CAPÍTULO 11 TORRESMO NARRANDO Eu tava no bar desde cedo. Uma gelada suando na mesa de plástico, o braço apoiado, corrente pesada no pescoço, olhando a vida passar como sempre passa ali embaixo. Não era lazer. Nunca foi. Era costume. Vigiar meu território, meu filho, tudo ao mesmo tempo. O Gabriel tava no campinho. Correndo, caindo, levantando, xingando. Do jeito dele. Do jeito que aprendeu a sobreviver. Eu conhecia cada passo daquele moleque como se fosse meu reflexo. Sabia quando ia dar merdä antes mesmo de acontecer. E deu. Perdeu a bola, o outro riu, ele fechou a cara. Corpo endureceu. Eu já sabia. Sempre igual. Gabriel não perde. Não aceita. Nunca aceitou. Eu levei a garrafa à boca com calma, sem interferir. Não porque eu gostasse de ver, mas porque a vida já tinha batido nele

