Capítulo 2 - Carmine

1007 Words
Distraída, limpava o cercado do meu porquinho-da- índia, como sempre costumava fazer pelo menos uma vez aodia, era uma rotina que estabeleci, assim que o peguei para criá-lo. Ambra, minha irmã, adentrou no meu quarto, parecendo com pressa, pois se esqueceu de bater à porta. Como já estávamos acostumadas a entrar várias vezes no quarto uma da outra sem bater, nem liguei. Às vezes ficava desconfortável quando ela entrava e eu estava me vestindo, ou nua, já que detestava ser vista assim, mesmo ela sendo minha irmã. Parei de limpar o cercado, coloquei a mão na cintura e encarei Ambra, que estava ofegante e com cabelo um pouco desajeitado, o que era incomum, visto que ela era vaidosa e toda hora conferia seu visual no espelho, como se fosse obrigação. Diferente de mim, que preferia prender o cabelo só para evitar ter que lavá-lo no mesmo dia, ou só para esconder de mim mesma o fato de ele precisar de arrumação. — Car, você não vai acreditar no que acabou de acontecer! — disse ela, enquanto tentava voltar a respirar normalmente, a pobre estava muito eufórica. — Sério, estou sentindo meu coração bater mais rápido até agora. Não posso acreditar no que acaba de acontecer. — Calma, Ambra, per Dio. Respira, sorella, está à beira de ter um ataque cardíaco. — Ri do estado em que ela se encontrava, logo após franzi o cenho, tentando imaginar na possibilidade de sua euforia ter a ver comigo. — Não me diga que é o que estou pensando. Finalmente e por milagre divino, surgiu um pretendente para mim? Se fosse isso só poderia ser um milagre mesmo. Daqueles bem milagrosos, sabe. Quase impossível. — Não é isso — ela negou, balançando as mãos e a cabeça freneticamente. Senti uma enorme vontade de estapear seu rosto, só para fazê-la sair do surto de euforia que estava. — Mas, ainda acredito que não vá demorar a surgir um pretendente para você, irmã, não se desanime. Concordei com a cabeça, mesmo, no fundo, sabendo que era quase impossível alguém querer se casar comigo. Estava há tanto tempo esperando um pretendente inusitado que até desisti de um dia me casar. Nesse momento, tinha era medo da possibilidade de um matrimônio repentino, porque imaginava que do jeito que era sortuda acabaria tendo que me casar com um homem rico, entretanto, também velho e barrigudo que, decerto, cheirava a azedo e bafo de cigarro. Só em imaginar essa hipótese me embrulhava o estômago. Preferia ficar solteira a sofrer em um casamento desastroso. Estava bem, mesmo encalhada. Bem, isso era o que eu dizia a mim mesma todos os dias para tentar me animar e não me sentir rejeitada. — Então o que houve para estar tão animada assim? Deixa-me tentar adivinhar, hum... Papai liberou o cartão de crédito? Ou nos permitiu viajar sozinhas como tínhamos pedido a ele? — Não é isso também, que saco! — resmungou ela, rindo, então desistiu de me fazer adivinhar, veio até mim e me mostrou uma mensagem dela com Kiara Caccini. Meu queixo caiu por alguns instantes ao ler as palavras escritas por Kiara. — A primeira-dama dos Caccini me mandou essa mensagem, nos convidando para ir até sua casa em um chá de tarde. Não é magnífico? Sempre quis conhecer a mansão que parece mais uma fortaleza de Tommasso Caccini. Fiquei impressionada, boquiaberta. Escutava muitos burburinhos em relação a Kiara. As pessoas falavam sobre ela ser rígida na escolha das convidadas para seu chá de tarde. Tampouco era aberta a novas amizades, digamos que Kiara Caccini era uma mulher discreta, elegante e lindíssima, uma inspiração para as mulheres da sociedade. Como minha família era influente, estive em seu casamento com Tommasso, lembrava-me de como achei a cerimônia maravilhosa e fiquei deslumbrada com o vestido de noiva de Kiara. Entretanto, tinha que confessar que a festa de casamento de Nicolo Caccini e Sierra me deixou ainda mais impactada, talvez por ser uma Biachi se casando com um Caccini, sendo que as duas máfias duelaram durante anos. Sienna Biachi, bem, nesse momento já era Sienna Caccini Biachi, era tão linda quanto Kiara. A ruiva tinha uma beleza raríssima. E ela combinava perfeitamente com seu marido o subchefe dos Caccini. Lembrava-me de que fiquei chocada quando minha família recebeu o convite do casamento deles. Seria um evento imperdível. Nicolo Caccini tinha sido enredado ao matrimônio. O subchefe que era conhecido por ser impiedoso era um libertino, enfim, tinha sucumbido a uma união. As pessoas se deleitaram com a união dos dois. A coitada de Sierra sofreu por conta do remorso das pessoas de nossa sociedade, por conta dela ser de uma família rival que cometia atos terríveis contra as nossas. — O que será que ela quer conosco? — inquiri, confusa. — Não sei, mas amanhã certamente iremos descobrir. Ah, estou tão animada! — cantarolou Ambra, indo até o guarda-roupa, toda animada. — Ambra, você poderia me emprestar um dos seus vestidos curtos para o evento desta noite? — perguntei, após um tempo pensativa sobre o que poderia usar no evento que aconteceria à noite. Ambra se virou e me fitou surpresa. — É claro, empresto quantos você quiser. Você fica linda quando mostra as pernas e não se cobre com um vestido longo. — Só quero usar um curto porque está calor, e o evento será para poucos convidados. — Certo — respondeu ela. — Eu olhei agora há pouco as roupas do seu guarda-roupa e você realmente precisa fazer compras, Car. — Não preciso, não, já tenho bastante roupas que servem em diversas ocasiões — argumentei. Não concordava com ela porque tinha muitas roupas e acessórios também. — Mesmo tendo bastante roupas, ainda assim te faltam vestidos curtos. Você precisa de mais! — contestou ela. Isso era verdade, eu tinha poucos vestidos curtos e sensuais, pois me sentia estranha usando, sentia mais receio das pessoas repararem na minha perna e na minha forma de andar. Ficava mais tranquila usando longos e gostava da aparência elegante que eles me faziam transmitir.
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