II. Razões para Viver

971 Words
— Boa tarde, mio unico amore. No motel de beira de estrada, consegui identificar alguns dos nossos apenas passando com seus carros. Ainda me faltava algum tempo e a mãe ligou enquanto eu aguardava. — Boa tarde, meu filho. Minha nora está me ligando bastante. Mandou uma mensagem dizendo que você a está ignorando — riu. — Antes de atendê-la, queria saber o que devo esperar… — Argh, mãe! O de sempre — suspirei. — Ela quer ir ao shopping, falei que ela poderia esperar… como sempre, a senhora já sabe! — Entendo… então, a chamarei para beber um vinho. Quem sabe não consigo acalmá-la um pouco!? — A senhora é demais! — elogiei. — Não vou tomar muito do seu tempo. Cuide-se, por favor. — Ti amo, madre mia! — desliguei. Era impressionante o quanto Beatrice parecia gostar de me estressar. Respirei fundo por alguns minutos, tentando não deixar aquele estresse contaminar meu trabalho. Chegada minha hora, segui até a recepção. A atendente vestia um terno feminino e escrevia num grande caderno. — Boa tarde, linda! — cumprimentei, sorrindo-lhe. — Seu quarto já espera, senhor Marino. — Grazie! — cumprimentei-lhe e voltei ao carro. Era o clássico motel: um extenso pátio com a construção o circundando. A moto de Sarah, minha irmã mais velha, estava ao lado da escada. Felizmente, o número de carros era pequeno e consegui manobrar para ter uma rápida evasão. As câmeras estavam desligadas e eu subi para o corredor dos quartos. O quarto de meu alvo tinha a chave na fechadura. Abri a porta e entrei. Minha irmã era belíssima; loira, como o pai, e ostentava os cachos herdados de Ashley. Tinha um corpo invejável e o olhar era treinado para esconder a assassina de primeira categoria que era. Sarah vestia um macacão preto, que cobria pernas e braços; o decote era generoso e a maquiagem era bem pesada. Na cama, o alvo estava deitado, amarrado, e ela lhe fazia carícias, ainda vestida. O quarto cheirava à champagne e o homem só estava de cueca, de olhos fechados, enfeitiçado. — Piccola Notte! — Eu a chamei. — Demorou! — A irmã me olhou sobre os ombros. O homem finalmente abriu os olhos, me olhando. — Eu já não suportava mais! — reclamou Sarah. — Vou tomar um banho e fumar um cigarro — disse, saindo. — Desgraç- Antes que ele terminasse de xingá-la, me aproximei para interrompê-lo com um soco. Ele se debateu para tentar sair. — Não vamos ficar nervosos. Ela é ótima em dar nós — falei, sentando ao seu lado. — O que querem na minha casa? — Bastardo! Saquei a pistola e coloquei ao lado do seu ouvido, apontando para a cabeceira. Odiava ser chamado assim… só era controlado o suficiente para não apontar à cabeça. — O que querem na minha casa? — repeti, calmo. Voltando a xingar, não deixei ele terminar e atirei. Ele fechou os olhos e estremeceu. Antes que reclamasse da dor, encostei o cano quente em seu ouvido e ele começou a gritar. Quando perdeu a voz, afastei a arma e indaguei: — Qual sua missão aqui, desgraçado? Ele se provou pouco tolerante a dor, quando me pareceu mais tonto que o normal. — V-Vic… torio — respondeu. O coração quase errou as batidas. — Vem em nome de quem? — Sangu- Consegui me conter para não disparar contra sua cabeça, mas uma coronhada no fronte foi suficiente para desmaiá-lo. — Sarah, preciso sair! — avisei. — Divirta-se! Corri ao carro, assumi o volante e dei o comando para o computador de bordo ligar para o pai enquanto eu acelerava. — Pai, onde estão os irmãos!? — perguntei rápido. — Agora, devem estar no colégio… O que houve? — Depois explico! — encerrei a ligação. Suor frio escorria da minha testa. Mesmo com o painel indicando alta velocidade, me sentia devagar. O freio de mão foi meu parceiro e levantou o alerta aos seguranças dos irmãos que estavam no portão do colégio. — Cadê eles? — Desci rápido do carro, perguntando. — Devem estar saindo logo, Dan. — Um deles, Magnos, já era um colega de longa data, me respondeu. — Tiro eles daí e vamos para casa! — Sim, senhor! — O segundo assentiu. — No primeiro sinal estranho, podem atirar — falei. Eles assentiram e segui ao interior do colégio. Vendo-me caminhando pelos corredores do colégio, uma professora parou na minha frente e me perguntou: — Senhor, o que faz? — Nunca apontei a arma a ninguém do povo, senhora… vim buscar meus irmãos! — falei, tentando não ameaçá-la. Com os olhos arregalados, ela apenas abriu caminho para mim e me deixou passar, vindo às minhas costas. Eles tinham nove anos. Éramos parecidos: com cabelos lisos castanhos claros; olhos bem azuis, como os do pai. Nossa única diferença era o formato do rosto, enquanto puxei o pai com o maxilar um pouco mais quadrado, eles puxaram sua mãe e tinham traços mais delicados. Parei na porta de sua sala, interrompendo a aula. Giuseppe era agitado. Sentado, nem prestava atenção na aula, conversando com o colega de trás. Victorio era estudioso. Olhando para frente, me percebeu e chamou o enérgico. Eles recolheram suas coisas para se aproximar, pediram minha benção e beijei suas testas, saindo em silêncio. Os soldados ficaram atentos enquanto os coloquei no carro. Na volta, não acelerei tanto para dar exemplo. — O que há, babbo? — Victorio perguntou no caminho. — Não é seguro ficar no colégio… Pedirei que Megan chame aquela professora que vocês gostam nos próximos dias. — Hm… tudo bem. — Ele assentiu com a cabeça. — Tem que prestar atenção na aula, Giuseppe… eu vi! — repreendi, olhando-o pelo retrovisor. — Desculpa, babbo… eu me distraí — reparou-se. — Desculpo… mas, fica atento, hein!
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