Amor impossível

1516 Words
Mole —Mole porque você deixa que passem por cima de você? porque ainda está nesse trabalho?-Murmurei pra mim mesma enquanto me encarava no espelho. –É claro, respirei fundo…Mário Drummond. Ele me prendia aqui a anos, eu estava totalmente enfeitiçada. Há anos, eu escondia um amor que não tem a menor chance de ser correspondido. Não, não é um crush adolescente ou algo passageiro. É uma paixão que nasceu e cresceu em silêncio, escondida nos cantos mais profundos do meu coração. A primeira vez que vi Mário Drummond foi como uma cena de filme. Ele entrou na sala de reuniões onde eu fazia a minha entrevista para o cargo de secretária na corporação Harris. Ele tinha um sorriso deslumbrante, o tipo de sorriso que faz as pessoas ao redor pararem o que estão fazendo só para admirar. E eu, claro, atrapalhada do jeito que sou, me desequilibrei da cadeira o que fez quase todos da sala rirem de mim, algo que eu já estava bem acostumada. Eu sou o desastre ambulante da empresa, porém naquele dia eu me superei. Ele riu, de um jeito genuíno mas não de uma forma que me deixasse sem graça, e me ajudou a levantar. A partir daquele momento, algo mudou dentro de mim, eu sabia naquele momento que queria estar ao lado dele para ajudá-lo no que ele precisasse, assim como ele fez comigo. Só que logo ficou claro que ele estava em um nível completamente diferente do meu. Mário é o tipo de homem que vive cercado de pessoas bonitas e ricas, com sorrisos perfeitos e corpos que parecem esculpidos à mão. Enquanto eu? Bom, eu sei que ele nunca olharia pra mim, não sou atraente em nada, sempre uso roupas largas porque ela ajudam a esconder o meu corpo magro demais, sem curvas, sem nada que pudesse atrair olhares. Mesmo que sem graça já me acostumei com essa aparência, junto com cabelo castanho ondulado e volumoso eu viro praticamente um espantalho. Sempre achei que a vida seria fácil se eu simplesmente aceitasse que era assim, invisível. E foi o que acabou acontecendo, de certa forma. Não sou o tipo de mulher que as pessoas notam, e tudo bem. Me convenci de que inteligência e trabalho duro seriam suficientes para construir uma vida decente. E tem sido, na maior parte do tempo, uma vida decente cheia de humilhação ainda assim decente. Mas, quando estou perto dele, é impossível ignorar o quanto eu gostaria de ser mais do que uma funcionária dedicada, algo além de uma garota que ninguém percebe que está por perto. —Acorda pra vida, Mole!- murmurei para mim mesma enquanto olhava meu reflexo no espelho do banheiro. A luz fria e impiedosa do escritório iluminava cada ângulo do meu rosto pálido e sem graça. Meus cabelos, que eu prendi em um coque apressado, já estavam escapando em fios rebeldes. Meus olhos castanhos me encaravam com cansaço, e suspirei, peguei meu óculos e coloquei no rosto tentando me preparar psicologicamente para o trabalho. Voltei para minha mesa, tentando ignorar o nó no estômago que sempre surgia quando eu sabia que o veria. Mário tinha o escritório dele no andar de cima junto com outros acionistas e a sala de reunião, era um andar mas privado para receber melhor os visitantes e investidores, e de vez em quando, ele aparecia no nosso andar para checar algo ou simplesmente para conversar comigo ou com a vaca da Ana Carla, a assistente pessoal dele que só conseguiu o cargo porque o paizinho acionista da empresa deu pra ela. Enquanto isso eu era apenas a secretária da vice-presidência ,bom eu estava mais para uma auxiliar faz tudo, desde levar a roupa do chefe a lavanderia ,a dispensar mulheres que ele não gostava mais pelo telefone. Mas nos momentos em que eu não fazia coisas inúteis, eu fazia de tudo para mostrar as minhas habilidades e competências, porém mesmo com o meu esforço e dedicação Ana Carla sempre lutou pra que eu não me destacasse. Eu tentei crescer na empresa no entanto não importa o que eu faça eu sempre sou “a invisível” para todos, quase todos…eu sinto que o doutor Mário e eu temos uma ligação somos quase como amigos, ele tem a tendência a me contar qualquer novidade sobre o que acontece no escritório ou fofocas aleatórias sobre o melhor amigo Tom que por acaso é o presidente e dono da empresa. Mesmo que eu quisesse falar sobre outra coisa com ele, a timidez e a minha vergonha não permitiam, ao contrário de mim, Ana Carla sempre dava um jeito de encher o saco do doutor Mário. Ana Carla, por sinal, era o total oposto de mim. Alta, loira, sempre arrumada com saias curtas e ternos chiques, com aquele sorriso de comercial de pasta de dente, e um perfume caro que anunciava sua chegada antes mesmo de ela falar uma palavra. Eu sentei na minha cadeira e tentei secar a minha mesa com a manga da blusa. —Que sujeira!-Murmurei enquanto separava os papéis molhados dos secos. As portas do elevador se abriram e Mário saiu com a postura dominante de sempre, mesmo a minha mesa sendo a mais escondida do corredor eu conseguia vê lo perfeitamente através dos meus óculos. Ele não precisava de nada extravagante para chamar atenção. Era só ele, com aquele jeito de andar confiante, o terno caro alinhado e o cabelo ruivo levemente bagunçado que parecia mais charme do que descuido. —Bom dia, pessoal! -ele disse, com o tom alegre que parecia natural, mas lá no fundo eu sabia que ele estava triste e talvez um pouco devastado com o que estava acontecendo na sua vida pessoal. Todos no escritório comentavam sobre o boato do término dele com a namorada Marcela. Algo sobre ela ter abandonado ele e fugido do país Ela era uma modelo famosa, uma de muitas modelos que já passaram pela cama dele, nessa altura do campeonato eu imaginava a casa dele como uma grande passarela com vários modelos de lingerie desfilando pra lá e pra cá. Mas eu evitava prestar atenção demais nessas fofocas, porque, nem sequer fazia sentido porque alguém fugiria dele, porque alguma mulher iria querer se afastar desse homem!? Esses boatos bobos e exagerados só me lembravam o quão distante ele estava do meu mundo. Caminhando pelo longo corredor, ele olhou diretamente para mim. —Mole, é você pode me ajudar com a minha agenda eletrônica, tem vários compromissos pra remarcar…Preciso de tudo para amanhã bem cedo. —C-claro, senhor Drummond- respondi, tentando parecer profissional, sentindo as bochechas queimarem. —-Por favor, já disse que pode me chamar de Mário. Aliás, como vai?-Ele sorriu, aquele sorriso que fazia meu coração tropeçar como eu tropecei no cabo no primeiro dia. —-Tudo bem, obrigada. —Tem certeza, seu rosto e a mesa estão encharcados, o que aconteceu? —Eu…Eu…-Ela derrubou a própria água bobinha, essa Mole! Precisa prestar mais atenção queridinha..-Ana Carla me interrompeu e praticamente gritou da mesa dela mesmo sendo ao lado da minha. Depois de falar ela me encarou com deboche sabendo que eu não poderia contar a verdade nem se quisesse.-Foi um acidente.-Falei, minha voz baixa sentindo a dor de ter que aceitar a implicância daquela mulher. —Tudo bem então, não se esqueça da reunião de hoje, Tom tem um anúncio importante! -ele disse sorridente, você vai adorar... —Sim senhor. —”Senhor”? Nós nos vemos na reunião Mole. Era isso. Eu nunca sabia o que mais dizer, e ele parecia não perceber. Ele agradeceu e seguiu para a mesa de Ana Carla, que estava mais do que pronta para oferecer ajuda mesmo tendo menos habilidades que um macaco treinado. Eu foquei no trabalho que o doutor Mário me pediu, mas minha mente continuava vagando. A maneira como ele sorriu. O fato de ele lembrar meu nome. Como ele era gentil comigo, mesmo que fosse só parte da personalidade dele. Meu coração teimava em achar que havia algo especial ali, mesmo assim minha cabeça sabia a verdade. Eu era só a funcionária. A garota sem graça que não chamava atenção, exceto quando tropeçava ou derrubava café na mesa de alguém. Era melhor assim, eu repetia para mim mesma. Amar alguém como ele seria como tentar alcançar uma estrela: impossível, distante, inalcançável. Mas isso não me impedia de sonhar e me imaginar vivendo essa fantasia. Talvez eu fosse muito i****a por pensar assim, meu coração já tinha sido partido tantas vezes que era melhor viver em uma fantasia do que sofrer de novo. Já tive tantas que aprendi a sobreviver sem grandes expectativas. Terminei o que ele me pediu e enviei para ele. Quando recebi a resposta, com um simples “Muito bom, Mole! Mas rápido do que eu esperava”, senti uma pontada de felicidade. Não era nada demais, e mesmo assim me deixava feliz. Algumas horas se passaram e era o momento da grande reunião, todos estavam conversando sobre com muita curiosidade. Qual seria a novidade que o presidente e o vice-presidente tinham pra contar!?
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