Capítulo 5

1180 Words
P.O.V Olívia - Você está lendo o que? - me recusei a encará-la então simplesmente ergui a capa do livro para que ela visse o nome. - You and I? - assenti com a cabeça esperando que ela calasse a boca. - Isso tudo só para evitar falar comigo? - suspirei alto fechando o livro bruscamente, ela parecia tentar não mostrar que estava chateada. - O que você quer? - perguntei desejando que ela não respondesse mesmo. - Eu vou dirigir por horas.. - ela começou a divagar prestando atenção na estrada. - Achei que a gente poderia ir conversando. - o jeito como ela tamborilava os dedos no volante demonstrava o quão nervosa estava. - E sobre o que conversariamos Natalie? - perguntei impaciente, como era possível ser duas caras com tanta facilidade? - Não sei Liv... - ela deu de ombros me olhando por um instante, seu olhar recaiu sobre o livro e então ela sorriu como se acabasse de ter uma idéia brilhante. - Me conte sobre esse livro aí, já te vi lendo outras vezes. - Fala sobre uma garota odiada pela irmã mais velha, abusada pelo próprio namorado babaca e sem nenhum amor próprio, até que ela conhece alguém que cuida dela, que é gentil e realmente está disposta a ir até o inferno só para que ela seja feliz. - encarei a capa do livro onde havia duas mulheres se beijando, sempre que eu o lia desejava ter um amor como aquele, capaz de enfrentar qualquer coisa. - É um amor que supera qualquer coisa realmente. - Parece ser um bom livro.. - ela comentou sorrindo. - Por que gosta tanto dele? - Porque me faz acreditar que o amor verdadeiro pode superar brigas, sequestros, traumas, comas, tiroteios e qualquer coisa que tente os impedir. - suspirei baixinho a encarando. Talvez ela estivesse tentando melhorar as coisas e eu estou dificultando, talvez ela estivesse se esforçando. Ou, estou fantasiando novamente inebriada por histórias de amor verdadeiro quando na verdade isso só existe em livros. - Acha que o nosso amor pode ser assim? - arqueei a sobrancelha vendo-a sorrir bobamente, pelo tempo que fiquei em silêncio ela percebeu que eu não pensava daquele modo, não mais pelo menos. - Acho que precisa dirigir mais rápido se quiser chegar lá a tempo, não sabemos o que o Henry está passando. - falei tentando puxar assunto com ela, odiava vê-la quieta, significava que estava chateada. Me importar com seus sentimentos impediam que eu conseguisse a odiar por completo. - O fato de não ser a primeira vez que ele foge talvez seja um sinal do que ele anda passando. - abri a boca incrédula com seu julgamento cético, até parece que era minha culpa. - Não estou dizendo que é sua culpa.. - ela disse tardiamente enquanto eu observava sua tentativa falha de formular um argumento. - Mas se essa Elizabeth Miller é uma mãe adotiva apta porque ela levou tanto tempo tentando conseguir a guarda de uma criança e por que ele foge tanto? - Mães não são perfeitas. - justifiquei encostando a cabeça na janela fria do carro. - Ela deve estar tentando cuidar dele. - As vezes não dá.. - ela pôs a mão sobre minha coxa em um ato impensado mas logo removeu. - Não dá para cuidar dos filhos muitas vezes. - e com esta frase eu percebi que ela estava falando do nosso filho e não do garoto perdido. Para evitar continuar com aquela conversa apanhei meu celular sobre o painel do carro e me dediquei a olhar minhas redes sociais como se fosse a coisa mais interessante a fazer. Só tínhamos que continuar juntas até a manhã seguinte quando encontraríamos o Henry e o trariamos de volta. - Ah não! - exclamei assim que uma foto preencheu toda a tela do meu celular, era possível sentir os olhos da Natalie tentando ver o que havia me feito falar tão alto e de modo tão incrédulo mas minha concentração estava dedicada somente a aquela foto. Postada pela Claire há alguns minutos atrás com a legenda: 'razão para meu coração bater mais forte' definitivamente fez meu estômago revirar, e o pior ela estava beijando a bochecha da Natalie, a centímetros da boca dela, míseros centímetros da boca da minha esposa! Bloqueei a tela jogando o celular sobre o colo, respirei fundo tentando não estrangular a mulher ao meu lado que alternava de modo constante o olhar entre a estrada e meu semblante nada bom. Se ela pensa que eu a deixarei curtir uma vida de solteira sem se divorciar e infernizar minha vida se negando a me deixar ficar com a casa ela está muito enganada, eu desviei o foco do meu plano principal com o caso do Henry, mas agora.. Ah, Natalie, você não perde por esperar. - Você está bem? - ela perguntou me olhando rapidamente antes de voltar a atenção para a rua deserta em que dirigia. - Olívia.. - respirei fundo sorrindo para ela logo em seguida. - Sim, estou bem. - ela não pareceu convencida, então me inclinei um pouco para ela deixando meu corpo encostarem em seu braço levemente, seus olhos arregalarem-se não conseguindo esconder o quanto estava assustada com aquela atitude minha. - Eu só estava pensando.. - ergui meu braço o apoiando em seu banco antes de levar minha mão até seus cabelos para afastá-los de seu rosto colocando-os atrás da orelha. - Estava pensando? - ela perguntou gaguejando levemente com a voz baixa. - Sim, estava pensando em pararmos em um hotel. - murmurei bem devagar próximo a sua orelha deixando-a saborear cada palavra lentamente dita no meu tom mais sensual possível. - Para que? - ela se afastou um pouco como se buscasse espaço entre nossos corpos, o fato dela estar quase parando o carro de tão devagar que dirigia só deixava claro o quanto eu havia mexido com ela, estava no caminho certo. - Eu preciso de uma cama Natalie. - acariciei sua nuca com a ponta dos dedos antes de me inclinar mais sobre ela quase tocando os lábios em sua orelha. - Eu preciso muito Natalie! - enfatizei seu nome pronunciando-o manhosamente. As vantagens de estar casada com ela era que eu sabia exatamente o que a deixava excitada. - E-Eu.. - ela encolheu os ombros se arrepiando. - Vamos a um hotel. - sorri fingindo estar feliz com essa idéia quando na verdade eu estava feliz por ela ceder tão facilmente a mim. - Isso! - murmurei em um quase gemido. - Obrigada Natalie. - me afastei dela sentando no banco novamente mas mantive minha mão em sua nuca a acariciando devagar com a ponta das unhas. O jeito como ela parecia paralisada ali sentada e como apertava fortemente o volante só me provavam que tinha dado certo, agora só precisamos de um hotel para dar início a segunda parte da provocação. Eu só não podia dormir com o inimigo, não seria tão difícil assim só pensar naquela foto absurda e naquela possível relação mais absurda ainda!
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