CAPÍTULO SEIS: EMBALANDO.

1149 Words
AMBER.         Fui às compras esta manhã. Precisava de algo para vestir no funeral da Mary. Também precisava pegar algumas coisas essenciais em casa, pois não havia voltado lá ainda. Parei para comer algo e havia duas mulheres que eu conhecia meio que por Kim, sentadas algumas mesas distantes. Elas continuavam olhando na minha direção, rindo e fazendo caras. Eu estava prestes a perguntar qual era o problema delas, quando percebi, elas sabiam. De repente me senti vulnerável, como um nervo exposto. Não tinha considerado que outras pessoas poderiam saber. Minha mente estava acelerada. Foi mais do que apenas aquela vez? Elas estavam tendo um caso? Se sim, há quanto tempo isso vinha acontecendo e quantas pessoas sabiam sobre elas? Como eu não percebi? Perdi completamente o apetite. Paguei pela minha comida e peguei para viagem ao invés de comer ali. Eu só queria sair dali.         Agora eu não conseguia encarar as compras, não queria correr o risco de encontrar mais alguém que poderia saber. Decidi arriscar ir para casa do Chris pegar algumas das minhas coisas. Ele deveria estar no trabalho nesse momento de qualquer forma. Estacionei na frente e verifiquei se a moto dele já tinha ido embora antes de entrar. Subi direto para o quarto, minha mente voltando à lembrança deles juntos quando olhei para a cama. Me sacudi, eu estava ali por um motivo. Peguei minhas malas e comecei a enchê-las. Coloquei roupas, joias, minha necessaire de maquiagem e produtos de higiene. Correndo para pegar minhas coisas, não pude deixar de notar que o quarto cheirava ao perfume excessivamente doce dela. Pegando minhas malas, desci as escadas. Levei meu passaporte e quaisquer documentos que envolviam a mim. Peguei uma foto emoldurada de mim e da Mary, parando para olhá-la por um momento antes de embalá-la. Peguei algumas coisas que tinham valor sentimental para mim, coisas que não poderiam ser substituídas. Ao virar, vi algo rosa preso entre as almofadas do sofá preto. Eu amava aquele sofá, era perfeito para se aninhar com o Chris e assistir a filmes numa noite fria. Puxei o tecido rosa e o larguei instantaneamente. Eu conhecida aquela tanga, estive lá quando a Kim a comprou. A raiva me inundou novamente. Peguei a garrafa de uísque caro que o Chris tinha no armário e esvaziei tudo na pia da cozinha. Eu sabia que era pequeno, mas droga, foi bom. Deixei minha chave no sofá ao lado da tanga e saí. Carreguei minhas coisas no carro e dei uma última olhada na casa. Eu pensava que eu e o Chris ficaríamos juntos para sempre. Suspirei pela minha própria estupidez e fui embora. CHRIS.           As coisas dela se foram! A Amber deve ter vindo enquanto eu estava no trabalho. Peguei a chave que ela deixou no sofá e examinei o tecido rosa que estava ao lado. É uma tanga. De onde diabos veio isso? Pensei. Definitivamente não é da Amber. Não é o estilo dela e não é o que a Kim estava vestindo naquela noite. Na verdade, ela estava sem calcinha naquela ocasião. Eu estava confuso. Algo não estava certo. AMBER.         Cheguei em casa e me joguei na cadeira da Mary. A raiva ainda girava dentro de mim. Então claramente eles continuaram se encontrando desde que eu saí ou eles já estavam transando há mais tempo, rindo de mim pelas minhas costas. Pensei em todas as vezes em que tinha desabafado com a Kim e me senti ainda mais i****a. Realmente acreditei que ela era minha amiga. Pensei em como tinha se sentido com aquelas vadias mais cedo. Como eu poderia viver nessa cidade sem saber quem sabia? E se eles se tornarem oficialmente um casal e eu tiver que lidar com encontrá-los? Não, eu não estava disposta a viver assim. Eu precisava de um novo começo e, graças à Mary, eu poderia ter um.            Peguei meu laptop e pesquisei a cidade onde ficava a outra propriedade da Mary. O Sr. Daniels tinha a chave em seu escritório junto com os documentos, e ele tinha me dado com minhas cópias dos papéis. Não consegui encontrar muitas informações sobre Lakeside, o que parecia estranho. Consegui encontrar a localização e tracei uma rota. Era longe o suficiente para que eu pudesse recomeçar completamente lá e perto o suficiente para que eu pudesse ir de carro. Liguei para meu chefe no hotel cinco estrelas, onde eu trabalhava como garçonete no restaurante. Expliquei a situação e ele foi muito gentil e compreensivo. Ele ofereceu deixar eu usar minhas férias acumuladas para cobrir meu aviso prévio. Nós conversamos um pouco mais e encerramos a ligação. Decidi pedir comida, ao invés de correr o risco de encontrar alguém. Já tinha tido o suficiente de ser ridicularizada hoje.         Passei os próximos dias vasculhando as coisas da Mary. Coloquei tudo o que eu queria guardar, mas que não podia levar agora, em um guarda-móveis. Enchi meu carro com o máximo possível e fui dormir cedo. Amanhã é o funeral da Mary. Vai levar tudo o que tenho para passar por isso. CHRIS.           Ainda estava tentando entender como tudo isso tinha acontecido. Eu estava acostumado com mulheres se jogando em cima de mim. Nunca tive problemas em resistir. Antes da Amber, eu aproveitava isso e tive tantas transas de uma noite só que perdi a conta. Amber era especial. No tempo em que estivemos juntos, eu sequer beijei outra mulher. A Kim vinha dando sinais há um tempo, mas eu nunca sequer pensei em t*****r com ela. Na verdade, apesar de ser bonita, ela não é realmente o meu tipo. Nunca fui muito de gostar desse estilo de mulher chamativo e cheio de pose. Eu preferia belezas naturais como a Amber. Então como diabos eu acabei na cama com a Kim. Para ser honesto, nem me lembrava muito bem de como tudo começou. Estávamos bebendo e rindo, e então a próxima coisa que me lembro é de estarmos nus no quarto e ela cavalgando em cima de mim. Parecia bom, então não a interrompi. Depois disso, não vi motivo para me segurar, já tínhamos transado então eu poderia me divertir. Além disso, eu gostei da forma como ela reagia a mim. Ouvir ela gritando meu nome era um grande impulso para o meu ego. Eu tinha esquecido o quanto gostava dessa parte de estar com mulheres. A Amber era mais reservada. Eu sabia que ela gostava, mas ela não era de gritar. Foi só depois de ver as chamadas perdidas da Amber que a realidade caiu sobre mim. Agora eu estava sozinho. Estraguei tudo tão feio. Não sei se devo dar um tempo a ela ou tentar me rebaixar. Fui até o armário de bebidas decidido a afogar minhas mágoas em uísque. A garrafa estava vazia e o colar que eu tinha dado a Amber de presente de aniversário estava enrolado em volta dela. Bem, merda, eu não estava esperando por isso.
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