Jogos?

1491 Words
CAPÍTULO 05 Henrique Parker Enquanto ela assinava aqueles papéis eu me mantia na minha. Deixei para que o Hector resolvesse como de costume, a minha conversa com ela será apenas no Brasil quando as coisas já estiverem todas do meu jeito, e como eu gosto, afinal a minha cabeça ainda me levará por vezes daquela pequena confusão, como posso dizer, daqueles seus joguinhos e trocas de vestidos, o meu sentido desconfiado me dizia para não confiar nela, mas eu possuía um desejo ardente por ela, e a faria minha, mas moldá-la seria uma atitude para breve. A vida não é tão simples para ninguém, porque teria que ser para ela? Eu já sofri demais e engoli tudo calado, eu não poderia confiar em uma pessoa que só vi uma vez, e isso foi a oito anos, e agora apresenta diferentes comportamentos... mas também eu acho que seja justo em algum momento da minha vida eu ter o direito de escolha, e dessa vez eu escolhi... quero que aquela ruiva seja minha esposa e não importa como isso aconteça, ou o quanto ela se recuse, se isso é o que ela vai fazer, conheci mulheres assim, que gostam de se fazer de boa moça, e sedutoras, assim como sei que depois de ensiná-la direitinho, eu sei que em algum dia ela irá ceder assim como eu cedi, e não tenho pressa, se ela quiser fazer drama que faça, se quiser jogar, sou um ótimo juíz, mas no meu país será como eu quiser, não terá muito o que ela possa fazer, não é? Não costumo e não gosto de falar com ninguém sobre o meu passado, existem milhões de coisas que só guardei para mim, e ninguém além da minha sombra soube que já passei por isso, então prefiro que continue assim, não vai mudar em nada a minha vida, ou as minhas escolhas. . Passei um tempo com a minha família depois dos papéis serem assinados, e fui dormir lá com eles, e por mais curiosos que sejam me manti como sempre... calado quanto a minha nova esposa, até porque ela ainda não sabe. . A caminho da casa dela... . — Henrique, você está certo disso? Ainda pode desistir, não levamos os papéis até o Mendes para que ele assine e registre, ainda pode se manter solteiro, ou... — Você devia falar menos, Hector! Qualquer hora dessas vou me irritar! — respondi sem olhar pra ele. — É apenas um conselho... — Se conselho fosse bom, não se dava... vendia! — ajeitei o meu óculos de sol, e Hector se calou. Chegamos em frente a um prédio, classe média baixa, e Hector desceu chamando por Bianca. Eu não desci do carro, mas fiquei observando o comportamento dela. A mãe estava presente, e ela estava bem estranha, até abaixei o óculos pra ter certeza. Bianca estava com um coque de velha, uma saia pra baixo dos joelhos, na cor cinza escuro, uma camisa muito formal, e um blaser antiquado. Usava um sapato fora de moda, e eu diria que só faltava o óculos de grau pra ficar mais brega, não entendi aquela atitude pela as roupas que usava na noite anterior, ela não parecia nada com aquela mulher, então não havia nada a esconder, ela estava jogando comigo! Se Hector tivesse me perguntado agora, talvez eu mudasse de ideia, pois talvez eu estava arrumando mais problema, e até mesmo me enganado quanto a ela ser a esposa que eu quero? Mas sou bom em desafios, e bom com mulheres ainda mais, eu vou ajeitar ela facinho. A vi abraçar a mãe, e estava muito séria, até que Hector abriu a porta e ela sentou do meu lado. — Boa tarde! — disse ao entrar, e eu apenas acenei com a cabeça. — Me diz só uma coisa... você costuma se vestir assim para trabalhar? — perguntei. — Sim senhor! Algum problema com a minha roupa? — perguntou, mas neguei, até quando ela quer brincar? — Nenhum... trouxe todos os documentos? — Sim, estão todos nessa bolsa preta! — mostrou uma bolsa horrorosa de couro meio gasto, parecia esfarelar. — Ótimo! — falei e me calei, precisaria trocar tudo isso, a minha esposa não pode andar desse jeito, mesmo que ela esteja querendo brincar, mas ela precisa se comportar até porque, bonita sei que ela é, não entendi a mudança repentina de comportamento, mas que os jogos comecem meu cabelo de fogo. Sorri em malícia, esse sorriso até o d***o tem medo. . Assim que ela entrou no jato, puxei o Hector para um canto. — Te dou mil dólares extras para sumir com aquela mala grande sem deixar rastros! — falei, essa é a primeira parte do meu joguinho com minha esposa. — Eu sabia que iria dar nisso, agora vai querer escolher até o que a moça veste? — respondeu, e... já falei o quanto ele me irrita? — Dois mil para que se mantenha calado enquanto faz o que te pedi! — me olhou feio, mas não negou. Entrei no jato, e fiquei afastado por enquanto, deixei que o Hector cuidasse de tudo. Dez horas depois, estávamos no Brasil, e o motorista da empresa veio nos buscar. — Pra onde vamos, senhor? — perguntou. — Para o meu apartamento! — respondi, e percebi que a Bianca me deu uma olhada, sei que ela ainda vai se fazer de difícil. — Perdão incomodar, senhor Parker... mas aonde vou ficar? — perguntou, e não gostei disso... “senhor Parker”, soou um tanto pesado para uma esposa, mas eu conversaria disso depois. — Já conversaremos sobre isso... — entrei no carro, e ela logo entrou também, sentando do meu lado. Quando chegamos no prédio, pedi para que cuidassem das malas, e cochichei que só levassem no outro dia. E, Bianca empacou já na entrada. — Eu não estou entendendo... eu ficarei em um apartamento tão luxuoso como este? — Sim, Bianca! Me acompanhe! — Mas... eu não posso pagar um aluguel tão alto... — Eu já disse para entrar, Bianca! Não tenho a noite toda, amanhã preciso trabalhar! — fui entrando no elevador, pois já estava ficando irritado de ter que explicar tudo e ela estava meio assustada, mas entrou. Ao entrarmos, ela estava bem apavorada, olhava por tudo, parecia inquieta, bem diferente da noite anterior aonde claramente tinha interesse em mim, ou no meu dinheiro. — Você também ficará aqui? — perguntou ao me ver trancar a porta com a minha digital. — Esse é o meu apartamento... na verdade o nosso, agora! Provavelmente você leu tudo o que estava no contrato não é? — me olhou estranho, estava nítido que não leu. — Não sei... teve uma parte que não vi direito... — Eu vou ser claro, porque não tenho a noite toda... você assinou um documento que te tornou a minha esposa, e a partir de agora exijo que cumpra com as suas obrigações! — negou com a cabeça, estava muito apavorada, colocou a mão na porta para tentar abrir. — essa porta só abre com a minha digital... — Você é louco? Eu não casei com ninguém, jamais me casaria com você, e aquela história toda de emprego? Era tudo mentira? — ela já estava quase chorando, até parece que ela não queria mesmo se casar comigo, fui uma sorte danada, muitas queria está no seu lugar, eu também não suporto ver ninguém chorando. — Você também assinou um contrato de emprego, ele é verdadeiro... só que como é minha esposa te deixo escolher se quer trabalhar, ou ficar em casa, tanto faz... — EU NÃO SOU SUA ESPOSA! NÃO SOU! VOCÊ É UM MALUCO! GARANTO QUE NEM EMPRESA, TEM! QUER ME MANTER AQUI PRA QUÊ, VOCÊ NEM ME CONHECE!!! — ela literalmente surtou, arrancou os sapatos horrorosos e atacou em mim, e quando vi que pegaria nas minhas esculturas caríssimas da coleção, corri até ela segurando os seus braços pra cima com força, e a empurrei contra a parede. — Escuta aqui, ruivinha! Acho melhor você cooperar! Como senhora Parker, terá a vida de luxo que sempre sonhou, comprarei tudo o que quiser, posso te levar para ver a sua mãe, e com o tempo até trazer ela pra cá, mas não vou tolerar esse tipo de comportamento, se encostar nessas peças da coleção, vou ficar muito irritado e você não vai gostar nada! No local aonde fui treinado, e onde cresci, é o marido quem manda, e não conheço outro jeito de fazer um casamento funcionar! — Me solta... — estava chorando. — eu não vou quebrar nada... tá doendo o meu braço! — Não gostei da nossa conversa de hoje, ruivinha... então já chega! Vá dormir, e descansar que amanhã conversamos melhor! Não vou te levar para a empresa por enquanto, porquê não está preparada! — soltei os braços dela, e a deixei lá sozinha, as coisas estavam mais difíceis do que pensei...
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