Adrian, há cinco anos atrás.
Estava exausto de ser o CFO da empresa, só de imaginar que meu pai vai se aposentar em breve minha cabeça dói. Respiro fundo jogando o meu corpo pra trás na poltrona de couro sofisticada, olho para o teto de mármore branco e fecho os olhos tentando relaxar, se eu ver mais um papel na minha frente eu vou surtar! O telefone toca ao meu lado na mesa de madeira fosca, atendo desanimado, era minha secretária.
- Alô Kátia? - questiono revirando os olhos.
- Oi senhor, sua esposa está aqui, ela quer vê-lo.
- Mande-a entrar. - me levanto correndo e abro a porta.
- Como está o meu bem? - ela toca minhas bochechas com suas mãos pequenas e fixa seus olhos azuis aos meus castanhos.
Angel e eu tínhamos a mesma idade, nos conhecemos na faculdade de NY, ambos cursando administração, após a formatura ela declarou os seus sentimentos por mim e eu retribuí com os meus. Nos casamos depois de um ano namorando, somos uma família feliz, ela é o amor da minha vida.
- Estou exausto, mas ver o seu rosto me deixa feliz. - sorrio beijando-a com intesidade.
Passo minha mão pela sua nuca e aperto, fazendo a mesma suspirar durante o beijo.
- É complicado fazer isso com essa barriga enorme. - ela diz durante o beijo e gargalhamos juntos.
- Não se preocupe, ela vai nascer logo. - sorrio. - Se sente, ela deve estar se revirando aí dentro.
- Nem me fale! - a loira anda devagar até a cadeira e se senta abrindo as pernas com o seu vestido longo azul marinho. - Amor, já era pra ela ter nascido, como pode atrasar uma semana?
- Eu sei querida, mas o médico disse que está tudo bem, então não se preocupe. - sorrio me sentando de frente pra mesma.
- Sua mãe me ligou, ela quer fazer um jantar especial hoje e nos convidou.
- Não estou animado pra isso Angel. - digo tocando a cabeça. - Cheio de trabalho no escritório, não consigo nem respirar direito.
- Por quê não fala isso pro seu pai? Você precisa de férias, Adrian. - a mesma se aproxima colocando o cotovelo na mesa. - Já faz quase dois anos que você trabalha direto como CFO, sem férias, nem aos feriados! Você é um ser humano, não uma máquina.
- Eu sei, mas eu preciso me concentrar se quiser virar CEO.
- Vai continuar cansado e o trabalho vai dobrar mais sua atenção.
- E não é isso que você quer? Uma vida tranquila para criar nossa filha nas melhores escolas?
- Podemos criar nossa filha em qualquer escola, contanto que o pai dela esteja presente.
- Angel, eu não quero brigar, então acho melhor você ir pra casa descansar, vou ligar pro Felix.
- Não precisa. - ela se levanta. - Eu vou andando, assim resfrio a cabeça.
- Não acredito que ficou magoada!
- Eu só acho que você vai se tornar um pai e marido ausente no futuro, eu sinto que vamos ser jogadas pra escanteio...
- Por quê acha isso? - questiono ainda sentado.
- Não percebe? Você acordou quatro horas da manhã hoje, não te vejo levantar e quando acordo estou sozinha naquele apartamento. - a mesma respira fundo. - Se preciso te ver, tenho que vim até a empresa, pois seu celular está sempre ocupado...e quando chego aqui, preciso aguardar sua secretária te contatar.
- Ah, me desculpe primeira dama, você quer que eu faça o quê?
- Que me trate como sua esposa, não como um acionista qualquer. - a mesma sai andando deixando a porta aberta.
Respirei fundo, me levantei e fechei a porta sentindo o perfume dela ecoar pelo corredor extenso. Eu deveria ter ido atrás dela aquele dia! Mas fui orgulhoso e me sentei na poltrona e continuei a trabalhar, olhava para o relógio ansioso, queria ir embora e fazer as pazes com a mesma, foi aí que notei o meu celular sob a mesa. Havia 17 chamadas perdidas na parte da manhã, eram todas dela. Me ajeitei na poltrona e liguei na esperança de se desculpar por chamada.
Angel: Oi...- a mesma atende com a voz baixa.
Adrian: Você foi mesmo a pé pra casa? - questiono
Angel: Sim, estou passando na Timesquare agora, preciso desligar.
Adrian: Espere...- respiro fundo. - Me desculpe amor, você tem toda razão, eu preciso me esforçar para ficar mais tempo ao seu lado e do bebê. Vamos hoje ao jantar, vou avisar o papai que preciso de férias para viajar com a minha esposa e filha, então, nasça logo Lauren! Está ouvindo mocinha.
Angel: Eu acho que ela escutou, ela me chutou agora. - escuto a voz serena da mesma, ela havia me perdoado.
Adrian: Angel...já disse que te amo hoje?
Angel: Não, nem hoje e nem ontem e nem antes de ontem.
Adrian: Nossa, estou devendo tantos eu te amo assim?
Angel: Sim e eu vou cobrar sr.Cooper.
Adrian: Eu te amo, Angel...Você é a melhor coisa que já aconteceu na minha vida, sabe disso, né?
Angel: E você sabe o quanto eu-
No mesmo instante escuto um estrondo alto, afasto o celular da orelha e aproximo novamente, assustado.
Adrian: Alô? Angel? Querida?
Angel: A...Adr...Adrian. - escuto a mesma sussurrar. - Por favor...salve...o...nosso...bebê. PRECISAMOS DE UMA AMBULÂNCIA! - escuto uma voz masculina gritar por socorro.
Lisa
- Papai?! - questiono ao ver uma criança abraçando fortemente o Adrian.
- Pai, quem é essa? - a menina apona o dedo sorrindo.
A menina era linda, ela tinha olhos azuis e os cabelos castanhos escuro e parda igual ao pai, ela estava de maria chiqunha e com um vestido amarelo de babado com girassóis, ele batia até o joelho dela, seus sapatinhos eram pretos e usava uma meia canela alta branca.
- Ah...essa é Lauren, minha filha. - ele sorri. - Lauren, essa é a Lisa Palmer, ela trabalha com o papai e machuchou a perna. - ele a pega no colo e se aproxima de mim. - E como eu sou um ótimo cavalheiro eu a trouxa pra cá e estou ajudando ela com a dor.
- O senhor é o melhor! - ela estica o braço com o polegar pra cima.
- Sim, eu sou o melhor papai do mundo, não sou?
- Sim! O melhor. - ela o abraça com força.
- Agora vamos pro quarto querida, deixe os adultos conversarem. - a empregada pega a mesma.
- Foi um prazer conhecer você, Lisa, trate bem o meu papai!
- Pode deixar, Lauren. - sorrio vendo ela entrar no seu quarto.
- Está melhor a sua perna?
- Sim, eu vou pra casa...você deve estar cansado, trabalhou o dia todo. - sorrio me levantando.
- Vou pedir o Felix pra levá-la.
- Não precisa...eu sei como chegar em casa, vou pegar um táxi. - me levanto agarrando as duas sacolas com os sapatos.
- Espere! - ele se levanta e tira uma sacola das minhas mãos. - Nesta sacola está uma sandália que comprei pra Lauren, a sua é esta. - ele aponta o dedo sorrindo.
- Certo, obrigada pelo sapato e eu vou te pagar... - saio andando e pego o elevador o mais rápido possível.
Admito que por essa eu não esperava, ele tem uma filha...mas aonde está a mãe?
Adrian
Naquele dia, minha esposa foi levada desacordada ás pressas para um hospital público, eu precisei escolher entre a vida dela e a de minha filha, naquele mesmo dia, eu vi uma mulher chorando ao lado de seu irmão ao descobrir que o seu pai havia entrado em estado vegetativo.
- Não podemos perder ele, Lucas! - ela chorava nos braços do irmão. - A mamãe não está mais conosco!
Fiquei imaginando como essa mulher conseguiu dar a volta por cima, mas hoje nos reencontramos e ela continua com o mesmo olhar triste daquele dia.