CAPÍTULO 5.

1406 Words
Quando pisei os pés na sala, encontrei minha mãe tremendo e meu pai tentando acalma-la, oferecendo um copo com água e possivelmente, açúcar dentro. — Que aconteceu, mãe? Ela me encarou, seus olhos estavam vermelhos e levemente inchados, tinha chorado. — Tá todo mundo comentando, Abigail! — ela suspirou longamente, tomando um gole do copo com água. — Estão dizendo por aí que você se vendia na internet e aquela... Aquela baranga ainda espalhou que você seduziu o filho para arrancar dinheiro deles. Ela disse que você se vendia num site pornográfico, Abigail, que história é essa? No dia em que tudo aconteceu, eu me certifiquei de que no meu perfil antigo não tivesse mais nenhuma foto imprópria minha. Deixei apenas a transmissão em que eu mostrava meu rosto e conversava no chat com algumas pessoas, temendo justamente que algo assim acontecesse. Me preveni porque sabia que aquela mulher não me deixaria em paz e me pertubaria até nos confins do inferno. — Já falei sobre isso, mãe, o perfil é de quando eu tinha 18 anos e não tem nada de mais. — segurei sua mão. — Ela disse que a culpa era minha... Que sempre fui uma pobretona esfomeada e que por isso você fez isso, pra arrancar dinheiro e me dar. Dessa vez, fui eu quem suspirou longa e pesadamente. Mulherzinha infeliz. Minha mãe era a mulher mais forte e guerreira que eu já vi, sempre lutou por mim para que nunca faltasse nada. Ela não merecia passar por nada disso, não merecia ouvir palavras tão duras. — Desculpa.— meu coração se partiu ao vê-la chorar. Gostaria tanto de poder voltar no tempo e mudar tudo o que eu fiz — eu... Mãe, me desculpa. Vou falar com ela, pedir para que nos deixe em paz. O problema dela é comigo, vocês não tem nada a ver. — Ela não vai parar, filha — minha mãe parou de falar por alguns instantes, limpou uma lágrima que escorria por sua bochecha e suspirou. Parecia hesitante em dizer algo. — disse que só ia parar se você fosse embora. Ela me garantiu que ia se certificar que você nunca mais conseguisse emprego nenhum, disse que ia falar com amigos importantes da região. Minha mãe chorou mais uma vez e eu a abracei. Essa mulher tinha ficado obcecada comigo e agora estava conseguindo de fato acabar com minha carreira. Por isso ninguém tinha retornado a respeito das propostas de emprego. — Agora vai ficar dez vezes mais difícil conseguir um bom emprego por aqui ou em qualquer lugar. Não sei porque aquela mulher ficou tão ofendida, eu nunca fiz nada com eles, nem obriguei o filho deles a nada. Não sei o que fazer... — meu pai me encarou. — Tenho falado com sua tia Helena — ele disse e suspirou. Essa era uma de nossas parentes que não morava no Brasil a um bom tempo, tia Helena morava em Seattle com a filha e o marido. Eram boa gente, no entanto. — contei pra ela a situação. — Ela pode ajudar? — minha mãe perguntou esperançosa demais. Talvez pelo fato de Helena ser advogada Mas eu não sei como uma tia advogada que nem no Brasil mora podia me ajudar nessa questão. Talvez indicar alguém que seja competente o bastante e tentar processar a baranga. — E pode. — meu pai suspirou mais uma vez, antes de prosseguir — mas não na questão judicial. Como está seu visto, filha? — Vence daqui onze meses, por quê? Só então, me toquei do que meu pai estava tentando dizer. E era loucura. Minha mãe também parecia ter se tocado, porque o encarava chocada. — Você só pode tá ficando louco se acha que nossa filha vai pra Seattle. — concordei, meu pai estava louco mesmo. — Filha... Eu sei que não eram esses seus planos, mas imagine como tudo pode ser diferente por lá. Querida, concorde comigo, vai ser o melhor para ela. E sua tia é boa gente, não vai deixar que nada falte pra você. — É, pai, mas eu nunca vou poder lecionar de qualquer jeito, a menos que consiga validar meu diploma por lá. E eu não vou conseguir isso em onze meses! — você pode dar aula em instituições privadas. Eu conversei com ela, filha. — minha mãe até então estava quieta, eu torcia para ela não estar concordando com aquilo, mas tinha certeza de que ela estava. — ou aulas particulares. De qualquer forma, sua tia lhe ajudaria no que precisasse, ela tem bons contatos. — Isso é loucura. Mãe diga a ele! Mas ela não disse. Ficou quieta revezando o olhar entre mim e meu pai. — Você sabe que estou certo. Lá Abigail poderia ter uma vida de outro mundo, aqui só teria estresse com essa mulher e os olhares julgadores. — Seu pai tem razão — bufei, encarando os dois. — filha, pense. Sua vida seria milhões de vezes melhor por lá. Aquela mulher não vai poder te difamar se você não tiver por aqui, depois que conseguir se firmar em Seattle pode dar aula em uma escola dez vezes melhor. Parecia loucura tudo aquilo, mas poderia dar certo. Não sei se foi o olhar de suplica que minha mãe me lançou, ou o fato dos dois estarem engolindo uns bons sapos, eu apenas suspirei pela milésima vez e assenti, não certa se era aquilo que eu queria fazer. Conversei com meus pais por algumas horas a respeito de tudo e finalmente, eles conseguiram me convencer. Pelo menos eu me agarrava firmemente nesse pensamento. Acho que devia isso a eles, devia isso principalmente a minha mãe que tinha ouvido muitas coisas cruéis por minha causa. Após passar pela portaria do condomínio, caminhei até meu prédio e em seguida, até meu apartamento. Avistei sentado em frente a minha porta uma silhueta masculina tão conhecida por mim. Suspirei, estava cansada demais para ter que lidar com aquilo agora. Estava tentando decidir entre voltar e esperar até que ele fosse embora, ou ficar e encarar aquele garoto mais uma vez. Tarde demais. Demorei para tomar uma decisão e Roberto tinha me visto. Levantou-se apressado e veio até mim. — Abby... Preciso falar com você. — É "Abigail", Roberto e não temos nada sobre o que conversar. — Caminhei até a porta e forcei a chave contra a fechadura. — Por favor, não faz isso comigo, por favor... Não me trata assim. — Ele segurou meu braço e eu o puxei de volta, me preparando para entrar. — Por favor, nos passamos por tanta coisa, você não pode me dispensar assim. — O que você quer ouvir, Roberto? Não tenho nada para dizer a você. Cê acabou com minha carreira, sua mãe infernizou a minha família por dias graças a você. — Eu não queria nada disso! E-eu... Ela me encurralou, não queria prejudicar você, mas eu não podia dizer que eu tinha insistindo para você ficar comigo. Não podia dizer para ela que eu não era quem ela pensava... — Não podia dizer porque você é um mimado imaturo, filhinho de papai. — Me virei para encara-lo. Esse desgraçado tinha me feito passar por pedófila para salvar a própria pele. — Eu mereço ouvir tudo isso, mas não é pra tanto. Você tá exagerando. — Exagerando? — fui para cima dele em passos furiosos na mesma hora, mas me contive a poucos centímetros. — Você tem a pachorra de vir aqui e de me dizer que estou exagerando? Eu quase fui presa porque você quis se passar por bonzinho para sua mãe. Se dependesse dela eu estaria presa agora, por um crime que sequer cometi! — Eu me arrependo amargamente, por favor, me dê mais uma chance, vamos voltar e concertar isso. — Não vamos voltar, porque nunca tivemos nada, isso nunca significou nada para mim e até onde eu sei para você também não. — ele me encarou, seu semblante era triste. — e eu estou indo embora daqui, tudo isso já deu o que tinha que dar e está começando a afetar minha família. Você nunca mais vai me ver novamente, então, se cuida. Sem esperar resposta entrei rapidamente no meu apartamento e tranquei a porta. Respirei profundamente e inspirei diversas vezes até me acalmar. Tudo isso tinha me desgastado demais e eu estava cansada. Seattle talvez não fosse tão r**m e fosse minha melhor escolha no momento.
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