Capítulo 3: Pose de Modelo e Atraso da Sam

795 Words
A casa da Luana era o caos organizado que a gente adorava. O quarto estava uma bagunça de maquiagem, spray de cabelo e roupas espalhadas pela cama, mas o resultado final? Impecável. Nós quatro estávamos prontas. Ou quase. Sara já estava sentada na ponta da cama, ajustando os brincos, com aquele vestido longo preto que deixava a pele dela brilhando como ébano. Luana, de shortinho jeans e cropped, já tinha passado o perfume três vezes e checava o celular ansiosa. Eu, Íris, me admirava no espelho de corpo inteiro. O vestido vermelho de mangas longas e costas nuas parecia ter sido feito sob medida. Meu cabelo cacheado estava solto, volumoso, emoldurando meu rosto, e a maquiagem destacava meus olhos sem exagerar. Eu me sentia poderosa. Gostosa, sim, mas principalmente poderosa. Só faltava uma pessoa. — Samantha! Pelo amor de Deus, mulher! — gritou Luana, batendo palmas. — Bora, Samanta, já! Tá muito perfeito, vamos logo que essa enrolação do caramba vai fazer a gente perder o melhor do baile! Do banheiro, ouviu-se um suspiro dramático seguido do barulho de mais um frasco sendo aberto. — Calma, Lua! Beleza leva tempo. E eu não vou sair parecendo qualquer uma. Revirei os olhos, sorrindo. Samantha sempre foi assim: perfeccionista até a medula. Quando ela finalmente saiu, entendemos o motivo da demora. Ela estava deslumbrante. O conjunto preto justo abraçava seu corpo magro e elegante, e seus olhos azuis estavam realçados por uma sombra esfumada que dava um ar misterioso. O cabelo loiro liso caía como uma cascata dourada pelas costas. — Pronto — disse ela, girando nos calcanhares. — E aí? Valeu a pena esperar? — Valeu — admitiu Luana, embora tenha revirado os olhos de novo. — Mas agora é agora. Antes de sairmos, tive uma ideia. Peguei meu celular da bolsa. — Ei, antes de irmos, vamos tirar uma foto nas quatro para postar no i********:. Vou marcar todo mundo, tá? As meninas vão pirar quando virem a gente arrasadona. As três concordaram na hora. — Tá bom — disse Sara, ajeitando o cabelo. — Bora lá — animou-se Luana. Nos agrupamos na frente do espelho grande do quarto da Luana. Eu no centro, com o vestido vermelho chamando atenção. Samantha à minha direita, com sua pose de modelo internacional. Sara à esquerda, serena e elegante. E Luana atrás de nós, fazendo biquinho e mostrando as pernas. Click. Olhamos a foto. Ficou incrível. A iluminação estava boa, nossas expressões eram de confiança e amizade pura. — Ficou ótima — disse Sara, analisando a tela. — Mas... não tá faltando nada, né? Luana e Samantha olharam para ela. — Sara, você já perguntou isso umas três vezes — disse Luana, rindo. — Não tá faltando nada. Estamos perfeitas. — Eu sei o que tá faltando — interrompeu Samantha, com aquele olhar esperto dela. Ela pegou meu celular da minha mão antes que eu pudesse reagir. — Uma foto da Íris sozinha. Com esse vestido maravilhoso, elegante e gostosa demais. Tá muito bonito pra não tirar uma foto sozinha e não postar. As pessoas precisam ver essa obra de arte. — Ah, para, Sam! — tentei protestar, mas já estava rindo. — Nada de "para". Vem aqui. — Ela me empurrou levemente para o centro do quarto, onde a luz do abajur criava um efeito interessante. — Faz um carão de modelo, Iris. Mostra essas costas nuas. Mostra essa postura de quem não deve nada a ninguém. Respirei fundo, entrando no personagem. Ergui o queixo, joguei o cabelo cacheado para um lado, coloquei uma mão na cintura e lancei um olhar penetrante para a lente da câmera. Não era só uma pose; era uma afirmação. Eu sou Íris. E eu mando em mim. Click. Click. Click. Samantha analisou as fotos rapidamente. — Essa aqui. A terceira. Você tá devastadora, amiga. Sério. Tá linda demais pra ficar escondida nesse quarto. Sorri, pegando o celular de volta. — Obrigada, Sam. Você sabe como me valorizar. Editei rapidamente, coloquei uma legenda simples: "Noites de Alemão. 🌹🔥 #Amigas #LookDoDia" e postei. Em segundos, as notificações começaram a pipocar. Curtidas, comentários de "gostosa", "linda", "arrasa". — Pronto — guardei o celular. — Agora podemos ir? — Agora sim — disse Luana, abrindo a porta do quarto. — Mas calma, a gente ainda não vai já pro galpão. Vamos descer devagar, aproveitar o clima, talvez passar na vendinha pra garantir que a noite comece bem. Descemos as escadas da casa da Luana, saltitantes, cheirando a perfume caro e expectativa. O morro estava vivo. Luzes coloridas piscavam ao longe, indicando a direção do galpão. O som grave do baixo já podia ser sentido no peito, mas ainda estávamos no nosso tempo, sem pressa, curtindo a companhia uma da outra antes de mergulhar na multidão.
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