A lista

2894 Words
Luana narrando- é muito difícil mexer nessa história e saber que eu posso ficar cara a cara com quem destruiu a minha família, com quem tirou de mim o amor da minha vida , tirou dos meus filhos o pai que eles tanto amavam, uma parte de mim morreu aquele dia, o Glock não morreu sozinho ele levou parte de mim que vai sofrer a dor da partida para sempre. Depois que sai do jogo em meio aos olhares julgadores , julgada por não me vestir com uma camiseta , julgada por ter o minhoca por perto, julgada por não ficar e esperar uma homenagem de quem não sabe o tamanho da minha dor, fui para casa com as crianças, e o minhoca foi para a casa dele, dei banho nelas , dei um lanche elas dormiram . Peguei um papel e uma caneta para começar a anotar os meus pensamentos, preciso descobrir quem tinha motivos para m***r o Glock, é difícil achar um motivo já que ele era tão de boa com todo mundo, sempre ajudou até quem não merecia, o nome do Filé se torna evidente por causa das bocas que o Glock tava comprando dele, comprando e não tomando, porque ele mataria o Glock, o minhoca acredita que foi alguém que esteja por perto . Vamos lá para a lista dos bandidos próximos: Minhoca: não sei nada dele, pelo jeito o Glock também não sabia , sei que tem três anos que ele mora no setor de chácara aqui perto, não sei com quem mora, se é foragido se é pedido em outra quebrada, começou como avião do Glock , o Glock colocou ele na gerencia por ele ser correto demais e nunca dar um desfalque sequer, ele me incentivou a ficar no lugar do Glock , será que ele não planejou isso tudo para ficar no lugar do Glock ? a pistola e a d***a que ele levou para o campo no dia da morte, onde estão? Duran: amigo do Glock até mesmo antes da gente namorar, no começo não suportava ele, que insistia em jogar várias mulheres para cima do Glock e sempre fez de tudo para separar nós dois, depois viu que era em vão e desistiu, estava sempre na minha casa , bebia e curtia frevos com ele, é padrinho do Danilo, sempre quis fazer parte dos negócios do Glock , más ele nunca deixou, ele tinha um pé atrás com ele, me contou que uma vez ele pegou uma pistola da coleção sem o Glock saber inventou uma historia que a policia pegou a pistola , e ficou por isso mesmo, e ainda ficou dando em cima de mim depois da morte , antes ele ficava olhando e com umas brincadeiras más eu não via maldade. Mico: é um dos traficantes mais barras pesadas que existe em Brasília, é dono da maior parte das bocas , é um dos lideres da maior facção do DF, ele é muito c***l com quem atravessa seu caminho, más como pessoa ele é ótimo é padrinho da Dani, o Glock sempre elogiou ele como pessoa, não falava muito dele no crime, ele também andava aqui em casa direto, nós também íamos na dele, ele é casado com a Sara ela é madrinha da Dani eles tem uma filha que se chama Sofia de dois anos, jogava no mesmo time do Glock, não estava no jogo de homenagem , preciso saber se no dia da morte ele estava no jogo. Falcão: O distribuidor da d***a, conheci naquele dia , nunca tinha ouvido falar, nunca ouvi o Glock mencionar o nome dele, embora na agenda o nome dele estivesse em várias páginas , cheio de marra se acha o dono do mundo, não sei se ele tinha algum motivo, pode ter tido uma desavença, más ele até ofereceu fortalecimento para pegar quem matou. Bocão, Catrina e Gustavin aviões do Glock das bocas aqui da quebrada, tem mais por ai, más eu nem sei quem são, são menores todos eles, não me parecem capazes de pensar e planejar algo como m***r o patrão, e porque matariam ele , o Glock sempre fez vista grossa para o dinheiro que faltava , para a d***a que faltava, mesmo o minhoca falando que o desfalque estava se repetindo sempre. Bom até agora são esses, tem mais amigos , o Glock tinha muitos , más os que eu acho que devem ficar nessa lista por enquanto são esses, cansada , tomei um banho , a minha mãe veio buscar as crianças para dormir com ela, deitei na cama, pensando nos nomes da lista de suspeitos, e se eu deveria acrescentar mais alguém. Não consegui dormir o que não é nenhuma novidade, levantei e fui para o meu lugar favorito o banco da praça, a rotina das pessoas parecem a mesma, uns comemoram a vitória do seu time, outros conversam sobre a vida, as crianças brincam , vendedores vendem , compradores compram afim de girar o dinheiro que a receita não contabiliza, as meninas dançam funk , e eu aqui estou no meu mundo particular invejando parte de uma alegria que eu custo acreditar que terei de novo. O carro daquele dia parou atrás de mim, olhei e vi o mesmo cara, não me lembrava mais dele, achei que ele não fosse voltar, ele sorriu para mim, um sorriso de canto, diferente do outro dia ele parece menos desesperado, desceu do carro e sentou do meu lado. Douglas- e ai? Cheiroso e mais arrumado, pude notar a beleza dele, a tempos eu não conseguia notar a beleza de ninguém. Pavão- oi como você está? Douglas- melhor do que aquele dia que nos conhecemos, tem dias ruins e tem dias terríveis, aquele era um dia terrível. Pavão- eu sei como é. Douglas- tem dias que a falta da Soraya é tanta que parece que vou morrer junto. Pavão- eu entendo. Douglas- você também perdeu um filho? Pavão- não Deus me livre, eu perdi um amor e dói muito. Douglas- dói muito perder alguém. Trouxe um bom para a gente fumar, passei aqui várias vezes más não te vi . Pavão- na verdade eu não fumo, parei! Quase que falo demais. Douglas- poxa agora não tenho nada para dividir com você. Pavão- pode fumar ai de boa. Ele dichavou, bolou e fumou do meu lado, mesmo que a praça tenha vários maconheiros fumando, o cheiro da maconha misturada ao perfume dele me fez lembrar do Glock, ele ria enquanto fumava, brisado, eu não consegui me segurar e ri junto. Douglas- tá achando engraçado né? Pavão- chapou legal. ele foi jogar a ponta fora e a mão dele acabou esbarrando na minha, levei um choque , leve más foi um choque , ele também e começou a rir . Douglas- era bom mesmo, deu até choque. Ele é engraçado, bonito, cheiroso, tem o estilo inverso do Glock , sapatenis, calça e blusa florida com botões aberto até o inicio do peitoral, uma tatuagem no braço de uma india, relógio, no dedo a marca da aliança, tipo play boy, o cabelo alinhado, sobrancelha perfeita, os olhos cor de mel combinam com a pele morena e entram em contraste com o vermelho do globo ocular causado pela maconha. Pavão- e sua mulher? Douglas- ex , assinei o divorcio ela não consegue ouvir falar no meu nome, não quero falar nisso, vamos sair ? abriu um barzinho bom na via leste, musica ao vivo, bora? Pavão- não , eu não estou pronta para sair com ninguém. Douglas- não é um encontro é só para sair, eu não quero nada com você. Pavão- obrigada pela parte que me toca. Douglas- Desculpa pareceu grosseiro, você é linda demais meu Deus, más é que eu sou bem mais velho , e separei agora também, então é sem segundas intenções, aceita ? Pavão- sei lá esse povo vai sair falando por ai? Douglas- deixa o povo falar, eu sei que as pessoas são cruéis que julgam até nossa forma de sentir dor, más eles que se danem. Pavão - tá eu vou me arrumar rapidinho. Uma parte de mim me diz para não ir, a outra me diz que eu preciso viver e que não tem nada demais , sair com um desconhecido é perigoso, não para quem tem uma pistola rosa como eu. Coloquei um short , um body e um tênis , mexi no cabelo, coloquei um brinco, um ** e um batom , meu perfume e sai. Douglas- eitaa, tó pensando em rever meus conceitos de encontro. Pavão- eu volto para casa. Douglas- Tô brincando. entrei no carro com ele as pessoas pararam exatamente tudo o que estavam fazendo para me olhar, e começaram a falar uma com as outras sem cerimonia. Ele colocou a musica é culpa da morena bem alto no som e deu três voltas na praça, com os vidros abertos rindo, eu abaixei a cabeça com vergonha. Pavão- para! Douglas- é culpa sua morena! Pavão- véi você é muito louco. Quando estávamos subindo o carro do Duran parou do lado e buzinou, o Douglas parou. Duran- vai aonde? quem é esse ai? antes que eu respondesse o Douglas respondeu. Douglas- ressuscitou? esse ai é o teu amor? Pavão- não, é nada meu. Douglas- então vai tomar no **. ele mostrou o dedo para o Duran e eu ri muito, porque o Duran ficou vermelho de ódio. Pavão- tchau Duran. Saímos deixando o Duran para trás, acho que eu não sorria assim desde que.... Chegamos no barzinho, legal o lugar , ele pediu Chopp eu pedi um drink de vodika , uma porção e ficamos conversando. Douglas- quem é aquele? Pavão- é padrinho do meu filho, ele tem um cuidado exagerado comigo. Douglas- pareceu que ele tem mais do que cuidado, tem interesse. Pavão- se tiver não é reciproco. Douglas- me fala sobre você. Pavão- Luana, 24 anos, viúva, mãe de gêmeos, estudo química na UNB, não fumo maconha , não uso drogas e você? Ele riu. Douglas- Engenheiro , 36 anos, pai da anjinha Soraya, divorciado, fumo maconha e não uso outras drogas. Pavão - você ainda gosta dela? da sua ex? Douglas- eu amo muito ela, e acho que vou amar para sempre e você ainda gosta do seu falecido marido? Pavão- amo muito e sei que não vou conseguir amar outra pessoa, no meu caso é mais triste porquê eu não posso ver , e a única coisa que eu carrego é a certeza do fim. Douglas- eu não vejo assim , nenhum de vocês escolheu o fim , no meu caso ela escolheu m***r nosso amor no meio da pior dor da minha vida, ela escolheu morrer para mim , mesmo que esteja tão viva ainda. Pavão- são historias tristes a nossa. Douglas- vamos brindar a nossa historia, é triste más é nossa. Brindamos , ele passou a noite falando da filha com tanto carinho, eu evitei falar da minha vida para não falar demais, por alguns momentos o assunto foi a ex esposa , eu bebi muito , começou a tocar uma música sertaneja do Henrique e Juliano sem rede, que me fez lembrar o Glock eu comecei a chorar e fui até o banheiro, uma moça viu e me deu um lenço. XXX- calma vai ficar tudo bem, é homem né? eles não valem as nossas lagrimas. Pavão- esse vale todas as minha lágrimas e não vai ficar tudo bem porque ele nunca mais vai voltar. Ela me abraçou, pediu meu celular e colocou o numero dela. XXX- Hellen , salvei ai , me liga para gente conversar, marcar alguma coisa. muito maluquinha ela, más me fez ficar melhor, voltei para a mesa. Douglas- quer ir ? vamos eu te levo. Pavão- obrigada. Ele pagou a conta, entramos no carro . Douglas- quanto? Pavão- a conta? Douglas- não , que eu tenho que pagar para ver você sorrir. Pavão- desculpa, eu não sou uma boa companhia, tudo me lembra ele. Douglas- você é uma ótima companhia, tudo pode lembrar ele não tem problemas é assim comigo também quando lembro da minha filha, lembre dele com alegria mesmo que seja difícil. Ele segurou minha mão, o toque macio das mãos dele me fizeram estremecer, retribui o gesto quase que por instinto. Ele sorriu como se compreendesse cada dor da minha alma, sorri de volta agora mais calma, na porta de casa fui beijar o rosto dele e acabamos ficando um de frente para o outro suspirando, sem saber o que fazer, fechei os olhos e dei um selinho nele. Douglas- fica bem , eu vou voltar para ver você. Pavão- você também , fica bem. Douglas- obrigada pela noite, e pelo beijo que com certeza vai deixar a minha noite muito melhor. Eu sorri e desci do carro, me sinto culpada por ter feito isso, más me sinto leve , não quer dizer que quero algo além com o Douglas, más ele desperta em mim o que estava me faltando, vontade de viver. Ele se foi , peguei a chave para abrir o portão e dei de cara com o Minhoca, me assustei, um susto bom , o ultimamente o minhoca tem feito parte da minha vida , eu sinto falta dele quando ele está longe, eu me sinto segura perto dele , ele sorriu eu acho que estou tão bêbada que olhei para a boca dele como se ela tivesse me chamando. Minhoca- e ai? Pavão- de boa? Ele foi saindo e eu puxei ele para dentro do portão, fechei o olho pensando no Glock beijei ele com tanta vontade que parecia que tava beijando o Glock mesmo, ele saiu devagar soltando minha boca. Minhoca- vamos parar por aqui, eu não quero magoar você más eu também não tô afim de ser pisoteado. Pavão- foi só um beijo minhoca. Minhoca- no cara do carro ou no finado Glock? porra! Deu r**m né, más que beijo, eu tava precisando disso. Pavão- tá foi m*l, se não quer ser meu amigo , também não vai querer me beijar. Minhoca- vou sair fora. Pavão- espera entra ai eu tenho uma parada para te perguntar. Minhoca- melhor amanhã. Pavão- anda minhoca eu não vou mais te beijar. Ele entrou, sentamos no sofá. Minhoca- fala. Pavão- a arma e a d***a que você levou para o Glock no dia do jogo , onde está? Minhoca- sumiu, eu entreguei para ele antes dele subir para casa, ele mandou eu subir na frente , ficou com a d***a e com a arma, eu não sei se ele entregou para alguém ou se pegaram de assalto quando ele caiu. Ele olhou o papel em cima do sofá, com a lista. Pavão- não , espera não é isso. Minhoca- dá nada não, pode investigar , deixa meu nome ai no topo, está certa, não sabe nada de mim, eu sou suspeito, quer saber de mim? vem. Pavão- onde? ta de madrugada. Minhoca- tem nada não, vem. Sai de casa entrei no carro dele , fomos até o setor de chácara, paramos em uma casa simples na rua de terra, a casa é pequena , modesta , más bem arrumada. Minhoca- eu moro aqui. Ele abriu a porta de um quarto, parece quarto de hospital, uma mulher acamada, com aparelhos ligados, fraldas , remédios, a mulher não esboça nenhuma reação . Minhoca- é a minha mãe, meu pai fez isso com ela, se eu sou foragido? sou, porque eu matei ele, se sou pedido em outro lugar , eu sou também , a família do meu pai inteira quer me m***r, porquê ninguém sabe de mim? porque se eu for preso quem vai cuidar dela? Pavão- desculpa minhoca. Minhoca- Meu nome é Gabriel, não tem problemas você colocar meu nome no topo da lista , más coloca lá também que eu não mataria a única pessoa que me estendeu a mão. Eu senti meu peito sendo cravejado pela culpa, voltamos ele me deixou em casa. Pavão - desculpa, eu sinto muito. Minhoca- relaxa, viu porque eu não posso ser seu amigo? as vezes eu passo noites acordado virado, o tempo que me sobra e todo para cuidar dela. Eu senti uma vontade tão grande de abraçar ele, deixei minha culpa de lado e abracei ele. Pavão- você não está sozinho, eu estou aqui e vou te estender a mão como o Glock fez. Soltei o abraço , nossas bocas se encontraram, beijando o minhoca agora sem pensar no Glock ou em quem quer que seja, foi até melhor do que o primeiro beijo. Minhoca- falei para você não fazer isso. Pavão- vamos dar motivo para esse povo falar. Ele sorriu , entrou no carro e saiu. Entrei em casa e dei de cara com a foto do Glock, eu sorri, para quem não ia beijar outra boca até que eu tô bem beijoqueira, o sentimento que eu buscava sentir não consegui sentir ainda, nem com o minhoca e nem com o Douglas, porquê ninguém vai ocupar um coração que já tem dono. ?a lista não é tão pequena, e ai quem foi o mandante? quem dá mais? uma amizade colorida entre nossa pavão e Douglas, e entre Minhoca, algum dos dois vai conseguir fazer ela amar novamente? Shipam qual casal e qual amizade? ou ela vai viver e beijar, curtir até o amor aparecer de novo.
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