Juliana narrando Fael limpava com cuidado a boquinha suja de sorvete da Rayssa. Era um gesto simples, mas que dizia muito sobre o pai que ele era. O carinho no olhar dele, a paciência com que passava o guardanapo... tudo isso me tocava. Eu o observava em silêncio, com uma angústia crescendo dentro de mim. E se ele estivesse se envolvendo em algo ainda pior do que fazia no Rio? E se ele fosse preso? Ou morto? O que seria de nós duas? Aquele medo morava dentro de mim, mesmo quando tudo parecia calmo por fora. Eu sorria, cuidava da Rayssa, mantinha a casa em ordem, mas por dentro... estava em pedaços. — Mamãe? — Rayssa me chamou, me tirando dos meus pensamentos. — Posso ir no carrossel? — Pode sim, meu amor. Vai lá e se segura direitinho. Fael entregou a ficha ao funcionário do parqu

