CAPÍTULO 10 DUDA NARRANDO Saímos dali pelos fundos da boca, pegando um atalho estreito, quase escondido entre duas casas. O chão era irregular, cheio de pedra solta, e eu ia com cuidado pra não tropeçar. O Purga seguia na frente, atento, cumprimentando um ou outro pelo caminho só com o olhar ou um aceno curto de cabeça. Descemos mais um pouco e, de repente, o cenário mudou. Uma pracinha simples, campinho de terra batida, duas traves tortas. Várias crianças correndo, gritando, brigando pela bola como se o mundo acabasse ali. A poeira subia, o sol batia forte, e por um segundo… parecia qualquer lugar. Quase normal. Eu parei sem perceber. Fiquei olhando aquela cena com um nó na garganta. Criança sendo criança. Rindo, xingando, caindo e levantando. Foi aí que ele falou: — Tá vendo aque

