não é muita coisa, peguei o dinheiro que guardei pra quando minha princesa precisasse, coloquei na bolsa também.
Entrei em sites de viagens e comprei a minha passagem pro Rio, mandei mensagem pra minha prima avisando que amanhã eu chegaria lá, ela disse que tudo bem e ia adorar morar comigo, só não curti a parte de ser em um morro, mas no estado que estou não posso reclamar de nada, muito menos exigir.
Amanhã cedo vou no trabalho acertar as contas com o dono dá loja, tentar conseguir uma grana pelo menos, e depois partiu aeroporto, tantas mudanças de uma hora pra outra. A minha cabeça está uma zona, tentando assimilar tudo.
Para tentar me acalmar um pouco resolvi tomar um banho, fui até o banheiro, tirei a minha roupa e pendurei em um gancho. Fui para de baixo do chuveiro e senti a água gelada cair sobre o meu corpo me causando mais frio.
Tem sido dias bem gelados aqui em São Paulo, pra piorar o chuveiro daqui não é elétrico. Passei o sabonete e em seguida tirei com água. Depois de terminar o meu banho, me enrolei em minha toalha branca e já aproveitei pra escovar logo os dentes.
A minha "Mãe" conseguiu até me fazer perder a fome. Sai do banheiro e voltei para o meu quarto, sentei na cama e olhei pra minha barriga que está grandinha, só consigo pensar "vou cuidar de você meu amor, a mamãe ainda vai te dar muito orgulho".
As vezes acabo caindo no choro em meio a tantos pensamentos. Respirei fundo e levantei, peguei um pijama de frio, no caso uma calça moletom e uma blusa de manga comprida, coloquei minhas meias e deitei na cama me enrolando com o meu edredom. Ao menos aliviou o frio.
Fechei meus olhos e esperei o sono me pegar, infelizmente demoro um pouco já que a minha ansiedade insiste em me perturbar...
No dia seguinte...
Acordei bem cedo, me arrumei e fui na loja. Consegui resolver tudo o que tinha pra resolver, peguei minha grana, arrumei minhas malas e agora estou no aeroporto, sinto um alívio no peito.
Liguei pra minha prima e ela disse que vai ser um prazer ter minha companhia na casa dela, e que ela vai amar me ajudar a cuidar da bebê comigo. Ela sim é uma pessoa que fecha comigo 10/10, nem minha mãe foi assim comigo... se é que podemos chamar de mãe, eu jamais faria o que ela fez com a minha filha.
Mas a partir de hoje, tudo vai ser diferente! Vou conquistar minhas coisas e cuidar dessa criança!
Não quero me relacionar com ninguém, isso vai me desviar dos meus objetivos e não é oque eu preciso no momento.
Depois que eu entrar no avião, minha vida vai ser outra, completamente diferente...