Capítulo 4

1052 Words
Victória. Enquanto eu estava dentro do avião, ia mandando mensagens pra minha melhor amiga Diane, ela teve um mini surto quando eu avisei que já estava no avião indo pro Rio, por uma grande conhecidencia para o mesmo morro que ela mora. Ela insistiu muito para que eu ficasse em sua casa, mas eu não me sentiria a vontade, ela me disse que mora com o irmão e a cunhada vaca, já estou vendo que também não vou ir com a cara dessa mona. É melhor eu ficar na casa da minha prima mesmo, assim é menos vexame. Novos ciclos irão vim, confesso que estou com medo, de não conseguir ser forte o suficiente, de não conseguir dar uma vida boa pra minha filha, esses pensamentos acabam comigo, mas eu vou ser forte, não por mim, e sim pela minha princesinha. Ouvi a aeromoça avisando que o avião já iria pousar e senti um frio na barriga, me ajeitei naquela poltrona e fiquei ansiosamente esperando ele parar. Em questão de minutos eu já estava a procura da minha prima, vi ela de longe com aquelas tranças vermelhas, não lembrava que ela era tão linda assim, tenho a quem puxar... Corri até a mesma que me abraçou forte, olhei pro lado e vi o namorado da Laís, é um gato, todo tatuado. Fomos até o carro e sentamos no banco de trás enquanto o Danilo vulgo DN dirigia. Colocamos muitos assuntos em dia, até ela tocar no assunto do "Quem é o pai?" Eu sou o pai, e também serei a mãe dela, não é óbvio? A curiosidade das pessoas chega a ser chato demais. Nem cheguei direito nesse lugar e já estou pensando em trabalhar e ter logo a minha independência. Encostei a cabeça na janela do carro e fiquei observando todo o caminho que estamos passando. O rio de Janeiro é um lugar lindo, a única parte r**m é que é muito perigoso. Não sei se eu teria coragem de andar por aqui sozinha. A maioria dos bairros aqui são favelas e as casas ficam empilhadas em morros. -Já estamos perto de chegar no morro- Laís comentou. -É uma menina ou um menino?- DN perguntou puxando assunto. -Uma menina- comentei com a mão na barriga. -O que você acha da gente marcar um chá de bebê?- a Laís perguntou empolgada. -Se eu conseguir um emprego, a gente faz- argumentei. -Aí prima, não é querendo te desanimar, mas vai ser difícil pra você conseguir um emprego estando gravida- Laís admitiu e eu engoli em seco. -Pior que eu já sei disso, mas seja lá o serviço que aparecer, eu irei, tenho que fazer pela minha filha- admiti. Ela deu um sorriso de lado e alisou o meu ombro em forma de apoio. As vezes me pego com medo de fracassar como mãe, não trabalho e não consegui ao menos um pai de verdade pra minha filha... Entramos no morro e tinha vários caras armados, fiquei com um p**a medo mas liberaram a passagem da gente super rápido, a Laís me contou que o boy dela é envolvido... Não sou acostumada a ambientes assim, apenas vi na TV, nada contra, aqui é lindo, não é só a violência que falam nas reportagens, violência? Em todos os lugares desse mundo tem, porém sempre sobra para o lado mais fraco. O DN parou o carro e descemos já tirando as minhas malas, que comece uma vida nova. Entrei em casa arrastando uma mala enquanto a Laís trazia o resto com o DN. Coloquei tudo no meu quarto, não é um quarto grande, mas já é muito pra mim, aqui só tem um guarda roupas pequeno e uma cama de solteiro, só isso e o quarto já está apertado, não dá mais nada. ... Levei um tempinho pra terminar de arrumar todas as minhas coisas, escutei a Diane gritar no portão e corri, quando abri ela pulou em mim, nem parece que ela sabe que eu estou grávida. Vi a Laís aparecer e arregalar os olhos quando viu a Diane, confesso que fiquei sem entender. -Vocês se conhecem?- Laís perguntou surpresa. -Sim, mas era virtualmente, graças a Deus realizamos o sonho de se ver pessoalmente- disse abraçando a Di de lado. -Mas porque o espanto? -É porque eu sou a irmã de um traficante super perigoso, no caso o dono do morro, como eu já tinha te falado- Diane comentou. -Não é nada contra você, tem cara de ser simpática, só fiquei surpresa com tamanha conhecidencia- argumentou Laís com um sorriso simpático. -Prevejo um trio pesado ai- falou DN saindo. Nós demos risada e começamos a conversar sobre todos os tipos de assuntos. Vi o celular da Diane tocar pela quarta vez e ela atendeu, só ouvi um gritão de homem saindo daquele celular e olha que nem estava no viva voz. "Quando eu ligar, atende esse c*****o, tá maluca" o cara gritava no celular, a mesma apenas revirava os olhos. Provavelmente é o irmão dela, que cara bruto, não tem a mínima necessidade dele tratar a mesma assim. Que família viu, ela respondeu super calma e em seguida desligou o celular respirando fundo. -Tá tudo bem, relaxa, seu irmão é um grosso, mas um dia ele aprende- falei alisando suas costas e ela sorriu fraco. -p*u no cu dele, quero açaí, a Diane vai ser a pagona de hoje- disse Laís acabando com o clima chato. -Hoje é por minha conta, mas dá próxima a Lais que vai pagar- Diane falou com um sorriso. Nem deu tempo de trocar de roupa mas ok, fomos até uma praça onde tinha algumas crianças brincando, a Diane comprou três açaís com creme de ovo maltini, é muito bom. Fazia tempos que eu não tomava um açaí tão bom igual a esse. Parece que tudo vai melhorar, ou é apenas uma ilusão da minha cabeça. Espero que tudo se ajeite o mais rápido possível. -E pensar que até ontem eu não tinha nenhuma amiga nem pra ir na esquina- Diane comentou. -Agora cê tem duas- Laís afirmou. -Duas e meia- comentei me referindo a pequena que está no forninho. -Verdade, tinha até esquecido da nossa pequena. A Diane colocou na cabeça que vai me levar na casa dela, mesmo eu já tendo avisado que não é uma boa ideia...
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