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1365 Words
O eco dentro de Angelina não desapareceu. Pelo contrário. A sensação ficou mais forte. Como uma corda invisível puxando algo dentro dela. Ela levou a mão ao peito instintivamente. Miller percebeu imediatamente. — Está piorando, não está? Angelina assentiu devagar. — Sim. Daniel observava com atenção. — Você consegue sentir a direção? Angelina fechou os olhos por um instante. Tentou se concentrar. No começo era apenas uma vibração caótica, mas lentamente algo começou a se organizar em sua mente. Uma direção. Um ponto. Ela abriu os olhos. — Não está na floresta. Daniel franziu a testa. — Tem certeza? — Sim. Angelina virou-se lentamente e apontou para o outro lado da cidade. — Está ali. Miller seguiu o gesto dela. — O parque antigo. Daniel pareceu reconhecer o lugar imediatamente. — Parque Riverside. Angelina olhou para ele. — Você conhece? Daniel assentiu. — Muito bem. Ele parecia preocupado. — Aquele lugar foi um dos primeiros terrenos usados quando a cidade foi fundada. Miller suspirou. — Ótimo. — Mais história antiga. Angelina começou a caminhar. — Então é para lá que vamos. Miller a seguiu. — Você percebe que acabamos de sair de uma batalha sobrenatural na floresta, certo? Angelina respondeu sem parar de andar. — E se algo está emergindo no meio da cidade, precisamos impedir antes que alguém se machuque. Daniel concordou. — Ela está certa. Miller suspirou novamente. — Claro que está. Ela pegou o celular. — Pelo menos vamos de carro. — O parque Riverside parecia tranquilo demais. A noite já havia caído completamente quando chegaram. As luzes dos postes iluminavam os caminhos de pedra. Algumas pessoas ainda caminhavam pelo local. Casais sentados em bancos. Um homem correndo com seu cachorro. Nada parecia fora do comum. Mas Angelina sentiu imediatamente. A vibração. Mais forte. Muito mais forte. Ela parou perto da entrada do parque. — Está aqui. Daniel olhou ao redor. — Onde exatamente? Angelina fechou os olhos novamente. A sensação era como um pulso. Batendo lentamente sob seus pés. Ela apontou. — No centro do parque. Miller seguiu o olhar dela. — Aquele lago. No meio do parque havia um lago artificial antigo. A água refletia as luzes ao redor. Tranquila. Silenciosa. Daniel murmurou: — Isso não é bom. Eles começaram a caminhar em direção ao lago. Cada passo fazia a sensação dentro de Angelina aumentar. Quando chegaram à margem da água, ela parou abruptamente. — Está abaixo. Miller olhou para a superfície do lago. — Debaixo da água? Daniel respondeu: — Provavelmente. Ele observou o fundo escuro. — Criaturas ligadas à terra também se movem pela água subterrânea. Angelina sentiu outro pulso. Mais forte. Então algo aconteceu. Uma pequena onda atravessou a superfície do lago. Mesmo sem vento. Miller deu um passo para trás. — Isso definitivamente não é normal. A água começou a vibrar. Pequenas bolhas surgiram no centro do lago. Primeiro poucas. Depois dezenas. Angelina sentiu o eco dentro dela explodir em intensidade. — Ele está subindo. Daniel falou rapidamente. — Precisamos tirar as pessoas daqui. Miller já estava olhando ao redor. — Ei! Ela gritou para um casal que caminhava perto. — Vocês precisam sair do parque agora! O homem franziu a testa. — O quê? Daniel também começou a gritar. — Saíam daqui! — Agora! Algumas pessoas começaram a olhar confusas. Mas então… A água explodiu. Uma coluna gigantesca surgiu do lago, espalhando água por todos os lados. As pessoas começaram a gritar. Do centro da água algo emergia. Primeiro raízes. Enormes. Grossas. Entrelaçadas como tentáculos feitos de madeira. Depois pedra. Uma massa gigantesca de terra e rocha começou a se erguer. Miller arregalou os olhos. — Ah. — Isso é muito pior do que eu imaginava. A criatura continuava emergindo. Ela não tinha uma forma completamente definida. Era como se a própria terra tivesse ganhado vida. Um braço gigantesco feito de raízes levantou-se. Depois outro. Olhos surgiram na superfície de pedra. Duas cavidades brilhando com uma luz verde profunda. As pessoas começaram a correr. Gritos ecoavam pelo parque. Daniel puxou Angelina para trás. — Precisamos sair da linha de visão! Mas a criatura já estava olhando diretamente para ela. Angelina sentiu a conexão novamente. Mais forte do que nunca. Como se aquela coisa a reconhecesse. A criatura soltou um som profundo. Não exatamente um rugido. Mais como o ranger de montanhas se movendo. Miller sussurrou: — Ele sabe quem você é. Daniel respondeu: — Sim. Angelina deu um passo à frente. — Ele está me chamando. Miller quase engasgou. — Não vá em direção ao monstro gigante! Mas Angelina não parecia ouvir. A energia dentro dela estava respondendo. A criatura levantou lentamente uma das mãos gigantes. As raízes se moviam como músculos vivos. Então ela golpeou o chão. O impacto fez o parque inteiro tremer. Uma rachadura enorme atravessou o caminho de pedra. Daniel puxou Angelina de volta. — Isso não é uma conversa! Miller já estava olhando ao redor freneticamente. — Precisamos de um plano! Angelina finalmente recuperou o controle. — Ele não está totalmente desperto. Daniel assentiu. — É apenas um fragmento. — Uma parte da criatura original. Miller apontou para o monstro gigantesco. — Essa parte já é grande o suficiente! A criatura começou a se mover. Lentamente. Cada passo fazia o chão vibrar. Ela começou a sair do lago. Água escorria de suas raízes. Pedras caíam de seu corpo. Mas ela continuava olhando apenas para Angelina. Daniel falou rapidamente. — Ele está ligado a você agora. — O selo criou uma conexão. Angelina perguntou: — Então posso controlá-lo? Daniel respondeu: — Talvez. — Ou ele pode tentar destruir você. Miller murmurou: — Adoro essas opções. A criatura deu mais um passo. Agora estava completamente fora da água. Mais de quatro metros de altura. Uma massa viva de pedra, terra e raízes. Angelina respirou fundo. — Se eu conseguir canalizar a energia do selo… Daniel respondeu: — Pode enfraquecê-lo. Miller apontou para o chão. — Então faça isso rápido! A criatura levantou um dos braços. Pronta para atacar. Angelina fechou os olhos. Concentrando-se na energia que corria em seu sangue. A mesma energia que havia selado o círculo na floresta. Ela estendeu as mãos. A luz azul começou a surgir novamente. Primeiro fraca. Depois mais intensa. As runas invisíveis da linhagem da guardiã despertavam. A criatura hesitou. O brilho azul começou a envolver o corpo dela. Daniel observava com atenção. — Está funcionando. Mas então algo inesperado aconteceu. A criatura não recuou. Pelo contrário. Ela começou a avançar. A energia azul tocava seu corpo… Mas não parecia suficiente para detê-la. Miller gritou: — Isso não está funcionando! Angelina abriu os olhos. — Ele é mais forte do que no círculo. Daniel respondeu: — Porque agora está fora da prisão. A criatura levantou os dois braços gigantes. O ataque estava prestes a acontecer. Mas antes que pudesse atingir… Um som ecoou pelo parque. Um disparo. A criatura congelou por um instante. Todos olharam na direção do som. Várias pessoas estavam correndo em direção ao parque. Mas não eram civis. Eram homens vestidos com roupas escuras. Equipamentos estranhos nas mãos. Armas. Daniel reconheceu imediatamente. — Não… Miller perguntou: — Quem são eles? Daniel respondeu com voz tensa: — A Fundação Arken. Os homens começaram a cercar a criatura. Dispositivos metálicos brilhavam em suas mãos. O líder da equipe gritou: — Ativem os estabilizadores! Uma rede de energia azul foi disparada. Ela envolveu a criatura parcialmente. A criatura rugiu. Mas não caiu. Angelina olhou para Daniel. — Eles querem capturá-la. Daniel assentiu. — Sim. — E isso pode ser ainda pior. Miller arregalou os olhos. — Pior do que um monstro solto na cidade?! Daniel respondeu: — Muito pior. A criatura lutava contra a rede de energia. As raízes se moviam violentamente. Parte da rede começou a quebrar. O líder da equipe gritou novamente: — Precisamos da guardiã! Ele olhou diretamente para Angelina. — Tragam ela! Dois agentes começaram a correr em direção a ela. Miller murmurou: — Ótimo. — Agora somos o alvo. Daniel falou rapidamente: — Precisamos sair daqui. Mas Angelina estava olhando para a criatura. Algo dentro dela dizia que aquilo ainda não tinha terminado. Que a batalha verdadeira… Estava apenas começando.
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