Eva A ONG estava estranhamente quieta naquela manhã, um silêncio pesado que parecia vir do próprio morro, como se ele prendesse a respiração junto comigo. Cada folha parecia suspensa, cada pássaro calado, e o ar denso prenunciava algo, ou talvez apenas refletisse o peso que eu carregava. Depois do sequestro, o olhar das pessoas sobre mim havia mudado. Não era pena, aquela compaixão vazia que muitas vezes me acompanhava. Tampouco era admiração, a reverência que alguns poderiam ter por uma sobrevivente. Era algo mais sutil, mais incômodo. Uma distância palpável, como se eu tivesse me tornado uma zona proibida. Era como se eu fosse um objeto instável, algo que, a qualquer momento, pudesse explodir. Não havia toques, os sorrisos eram contidos, e as conversas, quando existiam, eram breves e

