— Boa tarde, mio unico amore.
No motel de beira de estrada, consegui identificar alguns dos nossos apenas passando com seus carros. Ainda me faltava algum tempo e a mãe ligou enquanto eu aguardava.
— Boa tarde, meu filho. Minha nora está me ligando bastante. Mandou uma mensagem dizendo que você a está ignorando — riu. — Antes de atendê-la, queria saber o que devo esperar…
— Argh, mãe! O de sempre — suspirei. — Ela quer ir ao shopping, falei que ela poderia esperar… como sempre, a senhora já sabe!
— Entendo… então, a chamarei para beber um vinho. Quem sabe não consigo acalmá-la um pouco!?
— A senhora é demais! — elogiei.
— Não vou tomar muito do seu tempo. Cuide-se, por favor.
— Ti amo, madre mia! — desliguei.
Era impressionante o quanto Beatrice parecia gostar de me estressar. Respirei fundo por alguns minutos, tentando não deixar aquele estresse contaminar meu trabalho.
Chegada minha hora, segui até a recepção. A atendente vestia um terno feminino e escrevia num grande caderno.
— Boa tarde, linda! — cumprimentei, sorrindo-lhe.
— Seu quarto já espera, senhor Marino.
— Grazie! — cumprimentei-lhe e voltei ao carro.
Era o clássico motel: um extenso pátio com a construção o circundando. A moto de Sarah, minha irmã mais velha, estava ao lado da escada. Felizmente, o número de carros era pequeno e consegui manobrar para ter uma rápida evasão.
As câmeras estavam desligadas e eu subi para o corredor dos quartos. O quarto de meu alvo tinha a chave na fechadura.
Abri a porta e entrei.
Minha irmã era belíssima; loira, como o pai, e ostentava os cachos herdados de Ashley. Tinha um corpo invejável e o olhar era treinado para esconder a assassina de primeira categoria que era.
Sarah vestia um macacão preto, que cobria pernas e braços; o decote era generoso e a maquiagem era bem pesada.
Na cama, o alvo estava deitado, amarrado, e ela lhe fazia carícias, ainda vestida. O quarto cheirava à champagne e o homem só estava de cueca, de olhos fechados, enfeitiçado.
— Piccola Notte! — Eu a chamei.
— Demorou! — A irmã me olhou sobre os ombros.
O homem finalmente abriu os olhos, me olhando.
— Eu já não suportava mais! — reclamou Sarah. — Vou tomar um banho e fumar um cigarro — disse, saindo.
— Desgraç-
Antes que ele terminasse de xingá-la, me aproximei para interrompê-lo com um soco. Ele se debateu para tentar sair.
— Não vamos ficar nervosos. Ela é ótima em dar nós — falei, sentando ao seu lado. — O que querem na minha casa?
— Bastardo!
Saquei a pistola e coloquei ao lado do seu ouvido, apontando para a cabeceira. Odiava ser chamado assim… só era controlado o suficiente para não apontar à cabeça.
— O que querem na minha casa? — repeti, calmo.
Voltando a xingar, não deixei ele terminar e atirei.
Ele fechou os olhos e estremeceu. Antes que reclamasse da dor, encostei o cano quente em seu ouvido e ele começou a gritar. Quando perdeu a voz, afastei a arma e indaguei:
— Qual sua missão aqui, desgraçado?
Ele se provou pouco tolerante a dor, quando me pareceu mais tonto que o normal.
— V-Vic… torio — respondeu.
O coração quase errou as batidas.
— Vem em nome de quem?
— Sangu-
Consegui me conter para não disparar contra sua cabeça, mas uma coronhada no fronte foi suficiente para desmaiá-lo.
— Sarah, preciso sair! — avisei. — Divirta-se!
Corri ao carro, assumi o volante e dei o comando para o computador de bordo ligar para o pai enquanto eu acelerava.
— Pai, onde estão os irmãos!? — perguntei rápido.
— Agora, devem estar no colégio… O que houve?
— Depois explico! — encerrei a ligação.
Suor frio escorria da minha testa.
Mesmo com o painel indicando alta velocidade, me sentia devagar. O freio de mão foi meu parceiro e levantou o alerta aos seguranças dos irmãos que estavam no portão do colégio.
— Cadê eles? — Desci rápido do carro, perguntando.
— Devem estar saindo logo, Dan. — Um deles, Magnos, já era um colega de longa data, me respondeu.
— Tiro eles daí e vamos para casa!
— Sim, senhor! — O segundo assentiu.
— No primeiro sinal estranho, podem atirar — falei.
Eles assentiram e segui ao interior do colégio. Vendo-me caminhando pelos corredores do colégio, uma professora parou na minha frente e me perguntou:
— Senhor, o que faz?
— Nunca apontei a arma a ninguém do povo, senhora… vim buscar meus irmãos! — falei, tentando não ameaçá-la.
Com os olhos arregalados, ela apenas abriu caminho para mim e me deixou passar, vindo às minhas costas.
Eles tinham nove anos. Éramos parecidos: com cabelos lisos castanhos claros; olhos bem azuis, como os do pai.
Nossa única diferença era o formato do rosto, enquanto puxei o pai com o maxilar um pouco mais quadrado, eles puxaram sua mãe e tinham traços mais delicados.
Parei na porta de sua sala, interrompendo a aula.
Giuseppe era agitado. Sentado, nem prestava atenção na aula, conversando com o colega de trás. Victorio era estudioso. Olhando para frente, me percebeu e chamou o enérgico.
Eles recolheram suas coisas para se aproximar, pediram minha benção e beijei suas testas, saindo em silêncio.
Os soldados ficaram atentos enquanto os coloquei no carro. Na volta, não acelerei tanto para dar exemplo.
— O que há, babbo? — Victorio perguntou no caminho.
— Não é seguro ficar no colégio… Pedirei que Megan chame aquela professora que vocês gostam nos próximos dias.
— Hm… tudo bem. — Ele assentiu com a cabeça.
— Tem que prestar atenção na aula, Giuseppe… eu vi! — repreendi, olhando-o pelo retrovisor.
— Desculpa, babbo… eu me distraí — reparou-se.
— Desculpo… mas, fica atento, hein!