O Date

2144 Words
— Anna, eu to indo, você precisa de alguma... QUE m***a ACONTECEU NA MINHA COZINHA? — Achei que Jess iria ter um infarto olhando para as manchas de molho de tomate sobre o balcão. — Só um adendo: Nossa cozinha. — Disse em meio a bagunça e panelas borbulhando no fogão. — Quer dizer o que sobrou do que um dia foi uma cozinha!! Meu Deus Anna! Explodiu a terceira guerra aqui? — Releva Jess, eu não cozinhava a meses! Aconteceram só alguns imprevistos, mas eu já estou limpando tudo. — Disse já pegando um pano para dar um jeito na minha pequena bagunça. — Você é doida! — Esbravejou aproximando-se de mim passando o polegar no meu rosto e levando a boca com um pouco de molho. — Mas o molho está bom. — Eu sei! — Sorri enormemente orgulhosa. — Fiz bolo de carne... Acha que ele vai gostar? — Não faço ideia, não conheço ele. — Jess deu de ombros procurando por um copo. — Mas se serve de consolo eu adorei e quero um pedaço no microondas pra mim quando eu chegar. — Pode deixar. — Com um riso nasal comecei a levar a louça suja até a pia. — Já escolheu o que vai usar? — Uma calça jeans e uma camiseta. — Respondi dando de ombros. — Talvez a minha camisa xadrez também. — Que?! Anabel! Virou vaqueira agora? Vai gritar "irra!" Quando ele passar por aquela porta? — Perguntou transtornada. — É um jantar romântico sua doida! Seu lado romântico morreu por acaso?! — Não! E o que a Sra. Sabe Tudo me sugere? — Um vestido! Ou no mínimo uma saia. — Você está em que ano? 1967? — Revirei os olhos lavando o pano. — Eu quero um jantar confortável entre amigos. — Mas é um encontro! — Esbravejou Jess, eu podia sentir que ela estava prestes a explodir. — Deixa eu ao menos escolher a sua roupa antes de sair, por favor! Conhecendo-a bem como a conheço eu tinha certeza de que não conseguiria convencê-la do contrário, ela dicaria aqui até eu ceder ou o Tony chegar e sinceramente acho isso uma péssima ideia, então respirando fundo cedi. — Tudo bem... Mas nada extravagante! — Precisei gritar a última parte já que ela m*l esperou eu terminar de falar e já correu em direção ao meu quarto. Não é como se eu já tivesse tido diversos encontros na minha vida, eu sentia que havia engolido diversos cubos de gelo ao mesmo tempo que diversas borboletas se agitavam em meu estômago. — Prontinho, vai ficar linda com o que eu escolhi. — Disse Jess entrando na cozinha. — Acende umas velas, coloca jazz pra tocar. — Ta querendo me ensinar a paquerar? — A olhei com uma sobrancelha arqueada tentando ao máximo não rir. — São dicas básicas pra quem não está acostumada a encontro maninha. — Respondeu pegando uma das uvas do balcão. — Dicas básicas... — Repeti soltando um riso nasal e guardando o pano de prato. — Toma cuidado tá bom Ana? — Jess aproximou-se de mim olhando-me de uma forma preocupada. — Claro... — Respondi calmamente sorrindo ao vê-la parecer mais calma. Depois de se despedir com um forte abraço, enfim foi em direção a saída pegando um casaco a ouvi abrir a porta e deixar o apartamento. Não posso dizer que estou totalmente calma com esse filme encontro, pois estaria mentindo. Na tentativa de me distrair brevemente voltei minha total atenção para terminar o jantar e em seguida me arrumar evitando pensar na palavra "encontro". Jess havia escolhido uma meia fina preta e meu vestido margenta de mangas longas e tecido macio... Eu adoro esse vestido, o ganhei de presente de aniversário, mas não achei que fosse usá-lo um dia. Após cobrir todas as minhas imperfeições com maquiagem e sem ter o que fazer com o meu curto cabelo, calcei meus saltos e fui até a cozinha esperar pela chegada de Tony. Assim que ouvi o tilintar da campainha não sei o que levantou mais rápido, eu ou meus pelos, parecia que eu havia esquecido até como se andava! Meu corpo inteiro havia entrado em estado de alerta máximo, meus divertidamente estavam se socando de tão surtada que eu estava e eu nem abri a porta ainda... — Calma Annabel! Você consegue. — Repeti a mim mesma ouvindo a campainha novamente. Respirando fundo caminhei até a porta ouvindo o som dos meus saltos no piso, quando abri a porta pude vê-lo... O moreno pareceu surpreso ao abrir a porta, Tony usava uma calça jeans escura e uma camisa preta, estava segurando uma garrafa de vinho e, mesmo não sendo tão difícil assim de se fazer comigo, também estava de tirar o fôlego. — Boa noite. — Disse sorrindo gentilmente. — Oi Tony... — Eu me sinto uma garota de 15 anos na frente dele! — Pode entrar. Sorri me afastando um pouco para ele passar. Um rastro do perfume mais doce que já senti o seguiu quando passou por mim, não pude evitar tentar ao máximo respirar mais fundo ao fechar a porta.     — Você está linda, Anna. — Elogiou-me sorrindo de forma tímida.     O rubor em meu rosto tornou-se instantâneo aquecendo-me as bochechas ao mesmo tempo que eu o olhava totalmente surpresa com o elogio.     — O-Obrigado você também está linda... Quer dizer lindo! Você também está lindo até mais do que eu, não que você esteja lindo só hoje, sempre. Quer dizer eu não se não te sigo todos os dias para saber e... — ANNABEL SÓ CALA A BOCA! — Desculpe...      — Tudo bem. — Disse rindo e se aproximando um pouco mais de mim. — Não precisa ficar nervosa.     — Eu não to nervosa. — Sorri mostrando-lhe todos os meus dentes. Tony me olhava com uma sobrancelha arqueada como se esperasse que eu lhe dissesse a verdade. — Tá eu to nervosa... Eu não sou de ir a encontros e receber elogios.     Ele apenas sorriu calmamente colocando a garrafa de vinho sobre a mesinha e acariciando meu rosto com as pontas dos dedos.     — Você é linda Anna... E se a palavra "encontro" te acanha você pode chamar apenas de jantar.     — Jantar... — Repeti sorrindo boba totalmente encantada por ele.     E nesse exato momento foi como nos desenhos animados que acendem uma lâmpada acima da sua cabeça. Um arrepio percorreu toda a minha espinha fazendo com que eu esbugalhasse meus olhos abrindo a boca em câmera lenta.     — O JANTAR! — Dessa vez não havia doçura na minha voz, apenas pânico!     Me afastei tão rapidamente que em poucos passos já havia chegado a cozinha. Assim que abri o forno uma nuvem de fumaça preta invadiu a cozinha antes que eu tivesse se quer a chance de deligar o fogo.     Colocando as luvas térmicas enquanto tossia com aquele odor que invadia minhas narinas, arrisquei pegar o que deveria ser bolo de carne o jogando dentro da pia.     Escuridão, escuridão e fumaça era o que se via naquela pia, e o restinho da minha moral torrada.     — Meu Deus... — Tony veio atrás de mim sacudindo sua mão no ar na tentativa de dissipar a fumaça. — O que aconteceu?     — Então... Aquilo era o nosso jantar. — Respondi apontando para a pia.     Tony olhou-me abismado, eu já esperava por uma reação negativa ou criticas sobre a minha irresponsabilidade, mas contradizendo a todas as minhas expectativas ele apenas começou a rir apoiado sobre o balcão.     O choque em que meu corpo se encontrava naquele momento me fez observá-lo assustada, mas, aos poucos, sua risada contagiou-me e logo havia dois bobos chorando de rir em um ambiente cheirando a fumaça e um torrão de carne dentro da pia.     — Não acredito que eu fiz isso. — Disse parando de rir e usando as costas da mão para limpar a lágrima que escorria pelo meu rosto. — Quem nunca queimou um... um... — Tony parou de falar apontando para o tostado. — O que era para ser isso? — Bolo de carne. — Respondi me aproximando para ver o estrago mais de perto. — Quem nunca queimou um bolo de carne. — Deu de ombros. — Quem queima o jantar em um encontro? — Questionei de forma totalmente baixa e pessoal. — Acidentes acontecem, não precisa se culpar, Anna. — Disse Tony colocando a mão em meu ombro suavemente. Toda vez que ele se quer encostava em meu corpo eu me arrepiava por completo, talvez isso seja o reflexo de semanas sem contato humano com alguém que não esteja doente, trabalhando ou seja a minha irmã. — Podemos pedir uma pizza. — Pizza com vinho? — Perguntei franzindo o cenho. — Nunca comeu? É uma das melhores coisas do mundo! — Respondeu de forma empolgada permitindo até que um sorriso se fizesse presente em seu rosto. — Se você está dizendo. — Com um riso nasal dei-me por vencida. — Deve ter o número de alguma pizzaria por aqui. Deixando o torrão na pia de lado comecei a procurar por algum panfleto de pizzaria, Jess sempre deixava ao menos um preso a geladeira com um imã. De acordo com ela isso era comida de emergência, não pude evitar um riso nasal ao lembrar disso enquanto discava o número da pizzaria. ⚜️ — Moral da história: Não tente acrobacias na neve. — Ou pode acabar com um olho roxo. — Completei rindo quase tanto quanto ele. — Não acredito que você já praticou ginástica. — É tão difícil assim de acreditar? — Perguntou com a taça de vinho parada próxima ao rosto. — É sim. — Assenti cobrindo a minha boca cheia de pizza. Tony revirou os olhos apenas fazendo ambos rirem mais ainda de uma das histórias que ele me contou está noite. Minha barriga até mesmo doía de tanto que ri até agora, ao mesmo tempo que eu só queria ficar ali, sentada no sofá, ouvindo todas as histórias que ele tem a contar. — Já falei de mais sobre mim, me fala sobre você Anna, quase não disse nada. — Tony levou a taça aos lábios degustando de um gole do líquido escarlate. — Eu? Eu não tenho histórias boas como as suas... Na verdade as únicas histórias que eu tinha eram em sua maioria ruins ou aconteceram em um hospital. — Tá então só me fala um pouco sobre você, mora aqui sozinha? — Perguntou servindo um pouca mais de vinho em nossas taças. — Não, moro com a minha irmã mais nova Jessica, ou Jess. — Já sem os meus saltos por efeitos do álcool, me levantei para pegar um quadro da estante, voltando em seguida. — Essa é a Jess. — Ela parece com você. — Disse olhando para o quadro e sorrindo. — Parece, mas ela é mais forte que eu... Tiramos essa foto no Natal passado, não sabíamos que eu ficaria em casa então tivemos que comprar as coisas em cima da hora, nossa ceia foi hambúrguer e fritas com suco de laranja. — Não pude evitar um riso nasal ao lembrar desta noite. — Mas mesmo assim foi com certeza o melhor Natal até agora. Tony observava aquela foto em suas mãos como se desse atenção a cada detalhe seu, desde os cabelos bagunçados de Jess até a quantidade enorme de ketchup que havia no meu hambúrguer. — E os seus pais? — Perguntou virando seu rosto para mim. Senti um nó se formar na minha garganta de imediato. — Nossa mãe morreu a um tempo atrás e meu pai também. — Respondi dando um grande gole no vinho até mesmo sentindo ele descer travando. — Nossa... — Tony me olhou com pena em seus olhos até mesmo largando sua taça e o quadro sobre a mesinha. — Eu lamento Anna. — Tudo bem... — Respirei fundo também largando a taça sobre aquela madeira escura e velha. Antes que eu pudesse recolher a minha mão, Tony a segurou de forma branda, lentamente entrelaçando seus dedos aos meus. Virei meu rosto em sua direção não entendendo o porquê de sua atitude, mas ao mesmo tempo permitindo que continuasse. Eu podia sentir uma energia fluir entre nós naquela sala. Somos apenas nós dois e um pouco dos barulhos de carros que adentravam pela janela. Tony passou sutilmente a língua em seus lábios deixando-os levemente úmidos ao mesmo tempo que se aproximava de mim. Meu coração disparava, minhas mãos soavam, minha respiração estava tão pesada que eu poderia facilmente ter um treco em sua frente, mas ainda sim apenas me deixei levar por esse momento aproximando-me também. Quando sua testa colou-se a minha e nossos narizes se tocavam aconteceu algo estranho... Meu coração se acalmou, minha respiração se normalizou e a única coisa que me vinha em mente era o quanto eu o queria...
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD