Minhoca narrando- o destino me obrigou a ser recluso e excluído de tudo e de todos, eu era um cara normal , estudava , tinha o sonho de ser engenheiro, tinha uma namorada que eu amava, planejava o futuro com ela, filhos, eu filho único de dois oficiais da Marinha, minha mãe médica, meu pai Dentista, não éramos ricos, más tinhamos uma vida confortável, éramos felizes, uma família que era exemplo para muita gente, moravamos em Vitória- ES , um dia o destino transformou tudo que era bom em um trágico conto de terror, cheguei da escola como sempre na hora do almoço, meu pai com o celular da minha mãe na mão, gritava alto que ela iria pagar pela traição, ela chorando dizia não ter culpa da mensagem que ela havia apenas recebido e não correspondido, ele não se contentou com a resposta e golpeou ela varias vezes com uma barra de ferro ali na minha frente, eu moleque tentei impedir claro que não consegui, então eu entrei no quarto deles peguei a arma dele na gaveta e atirei várias vezes até ele cair sem vida, nunca tinha visto meu pai nem falar alto com ela, nunca vi os dois brigarem antes, nesse dia eu matei o meu pai e matei a mim mesmo, com a ajuda de um tio por parte de mãe, socorremos ela com vida, levamos para um hospital do interior para que eu pudesse fugir, a familia do meu pai me cassava como bixo, tios, avô, primos todos querendo minha cabeça, viviamos de cidade em cidade, eles querem se vingar e me m***r, a polícia me prender e minha mãe precisa de mim, ela está acamada, condenada a imobilidade por toda a vida, as vezes sinto que ela sorri para mim.
Meu dinheiro estava acabando e meu tio sumiu, me vi perdido, anos vivendo de cidade em cidade, com medo da morte e medo de ser preso, e ter que abandonar a pessoa que eu mais amo nesse mundo , já são sete anos fugindo , o que me motiva é que ela progrediu em algumas coisas, o pouco de dinheiro que me restou me trouxe para Brasília, aluguei uma casa e as vezes não tinha nem o que comer, não tinha emprego e nem podia procurar , encontrei o Glock por acaso, em uma noite que eu sai andando sem rumo, ele me perguntou se eu tava roubando na quebrada, falei que não, que apesar de estar com fome jamais roubaria. Me colocou dentro do carro , eu me assustei ele era todo estilo maloqueiro, más não tinha cara de um, era até sorridente demais, me levou para uma lanchonete pagou meu lanche e me deu um kilo de ** para vender, vendi e entreguei o dinheiro para ele dias depois , ele falou que era meu o dinheiro e que se eu fosse esperto compraria mais e venderia para fazer mais dinheiro, falei para ele que queria vender para ele, ele me colocou de avião , eu não falava da minha vida para ele o que deixava ele puto da vida, uma vez fui para a rua vender e quando voltei ele tava sentado do lado da minha mãe, tomei um susto, e tive que contar tudo , ele nunca falou para ninguém, nem para a pavão,pagou para montar o quarto da minha mãe igual de hospital com tudo, comprou a casa que era alugada e me deu, me deu canal de médico, enfermeiro, fisioterapeuta o que ela precisar, tudo pago particular para não abrir prontuário em hospital, trabalhei duro para ele que me fez gerente de várias bocas dele, sempre tive ele como um irmão de verdade, nunca sai com ele para frevo, m*l ia na casa dele, por isso as pessoas não via a nossa amizade que ia além do que as pessoas enxergavam.
Quando ele morreu eu perdi o rumo de novo, e eu tive levantar a cabeça e procurar o caminho , achei na pavão, nunca vi ela com outros olhos, pensei em incentivar ela a continuar a caminhada para que eu pudesse estar na caminhada também e para proteger ela, quem fez isso com o Glock não vai parar nele, quem matou o Glock não queria só o fim da vida dele quer ocupar seu lugar.
Além de não poder falar da minha vida eu parei no tempo, guardei no coração um amor que deixei para trás e me apego nas lembranças e na saudade, para suprir a necessidade de ser amado, sonho com ela , choro olhando as fotos na rede social através de um fake e guardo em segredo um sentimento que é só meu, a capixaba mais linda de Vitória , Bruna.
O beijo da pavão me trouxe o que eu não sentia a sete anos atrás, vida, más não era a minha boca que ela beijava era a do Glock ou a do play boy do carro, eu voltei a ser o mesmo morto de sempre, vi a p***a da lista com meu nome no topo da desconfiança dela, fiquei bolado mesmo, não saber da minha vida não me torna o assassino do único amigo que eu tive na vida, fiquei tão grilado que tive que explanar a minha vida para ela.
Outro beijo? Acho que agora foi em mim, foi diferente mais devagar, foi bom, e aqui estou contando para minha mãe sobre o meu primeiro beijo depois de sete anos, e contando para ela que eu não posso confundir as coisas, e que seria como trair o Glock, mesmo assim me deixei sonhar e sentir o gosto dela na minha boca.
Hoje já é outro dia, tô meio assim de ter revelado meu segredo, e também pelo beijo que talvez ela nem se lembre ou não tenha importância, fui dá um giro nas bocada para recolher o faturamento, dei de cara com o Duran na frente da boca da 12, balancei a cabeça para cumprimentar, entrei na boca firmei minha 9mm na cintura, peguei o malote e sai , ele ainda tava lá fumando um cigarro de baile, encostado no carro.
Duran- e ai grande minhoca.
Minhoca- de boa Duran?
Duran- sempre né parceiro, mas fala ai tá colocando a pavão no topo igual era com o Glock, cuidado para não levar tombo também, nunca se sabe.
Joguei o malote dentro do carro, cheguei perto dele, puxei o cigarro da boca dele, joguei no chão e pisei.
Minhoca- eu não sou teu parceiro, tô ligado em você já tem um tempo, o que você quer eu quero em dobro.
Duran- calma minhoca, tá bravo? Geral ai falando que tu matou o Glock para comer a mulher dele e assumir o reinado.
Minhoca- geral aqui é tú c*****o, tú que fica jogando conversa fora, você não tem tuas boca para dar conta não? fica atrás de conversa de zé povinho, quero que vá para o inferno você e esse povo que não tem o que fazer, falar todo mundo fala.
Duran- tá declarando guerra minhoca? É isso ai mesmo? Vai guerrear com quem tá do teu lado te dando a voz para tú sair fora, sai dessa de fazer mulher de Glock rainha das bocadas, volta para o teu ponto e vai vender tuas drogas e deixa isso queto.
Minhoca- guerra o quê p***a? Eu vou fazer o que eu tiver afim de fazer, tá no recalque porque ela ta fazendo em pouco tempo o que tú não faz na caminhada de anos.
Duran- vacilou ai irmão, ela já te falou que quiz me dar ela tá carente quer dar para o primeiro que vier, e eu sai fora né, o Glock era meu irmão, tenho consideração.
Minhoca- não me interessa a vida dela , muito menos a tua, só guarda ai na tua cabeça que eu tô esperto contigo, e na tua escola de maldade eu já dei aula.
Sai sem dar as costas para ele, não confio em traira, filho da p**a, eu sei que ele ta metido na morte do Glock, más não foi sozinho, vou pegar um por um, e quando eu pegar eu tenho até dó.
A vida me ensinou a me acostumar com a solidão e me deu a força para lutar contra quem eu quiser, não existe ninguém melhor e nem pior do que ninguém, qualquer um é capaz de m***r, más quem tem sede de vingança, tem sede de sangue, e a capacidade de m***r se multiplica a cada lembrança de quem se foi.
Depois de dar um peão nas bocadas fui na casa da pavão guardar o dinheiro e marcar para fazer a compra no Falcão, ele não quer terceiros no negócio e quer que ela vá a todo custo, até desconto na d***a ele vai dar, coisa que nunca vi fornecedor nenhum fazer.
O que o Duran me falou dela não me atingiu em nada, não sou nada dela a não ser o gerente da firma, ela faz o que quiser, ela não é minha dona e pode ser de quem ela quiser. Mas quando vi ela abri o portão vestida em um micro short e uma camisa do flamengo eu senti vontade de m***r o Duran mais de dez vezes, e mandar o falcão enfiar o desconto dele no **.
Pavão- oi.
Minhoca- e aê.
Ela ficou parada em frente ao portão me olhando, sorrindo, eu ainda não tinha notado esse sorriso , não assim querendo abrir ele com a língua.
Pavão- entra ai.
Entrei com os malotes, no escritório do Glock , contei a grana na frente dela, falei que vamos amanhã encontrar o falcão, falei sobre as bocadas, sobre os aviões e sobre soldados, sobre os suspeitos da morte do Glock. Sentada na mesa ela me olhava mechendo nos cabelos, balançando a cabeça.
Minhoca- bora?
Pavão- aonde?
Eu ri.
Minhoca- tu não ouviu nada do que eu falei véi?
Pavão- hã?
Minhoca- tá fumando maconha? Se liga quem vende não usa.
Pavão- não fumo, más você fuma e o glock fumava.
Minhoca- é uma excessão.
Pavão - não vai falar nada?
Minhoca- o tanto de coisa que eu falei aqui, tô até com a boca seca.
Ela passou a lingua na boca e mordeu.
Pavão - vem molhar aqui na minha.
Moço , meu p*u ficou duro só de ouvir ela falar.
Minhoca- foi m*l, más tenho que ir, minha mãe, tenho que dar o remédio.
Ela desfez a expressão de sexy para triste e até triste ela é sexy, a idéia da carência e de ela querer o Duran fizeram algum sentido agora, e também a consideração pelo mano que se foi, beijar a mulher dele na casa dele , me fizeram desistir do que eu que eu mais quero agora.
Ela desceu da mesa de uma vez, eu fui caminhando pelo corredor até a sala na frente dela, eu não consegui me controlar, me virei para ela, que se assustou dando um passo para trás, segurei a nuca dela, olhei bem nos olhos dela, dirigindo meu olhar até a boca dela.
Minhoca- é que minha boca tá muito seca.
Abri os lábios dela com os meus, nossas línguas descobriam cada centímetro da boca um do outro, meu corpo incendiando por uma necessidade de pertencer ao dela, soltei o beijo devagar, quase como uma prece nossos olhos se reencontraram para selar o nosso beijo.
Que o Glock me perdoe se ele estiver vendo isso, más foi maior do que eu.
Não precisamos dizer nada um ao outro sabiamos o limite de nossa consciência que não nos deixaria ir além de um beijo, e sabiamos também que não estamos errados em querer e sentir o inevitável, me virei saindo e deixando para trás o sorriso de um pós beijo que fez meu coração bater de novo, entrei no carro querendo gritar para o mundo que o que eu estou sentindo sem se sequer saber qual o nome que dar para esse tipo de sentimento, eu que um dia conheci o amor posso afirmar que isso aqui vai além disso, pareço exagerado más é o que o coração guardado a sete anos e a sete chaves sentiu ao se deixar ser aberto novamente.
Pavão narrando- não consegui me concentrar em uma palavra que saia da boca do minhoca, depois de passar o tempo todo dando raplay no beijo, ouvindo música romântica e planejando o próximo, os próximos, ai ele vem e me dá um fora, e me puxa de volta para dentro, não tenho como dá nome a sentimentos, não agora, ainda estou tonta, depois do beijo, mais é bom sentir isso, a consciência pesada não me deixa sentir por completo, o pensamento intercala entre o desejo e a culpa, um misto de alegria e de tristeza de pensar em estar traindo o Glock deixam meu coração dividido.
Bateram no portão, o coração chega errou o compasso, más não é o minhoca é o Duran.
Duran- e ai? Posso entrar? Tenho uma parada para te falar .
Pavão- Entra ai. Ele entrou e sentou em um sofá e eu no outro.
Duran- se liga , sai fora desse minhoca, os cara tá querendo passar ele, parece que ele que mandou m***r o Glock, e tá te usando para ficar no lugar dele.
Pavão- quem quer passar ele?
Duran- o filé , o mico , tem uns cara ai ja ligado na dele.
Pavão- tá, eu vou trocar idéia com eles.
Duran- tá desacreditando da minha palavra?
Pavão- não! Más eu quero saber o que eles sabem que eu não sei, e ninguém vai derramar o sangue de quem matou o Glock além de mim.
Duran- essa guerra não é sua, deixa a gente fazer o que tem que ser feito.
Pavão- a gente? Tá no bolo também Duran ?
Duran- o Glock era meu mano, e esse minhoca vai pagar.
Pavão- vocês não vão fazer nada ainda.
Duran- vai bater de frente com o comboio?
Pavão- não, o mico é do comboio, eu só quero ouvir o que eles tem a dizer.
Ele foi ficando vermelho de raiva, acho que minha lista de suspeito acabou de ser reduzida, e depois de trocar idéia com eles eu vou saber quem é quem.
Liguei para o mico na frente do Duran.
Pavão- oi compadre.
Mico- e ai comadre, na paz?
Pavão- na paz, e ai tem como levar uma idéia com você amanhã.
Mico- demorou , tenho um papo para levar com tú sobre o finado Glock.
Pavão- é esse o assunto, tem como você trazer o filé junto?
Mico- pode crê, leva o tal minhoca para a ciranda beleza, vamos colocar os pentes nas pitolas certas.
Pavão- tá bom! Até amanhã, um beijo na sophie e na Sara.
Mico- falô um beijo nos gêmeos, fica com Deus.
Pavão- pronto, você vem também Duran.
Duran- não precisava disso, más amanhã é nois toda hora, pela verdade.
Ele me olhou com o ódio, más não deixou de passear com os olhos pelo meu corpo.
Pavão- eu vou estudar, amanhã tenho prova.
Duran- eu queria era provar do seu beijo.
Pavão- vai embora Duran.
Ele saiu sorrindo.
?tadinho do minhoca que historia triste, Duran parece ser uma peste. Que fofinho nosso casal, eles vão conseguir passar por cima desse tanto de coisa para ficar juntos? Como assim m***r o minhoca, como vai ser esse papo com os bandidos e suspeitos.