A ruivinha
CAPÍTULO 01
Henrique Parker
Ouço um barulho chato do toque do meu celular soando no meu ouvido, e ainda de olhos fechados apalpo entre os lençóis e cobertas, procurando o motivo da minha dor de cabeça constante, que certamente é o Hugo, o meu gerente, ou Hector, o meu amigo! Os únicos chatos que me ligam pelas manhãs, me cobrando disso, ou daquilo.
Como não achei, ainda sem olhar para a claridade procuro o criado, e enfim pego o meu celular, de baixo da minha cueca, que jogo em cima da cama.
— Que saco, quem é que está me incomodando em pleno domingo? Será que nem no fim de semana, eu posso descansar, pô! — falei irritado, e me assustei com a voz apavorada do Hector na linha.
— Cara, pelo amor de Deus, me fala que você já está chegando, porque os acionistas estão todos na recepção, e a Mônica está enrolando eles a alguns minutos! — se expressou todo atravessado, e eu não entendi nada, e quando sentei na cama, e abri os olhos, percebi que não estava no meu apartamento.
— Car@lho, cara! Hoje não é domingo, acho que bebi demais ontem... puts! A reunião... vou correndo, segura as pontas aí! — desliguei em seguida, e levantei todo dolorido tropeçando nas roupas, e travesseiros espalhados pelo chão.
Não vi ninguém no quarto, olhei pra minha calça, e a carteira estava caída em cima dela, e vazia.
— Merda! Fui roubado de novo! Aquela v***a estava boazinha demais ontem, é claro que estava planejando me roubar... — falei sozinho, me lembrando um pouco da noite.
Flash back onn...
— Não toque o meu rosto! — falei para a morena, nua na minha frente.
— Porquê não? — veio com a mão perto de mim, e a minha paciência se esvaiu, eu já havia avisado desta regra, ninguém pode tocar ali. Segurei o seu pulso com força, a colocando de costas, e flexionando a sua barriga, a deixei de quatro na cama.
— Te chamei pra me dar, e você topou, já conhece as regras, então vamos começar assim, ninguém toca ali! — esperei uns segundos. — Quer continuar?
— Claro, tem mais alguma regra? Gosto delas! — falou maliciosa, empinou mais a b***a.
— Não toque em nada! — segurei firme no cabelo dela, era bem curto, então a minha mão ficou perto da raiz.
— Essa é uma regra geral? — segurei o meu p*u e posicionei nela, as regras me deixam mais e******o.
— Não! Só pra você! Agora, já chega de conversa!
— AHHHHHH! — Gritou com o primeiro movimento...
Flash back off...
Ainda bem, que me restaram os cartões, por isso sempre ando com dinheiro, se me levarem dá menos transtorno que cartões a serem cancelados.
Me vesti feito um louco, e acho que tive sorte da v***a não ter visto o meu celular, provavelmente porque a cueca estava bem em cima, quando apalpei para atender.
Paguei o hotel, e tenho sorte por estar a poucas quadras da empresa, e como aprendi os truques do meu pai, acho que sou o motorista mais rápido de Curitiba.
Avistei os homens, e fui pelas escadas até o primeiro andar para não ser visto, como sempre. Esperei o elevador, e já comecei avisar a Mônica por mensagem, para deixar os homens subirem.
— Você se arrisca demais, Henrique! Beber no domingo, nunca é uma boa ideia! Tô começando a concordar com a sua mãe, quem sabe se não se casasse não parava um pouco com a bagunça! — comenta o Hector, meu amigo.
— Isso não vai acontecer, e você sabe!
— Desistiu de procurar a ruivinha que tanto procurou? Quem sabe ela não te coloca nos eixos! — zombou, dando um empurrão no meu ombro.
— Não... Aquela lá sumiu do mapa, nunca mais a encontrei! Mas, devo admitir, que ela me chamou a atenção, quem sabe eu até não casava! Mas, já se passaram oito anos, acho quase impossível isso acontecer...
— Com licença! — alguém bateu na porta.
Não deu tempo pra quase nada, e eles já entraram.
— Até que enfim, Henrique! Eu já estava mandando uma mensagem para o Pedro, já que o irmão dele sempre se atrasa! — falou um deles, enquanto puxava uma cadeira para sentar. Franzi o cenho, encomodado.
— O Pedro cuida de outras coisas, aqui sou eu o responsável. Mas não se preocupe, que encontrarão com todos nós no evento em Nova York! — expliquei, abrindo as planilhas no computador.
— Você sabe que faz um bom trabalho, Henrique, só precisa ser mais pontual, eu sei que a recepcionista enrolou até que chegasse! — o mais velho respondeu.
— Para ser franco, senhor Aidan! Eu também estou sem assistente, mas ouvi falar que terão várias formandas no evento, quem sabe eu não contrate uma, principalmente se for bilíngue, porque as daqui, não tem dado muito certo... — m*l falei, e o Hugo começou a tossir, acho que esgano esse gerente que já estou farto, se ele contar do motivo que as assistentes vão embora.
— Assim eu espero, senhor Parker!
— Com todo o respeito, o senhor não tem que esperar nada! A empresa é minha, eu decido o que faço com ela, se tiver dúvidas pergunte ao meu pai, porque enquanto eu estiver mantendo os lucros nas alturas, não é problema do senhor, quem eu contrato ou não! Agora vamos começar, que já estou farto de interrogatórios!
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Depois disso, ninguém questionou mais nada, consegui terminar a reunião com êxito, organizei todo a documentação do dia, e decidi ir para casa mais cedo, arrumar as malas e ir de uma vez para Nova York, preciso dar um ar aqui do Brasil.
Como combinei de encontrar com a minha família lá em Nova York, fui sozinho com o Hector e o Hugo na viagem e, deixamos as malas no carro que mantemos para a nossa disposição aqui, e entramos no local.
— Me encontrem no salão principal, vou dar uma ajeitada no cabelo, e ver se a roupa não está amassada. — falei, arrumando a gravata.
— Vê se não demora, que a sua família já deve estar por aí! — Hector falou, todo certinho e às vezes me irrito com isso, pois sou muito correto no trabalho, mas isso cansa.
— Sim, senhor Hector! — falei, e ele riu debochado.
Fui procurando pelo banheiro, não faz muito tempo que estive aqui, mas parece que mudaram o local, então quando me direciono para o local correto, levo um susto ao bater de frente com alguém, e a cor dos tão longos cabelos ruivos, voando pelos meus braços me chamam a atenção. Junto veio um cheiro de frutas vermelhas, levemente adocicado.
— Deveria tomar mais cuidado, desse lado fica o banheiro das mulheres! — quando ela falou, fiquei sem ar. Olhei nos seus olhos, e até parecia que eu havia voltado no tempo, ou visto um fantasma, era ela... com certeza era ela... a ruivinha que me deu o meu primeiro beijo na boate, a oito anos atrás, e depois sumiu, e eu nunca mais a encontrei.
Ela agora é uma mulher, estava ainda mais linda, olhei para o seu corpo, agora cheio de curvas, num vestido discreto, longo e brilhante, na cor nude. Os cabelos bem maiores, e os mesmos olhos verdes.
— Você? — perguntei, colocando a minha mão sobre os seus ombros, mas ela se afastou na mesma hora.
— Você deve estar me confundindo com alguém, eu nem te conheço! — falou rude, e eu m*l conseguia falar.
— Você me beijou na boate da principal a uns oito anos! — falei.
— Há oito anos eu ainda nem ia a boates! Agora me dá licença que hoje é uma noite importante! — falou, e me deixou de boca aberta, feito um t**o, olhando pra ela admirado, e eu nem sei porquê, talvez seja apenas cisma minha.
Não consegui ficar parado, e comecei a segui-la... não vou permitir que escape outra vez, preciso descobrir tudo sobre ela, ainda será minha, custe o que custar!