Como tudo começou

1973 Words
Eu era a nova assistente da equipe comercial e como eu falava inglês e espanhol, sempre era chamada para fazer as atas das reuniões dos grandes figurões. — Vanessa, eu estou me sentindo m*l. Preciso que vá em uma reunião em meu lugar — disse a Sabrina, que nitidamente estava de ressaca. — Claro, Sabrina. Eu preciso fazer a ata de qual reunião? — Perguntei. — O Dr. Costa vai receber um cliente espanhol e apesar dele conseguir se comunicar, não entende o suficiente para entender os contratos. Você vai ajuda-lo. — Oi? Você está falando do Presidente Costa? Se eu fizer merda ele me manda embora. — Então não faça, docinho. Ah, a reunião é daqui a vinte minutos. Droga! Eu gostava da Sabrina, mas ela sabia me irritar. Eu, uma simples assistente ia trabalhar ao lado do dono da coisa toda. *** Quando a reunião começou, acho que o meu coração batia tão forte que todos podiam escutar, mas eu fazia o meu melhor para não deixar transparecer o que eu estava sentindo. — Creo que podemos firmar los contratos hoy, ¿qué tal eso? — disse um dos advogados que estava na reunião e tentava nos pressionar para fechar o contrato. — Lo sentimos, pero necesitamos que el equipo legal intervenga antes de tomar cualquier decisión — intervi e percebi o olhar raivoso do homem em mim. — De acuerdo — respondeu secamente, já que não tinha outra alternativa. Eu estava nervosa, mas acho que me saí bem. Todos se levantaram para sair e então eu me aproximei do meu chefe e disse: — Vou retornar para o meu setor, se precisar de mais alguma coisa, estou totalmente à disposição. — Qual é o seu nome mesmo? — Me perguntou enquanto me lançava um olhar que eu conhecia muito bem. — Eu me chamo Vanessa, Dr. Costa. — Pode me chamar de Otávio, querida. Agora pode ir. Depois conversamos melhor. *** Depois de terminar a ata da reunião e manda-la para a secretária do Dr. Costa, fui almoçar, pois já era tarde e o meu estômago se contorcia de fome. Quando voltei, a Sabrina me olhava com os olhos assustados e foi logo me questionando. — Que merda você fez hoje? — Que eu saiba, nenhuma. Do que está falando? — O Dr. Costa não aceitou a ata enviada e mandou a pessoa responsável por fazer ir até a sala dele. — Merda! — Disse alto sem perceber. — Acho que ele vai te mandar embora. Que idiotice você fez, hein? — Eu preciso fazer uma ligação e subo para a sala dele. — Você não é nem louca de deixar ele esperando. Você vai agora mesmo — disse me empurrando para o elevador. Eu estava com medo e queria ligar para o Rick. Além de meu antigo chefe, também era o meu amigo e eu precisava da ajuda dele, pois eu sei que não estou sendo chamada porque cometi algum erro em uma ata de reunião. Que presidente de empresa perde tempo com esse tipo de coisa? Eu sabia que aquele olhar que ele me deu que era o motivo de eu estar sendo chamada lá, não que eu me ache a mulher mais linda e poderosa do mundo, mas sei reconhecer um olhar de desejo e pelo histórico do Dr. Costa, isso acontecia com mais frequência do que eu gostaria que acontecesse. — O presidente te espera — disse a secretária que me olhou como se eu fosse uma prostituta. Como o Rick não me atendeu, tive que entrar sozinha na toca do lobo. — Com licença, Dr. Costa. O senhor me chamou? Há algo de errado na ata da reunião? — Sente-se, querida. Espero que não tenha te assustado. E por favor, me chame de Otávio. Eu me sentei, mas a tensão era nítida em meu corpo. Eu sabia o que aquele i****a casado queria, mas torcia para estar enganada e no fim ser apenas uma bronca. — Vou ser direto com você... Te achei muito bonita e quero que me acompanhe essa noite. A gente pode tomar um vinho no restaurante que você quiser — disse sem pudor algum. — Desculpe, Dr. Costa... — Otávio, me chame de Otávio — me interrompeu. — Er... Me desculpe Otávio, mas eu não bebo e não gosto muito de sair. Fica para uma próxima. — Eu sei que você não tem ninguém e desde a hora que eu vi você encarando aquele advogado que não te tiro da minha cabeça. Fiquei imaginando que você ficaria linda na minha cama... Completamente nua. — Otávio, acho que o senhor não me conhece o suficiente. Não sou dessas. Não saio com homem casado. Se me dá licença, vou embora para o meu setor — disse e me virei, deixando o meu chefe lá, sozinho. Eu sabia que esse era o meu fim na empresa e por isso fui correndo até o Rick. — Eu estava em uma reunião, só vi a sua mensagem agora. O que aconteceu? Parece que viu um fantasma — o Rick perguntou com uma genuína expressão de preocupação. — Ele me chamou para sair. — Ele quem, Vanessa? — O Dr. Costa. — E o que você respondeu? — Como assim, Rick? Disse que não saia com homem casado. Não vai dizer que achou que eu ia aceitar? — Perguntei ofendida. — Olha... Sabia que não estava cometendo um erro ao te contratar. Daria um rim para ser uma mosca e ver o nojento do Otávio tomar um fora. Acho que foi a primeira. — Rick, eu estou desesperada porque vou perder o meu emprego e você com piadinha? — Fica tranquila, se ele te mandar embora eu te contrato. Agora lava esse rosto e volte ao trabalho como se nada tivesse acontecido. Aquelas najas do seu setor não merecem te ver sofrer. Depois de estar relativamente arrumada, voltei para o setor comercial e dei graças a Deus por não encontrar a Sabrina. Assim que sentei na minha mesa, que ficava separada das outras por uma espécie de box de vidro, percebi que havia uma única rosa em cima da minha mesa com um bilhete. “Não precisa ficar com medo. Não vou te tirar do seu emprego, mas saiba que em breve você vai ser minha.” ***** Dias atuais... Eu não gosto de beber, mas ultimamente tenho tomado mais porre do que tomei na minha vida toda. Eu preciso de uma forma de me anestesiar nesse furacão que passou na minha vida. Aquele desgraçado do meu chefe não para de me importunar e todo mundo acha que eu sou a nova amante dele, já que o maldito não faz questão de disfarçar as investidas em mim. Acho que eu me tornei uma obsessão para ele, uma meta a ser alcançada. O velho mimado nunca deve ter recebido um não na vida. Ele sempre arruma uma forma de estar sozinho comigo e fica me enchendo de promessas, como se eu me importasse. Semana passada me disse que estava se divorciando e que em breve eu seria mulher dele. Que se f**a ele e o casamento dele. Eu não me importo com o que ele faz da vida dele e em breve vou me libertar desse inferno que ele transformou a minha vida. Com a ajuda do Rick eu consegui uma entrevista na Prado, uma empresa muito menor do que essa, com um salário muito inferior, mas onde eu talvez pudesse encontrar paz. Eu estava atrasada, coisa que nunca acontecia, mas perdi a hora, minha vida noturna está uma bagunça e para completar tive que passar no RH para trocar o meu crachá e agora estou há mais de dez minutos tentando entrar no elevador para pegar no trabalho. Nem ferrando que vou subir isso tudo a pé. Liguei para a portaria e fui informada pelo zelador que alguém acionou o botão de segurança e ele não precisava dizer mais nada. Alguém devia estar trepando enquanto eu me fodia, de outra maneira, claro. Assim que ouvi a porta do elevador se abrir, fui correndo para entrar, já que imaginei que o casal de pombinhos tinha descido em um outro andar. — Mas que merda é essa, Sabrina? Quer perder o seu emprego? — Disse quando percebi que era a Sabrina que estava se agarrando com um novato e fingi que não entendi quando ela insinuou que eu sou amante do presidente. Eu entrei no elevador com eles e não sei se eram os hormônios que eles espalharam pelo ar, ou porque nunca vi um homem tão bonito assim, mas não consegui segurar os meus olhos e vi os seus músculos marcados por debaixo de uma camisa social apertada e salivei. É... Eu te entendo Sabrina. Se minha vida não estivesse um caos, até eu cairia matando em cima desse gostoso. Assim que o elevador parou, entrei correndo para o meu box e comecei a revisar uns documentos que tinha que entregar até o fim do dia e nem me preocupei em dar boas-vindas ao novato, afinal, ele já foi muito bem recebido pela Sabrina. Porém, a minha vida não tem nada de fácil. Se eu fosse uma novela, com certeza seria um dramalhão mexicano: A droga do novato era o filho do Otávio. — Mas que merda! — pensei alto. — O que é uma merda? Pode compartilhar conosco? — Desculpe senhor, não tive a intenção de atrapalhar. Estava pensando alto. Esse era o meu fim. Ao final do dia eu já sentia que as minhas forças estavam chegando ao fim, mas como eu estava dando um vacilo atrás do outro, decidi fazer hora extra e terminar todo o meu trabalho que acumulou. Quando finalmente terminei, olhei no relógio e vi que já passava das onze da noite. Eu estava um caco. A maquiagem já havia sido lavada do rosto, o cabelo já não estava mais preso e arrumado e meu estômago implorava por comida. Entrei no elevador enquanto olhava o aplicativo de delivery para escolher algo pra comer em casa, quando vejo a mão de um homem travando a porta e entrando. — Você por aqui de novo? Espero não estar atrapalhando nenhum encontro — disse para o meu chefe gostoso e m*l encarado. — Em breve isso tudo será meu. É justo que eu me dedique, mas e você? Esperava alguém? Acho que a essas horas não tem mais ninguém na empresa. — Eu me acostumei a fazer hora extra. Estava cheia de trabalho acumulado. Só isso. De repente, o elevador para e tudo fica escuro e sinto o ar faltar aos meus pulmões. Eu estava com medo, na verdade, apavorada. — Por favor, faz alguma coisa — disse ofegante. Ele tentou ligar, mas estava sem sinal e aproveitou para deixar a lanterna acesa. — O que você tem? — Me perguntou intrigado. — Eu sou claustrofóbica. Acho que vou desmaiar. — O que uma claustrofóbica faz dentro de um elevador? Tem noção que se eu não estivesse aqui ia estar sozinha agora? — Pobre não tem direito a ter esses luxos e o elevador nunca parou comigo. — Posso te fazer uma pergunta? — Pensei que já estava fazendo — respondi. Ele se aproximou, deixando a minha respiração ainda mais vacilante e segurou a minha nuca com suas mãos. Ele aproximou os seus lábios dos meus e nessa hora o seu perfume tomou a minha mente. Ao invés de me afastar e impedir a sua aproximação, fiquei imóvel, esperando ele continuar. Eu sei que é errado, mas eu queria muito beijar aquela boca. — Por que o meu pai? Eu abri os olhos assustada e quando ia responder, a luz acendeu e o elevador começou a se mover. Nos encaramos em silêncio e depois eu saí sem responder nada. Era só o que me faltava.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD