CAPÍTULO 4.

1364 Words
"está demitida" As palavras da minha ex diretora ecoavam frequentemente pela minha cabeça. Tomei mais um gole do meu café, comendo um pedaço de pão em seguida. Decididamente, eu não estava com o menor pingo de sorte. Minha mãe me olhava com um enorme ponto de interrogação no rosto, como se perguntasse como eu conseguia comer depois de tudo o que tinha acontecido. Veja bem, no começo foi difícil sim, conseguir me alimentar. Minha mãe ficou bastante preocupada, mas agora a preocupação tinha dado lugar para raiva e mesmo fazendo quase um mês de tudo, ela ainda não conseguia me perdoar. — Ainda não entendi como você foi permitir que isso acontecesse, Abigail! — ela suspirou, massageando o espaço entre as sobrancelhas. — pelo amor de deus, onde você estava com a cabeça? Eu tinha decidido passar um tempo na casa dos meus pais depois de tudo o que aconteceu, não conseguia ficar sozinha no meu apartamento e achei que seria uma boa ideia passar um tempo com minha mãe. Estava muito enganada. — Não é grande coisa, dona Márcia. — Não é grande coisa? Como não é grande coisa?! Você perdeu o emprego por isso, Abigail Louise! — ela bateu forte a mão aberta na mesa. Só então a olhei, depois de todo o tempo em que estávamos ali sentadas. — Se envolver com um aluno... Não achei que a essa altura você fosse ser tão imprudente. Meu pai, ouvindo toda a gritaria da sala, entrou na cozinha e se sentou ao lado de minha mãe. Era evidente o desgosto no rosto dele, no rosto dos dois. — Se importe mais, filha. Aquela mulher pode ter acabado com sua carreira aqui nessa cidade. Todos vão comentar sobre isso e é capaz de você nunca mais conseguir um bom emprego por aqui. Você pode até ser presa, que deus a livre. — Eu cometi um erro, ok? Não é que eu não me importe, mas não estou preocupada que ela consiga acabar com minha carreira. Além do mais, o aluno em questão não era nenhum menor de idade, não cometi crime nenhum. Minha mãe suspirou pela milésima vez, pegou a carteira em cima da bancada e saiu sem dizer nada, meu pai apenas me encarou mais uma vez. — Dê tempo a sua mãe... Ela não esperava algo assim de você. Não sei o porquê, mas aquilo me magoou um pouquinho. Eu não tinha matado, nem roubado, tinha apenas transado com um aluno. E se a mãe dele não tivesse descoberto meu perfil antigo no newadult de anos atrás — foi o primeiro perfil que eu criei no site, época de quando eu tinha 17 anos. Não usava a bastante tempo, e no máximo tinha uma transmissão curta e algumas fotos impróprias— talvez a situação não fosse tão r**m quanto estava parecendo. Por sorte, ela havia concordado em manter isso em segredo graças a diretora da escola. Ter tido no seu corpo docente uma ex professora que se envolveu com aluno já era r**m, agora, quando essa professora em questão se prostituía virtualmente era algo caótico. — palavras das duas megeras que estavam me julgando pela mesma atitude que colegas de trabalho meus já tiveram naquela mesma escola. Também por sorte, meus pais não sabiam desse detalhe ainda. Omiti esse fato por razões óbvias e esperava de todo meu coração que aquela megera não abrisse a enorme boca que tinha e saísse espalhando para todo mundo que eu tinha um perfil impróprio num site pornô — foi assim que ela chamou o newadult quando apareceu na escola aquele dia. Eu estava procurando emprego desde então, não ia ficar parada na minha casa, mas mesmo com meu histórico quase impecável (quase, graças ao fatídico acontecimento) estava mais difícil do que eu imaginei, mesmo faltando pouco para o começo de ano e o início do ano letivo estar prestes a se iniciar. Aquela baranga realmente iria acabar com minha carreira como professora aqui. Mesmo sabendo que eu não era a única a me envolver com aluno, e muito menos a última, a diretora decidiu me demitir para manter o patrocínio dos Menezes na escola. O que não me deixou suspresa, mas levemente com raiva da sua hipocrisia. Eu tinha um perfil antigo com fotos e vídeos impróprios num site adulto e me envolvi com um aluno, e daí? Acontece... Conservadores me irritavam, conservadores tradicionais e ricos me irritavam mais ainda. Aparentemente, a diretora fez um ótimo trabalho e conseguiu abafar toda a história, ninguém na cidade comentava ou me olhava torto. O que era bom, mas por outro lado, a megera Menezes conseguiu mesmo acabar com minha carreira e eu duvido que a diretora do Agnes Elite me recomendaria pra alguma escola daqui novamente, mesmo eu sendo bastante capacitada para o cargo. Entretanto, não pretendo desistir. Após recolher as coisas da mesa, subi para o meu antigo quarto afim de checar meu email e verificar se tinha alguma mensagem de resposta das escolas que eu havia mandado currículo. Nada de novo, novamente, mas uma notificação em particular chamou minha atenção. O email do newadult dizia que eu tinha 5.204 mensagens novas não lidas, era um número consideravelmente alto e o motivo era bem óbvio: fazia um mês que eu não aparecia no site para nada. Tinha decidido colocar um fim nisso tudo, se meu perfil antigo acabou com minha carreira como professora, eu não queria pagar pra ver o que aconteceria se descobrissem esse perfil mais recente, embora, eu não mostrasse meu rosto em nenhuma transmissão, foto ou vídeo. Tomei banho, me vesti e fui até meu apartamento. Se eu fosse fazer isso realmente — e eu iria — precisava me despedir de uma certa pessoa. Tive muitos assinantes nesses últimos anos, alguns divertidos, mas que eu nem lembrava o nome. Este, no entanto, era um que eu tinha dificuldade em esquecer. Ele era alguém importante, sem dúvida, nunca me falou muito sobre sua vida e nossas interações eram puramente s****l. Ele pagava, e eu mandava fotos ou vídeos, jamais mostrando meu rosto, mas sempre fazendo o que ele pedia. Algumas vezes apenas conversávamos por algumas horas. Seu nome de usuário era rickspd e era assim que eu o conhecia. Tinha ouvido sua voz poucas vezes — duas vezes, precisamente — e ele nunca vira meu rosto, embora, sempre pedisse por isso, chegou até a me oferecer dinheiro, mas minha identidade não era algo que estivesse a venda. Já o meu corpo, sim. Rick insistia constantemente por uma sala privada comigo e eu nunca aceitei, nunca tive a coragem com medo do que quer que fosse acontecer lá, mas agora... Tudo estava diferente. ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ••• ㅤ Encarei o chat a minha frente. — Vamos, Rick, é nossa última conversa, preciso ouvir sua voz sexy mais uma vez. — ouvi o som tão conhecido por mim e finalmente, Rick tinha seu microfone ligado, mas não disse absolutamente nada. — Os acionistas chegaram para reunião. — ouvi uma vez feminina, certamente sua secretária e tudo ficou mudo novamente. — O dever o chama — falei, por fim depois de um breve silêncio — mas isso ainda não acabou. Era uma grande mentira, não tínhamos nada, mas o que mantínhamos ali tinha acabado, assim como minha carreira secreta no newadult. Rick demorou antes de em fim, sair da sala privada. Suspirei. Sentiria falta das nossas conversas, mas tudo aquilo já bastava pra mim. Desliguei a câmera minutos depois e peguei meu celular, estava vibrando mais que um vibrador na sua potência máxima e no visor mostrava que tinham 4 chamadas perdidas do meu pai. Retornei a ligação e depois de chamar por duas vezes, ele atendeu. — Onde você tá, Abigail? — meu pai quase gritou ao atender, parecia desesperado. — Estou em casa, pai, por quê? — Sua mãe tá aqui, branca igual papel. Aquela... A dondoca rica, fez alguma coisa que ela não quer me falar, da pra você vir pra cá? Era só o que me faltava. Murmurei um "ok" para meu pai e imediatamente saí de casa, dirigindo até a casa deles.
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