CAPÍTULO 9 DUDA NARRANDO O tempo passou estranho ali. Não sei dizer se foram dois minutos ou vinte. Só sei que cada segundo parecia maior que o outro. O coração não desacelerava, as mãos suavam, e eu sentia todos os olhares ainda grudados em mim, como se eu fosse um erro parado no lugar errado. Até que ouvi o barulho. Uma moto grande descendo o morro. O ronco forte, grave, diferente das outras que passavam por ali. Alguns dos caras endireitaram a postura na hora. Outros só olharam rápido e voltaram pro que tavam fazendo. Aquilo me disse muita coisa sem ninguém precisar falar nada. A moto parou perto da contenção. O cara desceu. Magrinho. Moreno claro. Braços fechados de tatuagem, pescoço também. Camisa preta simples, calça escura, tênis caro. Cara fechada, mas não bruta. Olhar atento

